[Entrevista] - Apresentando o autor Aguinaldo Tadeu




11 março 2013

Hoje apresento a vocês, leitores do Poesia na Alma, o escritor Aguinaldo Tadeu.

Aguinaldo nasceu em Belo Horizonte. Passou a infância em Conselheiro Lafaiete e a adolescência em Congonhas, cidades mineiras. É graduado em Processamentos de Dados e História, com pós-graduação em Marketing. É membro efetivo e fundador da Academia de Ciências, Letras e Artes de Congonhas (ACLAC). Como poeta, já publicou De mineiro e louco, com mais um pouco (2006) e Enquanto eles jogam bombas (2009). Atualmente, mora em Brasília, onde é funcionário do Banco do Brasil.

Confira entrevista com o autor

Aguinaldo, “O dono do rádio” é o seu terceiro livro, conte-nos um pouco sobre como descobriu sua veia literária.  Lembra-se de alguma obra que tenha o influenciado?
Eu sempre li muito. Acredito que uma coisa leva à outra. Quem lê muito, inevitavelmente, fica com vontade de contar suas próprias estórias. Não me lembro de alguma obra específica, mas de autores que eu gosto muito e que me influenciaram: Drummond, Gullar e Quintana – na poesia. Luís Fernando Veríssimo, Roberto Drummond e Fernando Sabino – na prosa.

Em “O dono do rádio” encontramos uma linguagem regional com traços marcantes na construção do espaço e das personagens. Quais foram as principais bases/influências para a composição?
Eu poderia falar de Guimarães Rosa ou de Afonso Arinos, mas não estaria sendo sincero. O livro até lembra um pouco a linguagem utilizada por esses autores. Mas as influências foram das pessoas de Lamim, principalmente, de meus familiares.

Aguinaldo, você nasceu em Belo Horizonte, viveu a infância em Conselheiro Lafaiete e a adolescência em Congonhas e em sua obra temos como marco a cidade de Lamim. Qual sua relação com o município?
Meus pais nasceram em Lamim e meus avós lá moravam. O livro veio do meu desejo de resgatar os casos que ouvi na minha infância quando passava as férias na casa de meus avós.

Há diversas personagens dos casos que costumam aparecer mais de uma vez e seus trejeitos denotam à ficção algo realmente verídico. Conte-nos sobre as experiências de moldá-los durante a escrita? Fez algum laboratório/pesquisa para compô-los?
Alguns desses personagens existiram ou ainda existem. O que eu fiz foi dar asas à imaginação e, com licença poética, criar estórias através desses personagens. O livro é uma mistura de realidade com ficção. É uma colcha de retalhos.

Trabalhar com literatura no Brasil realmente não é algo fácil. O Prêmio Funarte de Literatura é um dos grandes incentivadores para a criação literária nacional. Como foi receber este prêmio e ter “O dono do rádio” publicado?
Foi uma grata surpresa! E foi através deste reconhecimento que tive o incentivo que precisava para fazer o livro acontecer.

É membro e fundador da Academia de Ciências, Letras e Artes de Congonhas a ACLAC. Qual é a importância dessa “instituição” para a cidade? Congonhas é uma cidade que possui uma criação literária muito extensa, portanto muitas dessas publicações ficam estagnadas em uma pequena parcela da sociedade, acredita que seja possível uma melhor forma de integração da nossa literatura regional?
A Academia é a guardiã maior da cultura de Congonhas. Falo isso por que ela não é uma instituição oficial, mas uma Casa que veio do povo. Portanto, deve ser respeitada, querida e incentivada sempre para o bem da cultura de nossa cidade.
Acho que uma boa maneira de incentivar a criação literária em nossa cidade é valorizar aqueles que são daqui e produzem literatura como essa iniciativa, pois assim está se valorizando e, ao mesmo tempo, incentivando novos autores.

Seus dois primeiros livros publicados “De mineiro e louco, com mais um pouco” e “Enquanto eles jogam bombas” marcam sua trajetória como poeta. Qual sua relação com a poesia?
Tenho dois livros de poesias publicados: De mineiro e louco, com mais um pouco e Enquanto eles jogam bombas. Pra mim, a Poesia é a busca do belo. A Poesia está na beleza. Não há Poesia sem beleza. Além disso, a Poesia é a expressão máxima da liberdade criadora. Na Poesia, tudo é permitido. Não existe certo ou errado. É a famosa licença poética. Como diz a grande Adélia Prado: “se não tiver poesia, nenhuma arte é arte.” A arte só é arte quando causa encantamento, quando é poética.

Em “O dono do rádio” algumas passagens você nos apresenta uma narrativa que poderíamos mencionar como autobiográficas. Quando criação literária e vida pessoal se chocam?
O tempo todo. Não tem como escrever sem colocar muito de nós no papel. Falamos do que vivemos, do que sentimos, de nossas experiências. Todo livro é um pouco autobiográfico. E é falando da nossa aldeia, que a gente chega à universalidade.

O evento de lançamento aconteceu em 20 de fevereiro na Biblioteca Pública Municipal Djalma Andrade e contou com familiares e amigos do autor, representantes da Secretaria de Cultura e a comunidade local. 

Confira sinopse e mais informações sobre o livro no Skoob.

Todas as fotos são de autoria do fotógrafo Daniel Silva.

6 comentários:

  1. Olha a literatura nacional aí gente!!
    Dá um orgulho né?
    Não conhecia o trabalho do autor(mineiro, como eu)rs mas gostei muito do que li sobre.
    Acho que é bem por ai. colocar a leitura ao alcance de todos!!!
    Vou procurar mais sobre os livros já lançados e conhecer a maneira do autor desenvolver seu trabalho.
    Parabens pela entrevista =)
    Beijo

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  2. Muito boa a entrevista. Vou procurar conhece melhor sua obra. Valeu a dica.
    Bjux

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  3. Legal essa entrevista. Não conheço o autor e nem o livro, mas vou ver se acho por aí algumas coisas mais dele. Bem bacana.

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  4. Adorei a entrevista, não conhecia o livro nem o autor mais gostei bastante!

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  5. parabens pela entrevista, sempre bom conhecer um pouquinhos dos autores

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  6. Ainda não conhecia este autor.
    Parabéns por abrir este espaço ao que é da nossa terrinha!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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