ORGASMO MENTAL




28 fevereiro 2011

         

Enquanto andava a velha roupagem caia.
Nos olhos pingos de medo, na face desabrochar de satisfação.
Aquele não seria o ultimo estágio tão pouco o primeiro, era simplesmente mais um!
A mescla de sentimentalidade sufocava!
Os vasos sanguíneos eram cachoeiras!
O elevador da personalidade ficou estável em sorriso parado! O suficiente era pouco ou nada! O pouco era necessário ou prioridade! Ela queria tanto ser algo, que acabou sendo o nada, mas encontrando o nada se abriu aos laços dos horizontes...
         Os caminhos mudaram e a personalidade despida precisava ver-se no original: tecidos do desejo.
O primeiro dia da nova vestimenta, mas quando tudo caiu aflorou uma leveza sutil, pensar em um vestuário era repugnante.
Muito tempo seguindo tão rigorosamente a moda, desmazelando a reconstituição da própria história.  
Fascinada com a descoberta do novo diagnosticou um filme do passado que não fazia sentido, que não lhe pertencia mais, e que os resultados não importavam!
         A natureza guiava aquela mulher, que costumava ser guiada pela razão. Ela era magra e gorda; era feia e bonita; era fraca e forte; era triste e alegre; era culta e alienada; era azul e amarela; era, também, preta e branca; era sorriso e lamentação; era verdade e mentira; era tudo e não sabia!
Cansada de nada saber: não queria saber de política, não queria saber de hipocrisia, não queria mais ver a chegada do homem à lua, não queria saber das notícias, precisava de uma nova ideologia. Precisava de um novo espelho!
         De poucos amigos. De poucas palavras. De poucas saídas. De poucos lugares. E assim chegou a um lugar de muitos!
Procurou a trilha do regresso: em vão! Procurou a trilha da redenção: em vão! Explorou as alternativas, contudo meu talento é inexpressivo para explicar causa e conseqüência!
Intraduzível vida de prevenções desajeitadas, que prende o livre arbítrio a convenções.
         Ela ainda tinha forças!
Solitária, resolveu seguir em frente! Os episódios seguintes firmam uma realidade inexplicável. Deixou a noite e os dias cobrirem seu corpo, sem preferência de horários. Se as palavras pudessem ser transpostas em melodias todos a conheceria, e chorariam com ela e, também, visitariam sua casa.
Quando não conseguimos sustentar uma máscara o melhor a fazer é retirá-la!
(lilian farias)

3 comentários:

  1. Realmente, é fundamental seguir com as mudanças, mesmo que não tenhamos companhia. Poucas pessoas conseguem seguir e acompanhar nossa evolução. Parabens! Adoro seus escritos. Xerosss

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  2. Muito bom o seu texo...Texto lúcido
    bom de pegar nas mãos...
    Parabéns Lilian..

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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