[RESENHA] Violenta




17 março 2013

Primeiro livro, que resenho, da Editora Quatro Cantos aqui no blog e já estou com gostinho de quero mais.  Com uma poesia bilíngue, que fala através dos homens e da dor, Eduardo Ruiz, nos leva a um mundo visceral e cheio de liberdade. Violenta, de Eduardo Ruiz, 286 páginas, é um livro para sempre. Sim, para sempre. Um daqueles livros que você lê: ontem, hoje e sempre.

Passos assustados
Eu o coloquei para fora de mim
Com cotoveladas bruscas
Depois abri a roupa
E fui andar um pouco
Cega para sempre
Tinha medo desse amo
E da longa tontura
Que ele me incutia
Se eu andar por toda vida
Mesmo assim
Estranharei meu coração
No escuro eu não percebia
A espécie de perigo
Com o qual ele vinha me arrepiando os pelos
É melhor sobreviver
Nem que seja nua
No meio da rua.

A palavra é o limite, o horizonte é apenas mais um espaço a ser degustado. Frente à própria dimensão do viver, Ruiz nos confronta com o conceito de respirar. Portanto, uma reflexão onde carne a e alma, ao mesmo tempo em que casam, estão separadas. Permeado de intertextualidade e imagens do próprio intimo, com uma pitada, bem dosada, de humor, sexualidade, Violência, drama, mistério, morte e terror. Parece complexo?

A dimensão ideológica parece uma frustração frente ao real, causando um embrulho no estômago no leitor que, por desgraça, se identifica. Uma relação duela entre leitor e eu lírico, um confronto, uma relação de amor e ódio. Uma incerteza constante, quase que ler numa montanha-russa, mas que se acalma, quando se descobre a essência do ser em cada palavra desfragmentada. Eis uma metamorfose ambulante. A lógica é não ter lógica e sim ser humano!

Depois de retalhar nossas ideias, e desarrumar nossos guarda-roupas, a luz da filosofia se ascende e ecoa, por nos mesmos, várias interrogações, que irão se perpetuar, talvez, por uma eternidade. Palavras descortinadas, readaptadas, revolucionárias, rebeldes. Eis que um grande poeta surge no cenário literário. Acho que não consegui dizer tudo, mas disse algo. Deixo aqui o meu chapéu estendido, num ângulo 90º, ao autor; uma indicação de leitura, e por fim, um suspiro poético. 

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6 comentários:

  1. Sabe quando vc começa a ler um post e pensa: Preciso desse livro urgente??
    Foi assim comigo..
    Visceral!! Tenho paixão nessa palavra e no todo que ela envolve..e só pelo trecho exposto, o livro com certeza vale a pena!!

    Beijo

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  2. Não sou muito de ler livro assim, mas quando pego adoro ler. Esse tem cara de ser legal.

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  3. OLá Lilian,

    Não conhecia esse livro, acho interessantes poesias e devem ser divulgadas, pois hoje estão um pouco esquecidas...parabéns pela resenha...abçs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  4. Nunca tinha visto esse livro, achei bem interessante. mas não leria, não sou muito de poesia,
    mas parabens pela resenha.

    http://www.lostgirlygirl.com

    bjos

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  5. Apesar de eu achar lindo o trabalho de um poeta, não sou apaixonada por livros do gênero.
    Mas amei o post, senti como se eu precisasse ler este livro, mesmo sabendo que não faz o meu estilo literário.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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