Lançamentos da Editora Alaúde - Retrato da mãe quando jovem de Friedrich Christian




21 junho 2012



Tordesilhas traz ao Brasil romance do premiado autor Friedrich Christian Delius que traça o retrato de uma geração conturbada a partir da figura da própria mãe

Lançamento de Friedrich Christian Delius, prêmio Georg Büchner de 2011, chega ao Brasil em junho pelo Tordesilhas com tradução de Luis S. Krausz e marca o primeiro aniversário da Editora

Uma história de amor em tempos de guerra, eis a premissa de Retrato da mãe quando jovem. O enredo aparentemente banal se desdobra em uma narrativa complexa, carregada de lirismo e de observações críticas sobre a sociedade, ao se centralizar nos pensamentos de uma jovem alemã grávida que caminha pelas ruas de Roma, onde está refugiada enquanto o marido luta na África.

Lançado em 2006 na Alemanha, o livro apresenta uma estrutura formal curiosa: uma única frase ao longo de 135 páginas. O enorme domínio técnico e o uso impecável do fluxo de consciência trazem os grandes nomes da literatura do século passado à memória do leitor, principalmente James Joyce, em seus dois primeiros livros de prosa, e Marcel Proust. A junção da técnica apurada ao enredo simples e comovente conquistaram o público e crítica alemães, permitindo que a obra fosse reimpressa por três vezes em poucos meses. 


A história
Uma bela tarde de verão em Roma é cenário para a caminhada de Margherita, uma jovem grávida rumo a um concerto de Johann Sebastian Bach. O marido está na África, trabalhando em prol da Alemanha Nazista. As impressões vivenciadas pela jovem durante essa caminhada traduzem fielmente, embora ela o ignore, a atmosfera de angústia e repressão da Europa do início dos anos 1940. Embora ansiosa pela volta do marido, a moça parece desconhecer os horrores reais de um dos conflitos mais sangrentos da história da humanidade.

Sua mudança da cidade natal, no interior da Alemanha, para a Itália foi pautada por uma série de desafios - desde a contrariedade do pai até a quase interminável espera pela autorização de um visto. Tudo para se juntar, finalmente, a seu amado em terras um pouco mais seguras, onde pudessem ter o bebê e, enfim, desfrutarem do casamento. Roma, considerada a fortaleza dos fascistas, apresentava riscos menores de ataques aéreos e foi, durante a Segunda Guerra Mundial, refúgio de muitos partidários do Eixo.

Tristemente, o rompimento vem muito antes do esperado - dois dias após a chegada da esposa, o jovem marido é transferido, já na manhã seguinte, para a África. Amparada apenas por algumas companheiras com quem divide um modesto alojamento, a solidão da nova fase da vida a faz mentalizar o amado a cada passo do caminho que antes fizeram juntos, no dia da notícia da partida dele para a África. 

Sensibilidade e autobiografia
O enredo de Retrato da mãe quando jovem apresenta traços autobiográficos. Margherita é ninguém mais, ninguém menos que a mãe do próprio Friedrich Christian Delius. Alemã, a jovem refugiou-se em Roma no ano de 1943, onde deu à luz o autor. Delius não pretende fazer qualquer apologia que o posicione politicamente ou justifique a dor, o silêncio e os tempos de horror vividos. O desafio proposto ao leitor através deste “retrato” é o reconhecimento de um “inimigo” humanizado. Margherita é uma alemã que, educada sob o regime do Reich, está do lado derrotado. Mas também é vítima, humana e assustada, de seu continente e de seu povo. 


TRECHO
“[...] justamente ela atravessava quase todos os dias, havia dois meses, a Ponte Margherita sobre o rio Tibre, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, mas não havia nisso nada de normal, ainda mais nos dias que correm, em que cada dia é uma dádiva, cada carta é uma dádiva, cada movimento da criança na barriga é uma dádiva, cada provérbio bíblico e cada olhar sobre o Tibre, assim ela voltou a dizer a si mesma, que sorte tinha em comparação a outros, em comparação a ele, o homem amado, cuja presença era exigida no Norte da África, em Túnis, no deserto, perto dos inimigos, não em Roma, onde ele também seria necessário, onde era esperado ansiosamente, não só por ela, e em comparação a seus dois irmãos mais jovens, que agora também andavam de uniforme, ou a seu pai no serviço da Marinha em Kiel, ou em comparação à mãe e às três irmãs nas noites cada vez mais frequentes e terríveis, nas quais soavam as sirenes, com feridos, mortos, escombros, incêndios, nenhuma bomba cairia em Roma, isso era tido como certo, como evidente, a Cidade Eterna, o centro da Cristandade, não será transformada pelos ingleses em ruínas e cinzas, nem pelos americanos [...]” 


A CRÍTICA
“Um novela adorável.” —Cameron Martin, The New York Times Book Review
“Uma revelação de humanismo e esperança com intensidade quase musical.”—Nicholas Lezard, The Guardian 
“Uma pequena obra-prima.” —The Times Literary Supplement 
“O que sabemos sobre a tragédia da Segunda Guerra Mundial, e Margherita não sabe, é o que garante a força do livro.” —Time Out London 
“Delius entende as forças que moldam a Alemanha e tem o talento para articular alegria, beleza e amor..” —The Independent
"Texto miúdo. Literatura enorme." -- Observer, Vienna 
"Um grande quadro histórico em pouco espaço." -- Frankfurter Allgemeine Zeitung 
"A tensão e a flexibilidade dessa narração soberba é impressionante." -- Die Welt 
"O tipo de julgamento do passado que só pode acontecer ao longo do tempo." Standpoint


O AUTOR 
Friedrich Christian Delius (Roma, 1943) é um dos maiores destaques da literatura alemã contemporânea, tendo sido traduzido para dezessete línguas e publicado em vários países, inclusive no Brasil (As peras de Ribbeck, Nova Alexandria). Desde 1965, publicou vários romances, coletâneas de poemas e um libreto para ópera. Em 2011, venceu o prêmio Georg Büchner pelo conjunto da obra. 

O TRADUTOR 
Luis S. Krausz nasceu em São Paulo, em 1961. Escritor e tradutor,é professor de literatura hebraica e judaica na Universidade de São Paulo. Formado pela Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos), Universidade de Zurique (Suíça) e Universidade de São Paulo, é autor de Rituais Crepusculares – Joseph Roth e a nostalgia austro-judaica (Edusp, 2008), As musas – poesia e divindade na Grécia arcaica (Edusp, 2007) e Desterro – memórias em ruínas (Tordesilhas, 2011). 

FICHA TÉCNICA 
Título: Retrato da mãe quando jovem
Autor: Friedrich Christian Delius
Tradução: Luis S. Krausz
Editora: Tordesilhas
Gênero: Romance
Capa: Tordesilhas
Preço: R$27,50
Número de páginas: 144
Formato: 14 x 19cm
ISBN: 978-85-64406-37-7

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