[RESENHA E PROMOÇÃO] O livro da loucura e das curas




02 julho 2013

Fiquei muito curiosa com esse livro, não pela capa, mas pelo título. Quando li a sinopse, achei mais digno ainda de estar entre a minha estante de leituras especiais. Não me fiz de rogada e solicitei a Novo conceito O Livro da Loucura e das Curas de Regina O’Melveny, 352 páginas. Os primeiros capítulos do livro causou-me uma sensação nostálgica e aflorou meu lado poético.

“A escuridão não era ruim. Somente os homens a consideram assim. Meu pai se sentava no escuro para pensar, pois todas as criações têm início na sombra.”

Apesar de cativada, vivi uma relação de amor e ódio com a história, em alguns momentos me decepcionei, pois acreditei que a autora não conseguiu segurar a poética original, mas agora enquanto digito esta resenha, confesso que estou refletindo melhor, e talvez essa seja a real intenção. Afinal falamos de cura e loucura.

"Não sei onde meu corpo começa e onde ele termina"

O enredo é forte e algumas passagens e me deixou sedenta por mais e mais, contudo ao virar da página, fui tomada por uma frustração e ira ao mesmo tempo, nada do que esperava estava por lá. E não é que a personagem central, Doutora Gabriella Mondini, vive essa mesma relação...

Gabriella, uma mulher no ano de 1590, viúva, decidiu por ser médica, e depois de o pai ter deixado a família, ela decide, dez anos passados, procurar pelo pai. O pai é um médico que está escrevendo um livro sobre doenças e mandou uma carta para a filha dizendo que não o procurasse mais, pois preferia a solidão. Junto a esse mal estar, Gabriella recebe um membro do de médicos de Veneza, informando que esta não poderia mais exercer a profissão, pois além de ser mulher, seu mentor (pai) não estava presente.

Portanto só resta a forte mulher que é Gabriella procurar por seu pai. Mas durante a leitura, o que me pareceu foi que Gabriella sofria de complexo de Electra. A mãe era uma infeliz mal amada, e os criados eram os que davam o verdadeiro amor saudável de pai e mãe. Têm momentos em que o livro se torna confuso e cansativo, além do que não se sabe se Gabriella procura pelo pai, ou por ela mesma, perdida em algum lugar da própria existência.

Como o livro é narrado em primeira pessoa, sempre vemos tudo pela ótica de Gabriella, que não considerei tão saudável. No geral é uma boa história, que deve ser lida com muita atenção. Estou acostumada a ler freneticamente e esse livro exige calma e paciência, além de uma maturidade espiritual e literária. Não é um livro para qualquer tempo, mas é um livro para todos. Uma palavra para defini-lo: melancólico.

Ver promoção aqui

1 comentários:

  1. A primeira coisa que chamou atenção também foi o titulo, quando eu gosto do titulo nem ligo muito pra sinopse só quero ler logo o livro. Só a fato de ser em primeira pessoa não me agradou muito.

    ResponderExcluir

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

Arquivo do Blog

Direitos autorais

Copyright © 2015 • Poesia na alma