Duas mulheres e a medida certa da beleza




08 abril 2012




Oi, galera!!!

Demorei um pouquinho, mas voltei. Como ontem fiz um desabafo a respeito do modo como as pessoas aqui em Petrolina encaram o trabalho artesanal (falo de um modo geral, mas reconheço as exceções super especiais), decidi postar algo que nos une constantemente: a beleza. E, para tanto, gostaria de falar dessas duas mulheres maravilhosas que conseguem, com uma sensibilidade incrível, transformar a simplicidade do dia a dia em beleza de altíssimo nível (cá pra nós, simplicidade é o que há!!!).

Para início de conversa, vamos falar do nome, que por sinal é o mesmo, até na escrita: Martha Medeiros. Você sabia que existiam duas delas, famosas assim? 

Então, vamos começar com a primeira Martha, a escritora...

Martha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde reside desde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área de Propaganda e Publicidade, tendo trabalhado como redatora e diretora de criação em vária agências daquela cidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses apenas escrevendo poesia (fonte: O pensador).

Longe de querer fazer uma biografia da Martha, facilmente encontrada em sites, quero mesmo é falar sobre o trabalho dela. Eu já conheci o trabalho da Martha na faculdade, antes de entrar no último (?) vestibular. Mas, nunca havia me ligado muito. Só quando readmiti o meu amor pela literatura, é que fui analisar tudo de uma forma diferente.

Logo de cara, o que chama mais atenção no trabalho da Martha é a simplicidade com que ela escreve. Com uma visão bastante feminina (e não quero dizer feminista), ela aborda acontecimentos do cotidiano, sempre colocando o sentimento, imprimindo sensações do universo feminino. Quem não lembra da Mercedes, retratada no filme e na série Divã? Claro, cinema e televisão abordam linguagens completamente diferenciadas dos livros, mas nos dá uma visão sobre o que (e como) a Martha escreve. Num contexto tão próximo da realidade, é quase impossível não nos reconhecermos em seus personagens e suas situações (e isso inclui o universo masculino, também), e não gostar da escrita.

No caso da segunda Martha, eu conheci o seu trabalho no ano passado, quando procurava o trabalho da outra Martha. Por curiosidade, fui seguindo adiante na descoberta. E, a cada foto que passava no site dela, me via cada vez mais encantada pelo seu trabalho.

Mas, na realidade, além de gostar sim de vestidos de noivas, de moda, desse universo feminino tão bem retratado, o que me chamou a atenção foi justamente o fato dela trazer para um campo altamente ditado pelo luxo, a simplicidade da renda.Tá, esqueçamos por um mísero segundo que sou louca por rendas. E, simples? Alguém já tentou fazer aquilo?

Como boa alagoana, Martha valoriza em suas criações a renda renascença ou a renda de bilro, duas das maiores riquezas artesanais do Nordeste. Quem já teve a oportunidade de visitar o Estado de Alagoas, ou procurou conhecer as riquezas daquele lugar, com certeza se deparou com as rendas produzidas por lá. E lhes digo: são belíssimas!!! De riquezas e delicadezas incomparáveis!!!

Nas minhas pesquisas sobre seu material, encontrei uma matéria super bacana, que mostra não só a valorização do trabalho dela, mas também do trabalho artesanal: 

http://primeiraedicao.com.br/noticia/2012/01/23/estilista-alagoana-martha-medeiros-e-destaque-nos-eua

A verdade é que, não adianta ficarmos procurando justificativas para o trabalho artesanal. Ele se explica sozinho. Por mais simples que pareça, sempre é colocado em seu processo de criação toda a alma do artista/artesão. Não adianta dizer que "ah, o artesão copia o que alguém fez"... Ah tá, então vamos dizer que todos os advogados e médicos são iguais, porque a técnica é a mesma, o procedimento num júri, sob determinadas circunstâncias, é o mesmo, tal qual numa mesa de cirurgia. Mas, por que, então, optamos por determinado médico ou advogado na hora de resolvermos algum problema? Porque nos identificamos não com a técnica utilizada por ele (todos detém o conhecimento preciso), mas pela forma como ele age, a forma como ele se empenha, como coloca o seu coração em cada situação.

Vamos pensar como fotógrafos, então. Tenta visualizar vários fotógrafos num mesmo evento, mirando as mesmas pessoas... Pensou? Agora, você pega cada câmera e vê quantas fotos saíram iguais. Podemos dizer que o trabalho é copiado porque todos utilizaram a mesma técnica, ou focalizaram o mesmo objeto? Simples, né?

Beijão pra vocês.
À bientôt.
Simonne

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