NÍVEIS DE COMPREENSÃO DA LEITURA




30 dezembro 2010
IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARTE 2


É importante que o aluno apreenda a existência de vários níveis de significação de um texto, interferindo nas relações de intenção do autor com determinado discurso, possuindo subsídios de incorporação que lhe possibilitem a reflexão sobre aquilo que o texto pode suscitar e os efeitos de produção no leitor.
De acordo com Alliende e Condemarín Apud. Barret, no livro A Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento, que são um dos teóricos que fundamentam a pesquisa, os níveis de compreensão da leitura são cinco: o literal, de reorganização, inferencial, crítico, apreciação, respectivamente que funcionam como elementos de compreensão aprofundada do texto, seus subentendidos e pressupostos, construindo uma estrutura mental de significados, uma lógica internalizada que corresponde ao processo de transformação do próprio texto. (ALLIENDE E CONDEMARÍN, 1987, p. 15 APUD. BARRET)
A leitura está longe de ser um processo passivo: todo texto, para ser interpretado, exige uma ativa participação do leitor. O texto escrito só oferece linguagem, desligada de qualquer situação e sem apoio extralinguístico. A partir dos sinais impressos, o leitor reconstitui as palavras; ele as escuta como se existissem ao dar a elas um ritmo e uma intonação que ele inventa. Ao ler, criam-se imagens internas, estimuladoras do pensamento e da criatividade; estas imagens são criadas a partir das próprias experiências e necessidades.
O nível de compreensão literal é a percepção que o aluno possui em torno de uma ideia central inserida no texto, assim ativando mecanismo de produção de seus próprios textos, desenvolvendo capacidade de argumentação em torno do que foi discriminado. Também estabelece relações que propiciam ao aluno o domínio de estruturas do pensamento e linguísticas mais elaboradas e o prepara para o entendimento das conjunções e seus valores. (ALLIENDE e CONDEMARÍN, 1987, p. 134 APUD. BARRET) “O designado como literal seriam elementos explícitos do texto. (...) Só se pode falar de compreensão quando se capta os elementos que configuram o texto, o que sempre implica uma série de inferências.” (ANTUNES, 2009, p. 43) Primeiramente, estimulando o senso crítico do aluno por meio de múltiplas atividades de análise e de reflexão; instigando a curiosidade {...} que implica a não conformação com que já está estabelecido {...}
O segundo nível de compreensão é o de reorganização que é o entendimento da estrutura do texto, bem como seus significados globais e a organização das ideias do aluno na produção de novos textos, pois é nesse processo que o professor trabalha resumo, síntese, reconstrução do texto, através de esquemas, e localiza os grupos: pessoas, lugares, ações etc. (KOCH, 2009 p. 161).
Importante é o aprendiz notar que cada nova leitura de um texto lhe permitirá desvelar novas significações, não detectadas nas leituras anteriores. Esse fato poderá, inclusive, servir-lhe de motivação, despertando-lhe maior gosto pela leitura ao perceber que, pela reconstrução que ele próprio faz do texto, acaba por recriá-lo, tornando-se, por assim dizer, o seu co-autor. Ainda mais: no momento em que o educando se torna capaz de descobrir tudo aquilo que se encontra, de algum modo, implícito no texto, em seus diversos níveis de significação {...}
Inferencial é o terceiro nível de compreensão da leitura. Esse por sua vez, demasiadamente complexo dificultando até a avaliação dos professores, logo acaba sendo, muitas vezes retirado, dos livros didáticos e de atividades extras elaboradas pelo professor. A compreensão inferencial, partindo da literal, abordará o conhecimento de mundo e o entendimento mais abrangente do aluno. Fundamentando-se no implícito, na inferência de minúcias, ideia central, características dos personagens etc. (ALLIENDE e CONDEMARÍN, 1987, p. 134 APUD. BARRET) “Quando um leitor chega ‘realmente’ a compreender, está fazendo compreensões intertextuais ou propriamente textuais. Estas compreensões são todas inferenciais.” A partir de uma leitura de mundo de suas experiências pessoais ele constrói e reconstruir o texto. (BAKHTIN, 1992, p.36):
A lógica da consciência é a lógica da comunicação ideológica, da interação semiótica de um grupo social. Se privarmos a consciência de seu conteúdo semiótico e ideológico, não sobra nada. A imagem, a palavra o gesto significante etc. constituem seu único abrigo. Fora desse material há apenas o simples ato fisiológico, não esclarecido pala consciência, desprovido do sentido que os signos lhe confere.
Sendo o quarto nível a leitura crítica, baseada nas ideias do texto, no conhecimento de mundo do aluno, na incorporação de significações de múltiplos sentidos explícitos e implícitos da leitura do mesmo texto, que pode ser situado em confronto na sala de aula. O leitor emitirá um juízo de valor, ampliando suas habilidades intelectuais e confrontando ideias, argumentando e refletindo, apresentando conceitos do texto com critérios externo ou interno, reconhecendo valores de juízo da realidade ou metafórico distinguindo o verdadeiro do texto que diz respeito à fantasia do autor etc. (LUCKESI, 2004, p. 39 e 41) “O senso crítico exige um patamar superior de investigação e produz um entendimento mais significativo da realidade. (...) Conceitos explicativos foram extraídos da própria realidade pelo uso de um instrumento metodológico”.
O quinto e último nível de compreensão, a apreciação (ALLIENDE e CONDEMARÍN, 1987, p. 148 APUD. BARRET) “Implica todas as considerações prévias, porque tenta avaliar o impacto psicológico ou estético que o texto produziu no leitor. Abrange o conhecimento e a resposta emocional às técnicas literárias, ao estilo e às estruturas.” Ou seja, a identificação do leitor com o texto e as reflexões, sentimentos e emoções que a leitura despertou em suas vidas. A leitura deixa de ser uma meta e passa a interferir na vida do aluno, conseguindo torná-lo capaz de ler e interpretar o mundo onde vive e de se posicionar criticamente frente ao texto. (PCN’s, 1998, p. 19)
O domínio da linguagem, como atividade discursiva e cognitiva, e o domínio da língua, como sistemas simbólico utilizado por uma comunidade linguística, são condições de possibilidade de plena participação social. Pela linguagem os homens e as mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressa e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura.

LILIAN FARIAS
GRADUADA EM LETRAS POSTUGUÊS - UPE
PÓS GRADUADA METODOLOGIA DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA  E SUAS LITERATURAS - INTA

1 comentários:

  1. ADOREI SEU BLOG, QUERO CONVIDAR-LHE A SEGUIR O MEU E DIVULGAR COM SEUS AMIGOS.

    BJ

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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