Resenha - Festa no Covil, Juan Pablo Villalobos




21 julho 2013

“Algumas pessoas dizem que eu sou precoce. Dizem isso principalmente porque pensam que sou pequeno para saber palavras difíceis. Algumas das palavras difíceis que eu sei são: sórdido, nefasto, pulcro, patético e fulminante. Na verdade não são muitas as pessoas que dizem que eu sou precoce. O problema é que eu não conheço muita gente.”

Assim começa a narrativa de Tochtli, um príncipe herdeiro do narcotráfico mexicano. Filho de Yolcault, o menino órfão de mãe vive dentro de uma fortaleza isolada do mundo. Ele é instruído por um professor, assumido de esquerda, e pouco tem contato com uma criança da mesma idade.

O pequeno príncipe tem todos os desejos realizados pelo pai e para completar o minizoológico cria a ideia fixa que precisa de um hipopótamo anão da Libéria (Acreditem vocês, realmente existe essa espécie).

Durante toda a narrativa somos levados pela inteligência e curiosidade do jovem que procura conhecer cada parte do castelo, no qual mora, e entender seja subjetivamente o quão sórdido é o mundo do narcotráfico. Há passagens que o autor emprega a seu personagem o “absurdo” aos padrões educacionais e de modo visceral descreve o lado cruel e realista do tráfico.

Por outro lado, as descrições de Tochtli são o resultado da prisão do rei. Enquanto lemos o mundo fantástico de uma criança, deparamos com a terrível solidão e o inevitável futuro arquitetado.

O curto romance de Juan Pablo Villalobos, Festa no Covil (Companhia das Letras, 2012, 88 p.) arrisca em um novo plano para a literatura espanhola. Ele é composto por um enredo inovador, que transita entre uma realidade assustadora e passagens hilárias.

Juan Pablo Villalobos foi um dos convidados da Flip 2013. Ao lado do autor norte-americano Tobias Wolff participou do debate “Ficção e Confissão”.

Juan Pablo Villalobos e Hipopótamo anão da Libéria

Por R.S.Merces

2 comentários:

  1. Parece ser ótimo, fiquei com muita vontade de ler. Interesso bastante por livros com essa temática, ainda mais quando o protagonista é uma criança. Fiquei apaixonada pela capa!

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  2. seu blog foi indicado a responder um tag! venha conferir! http://umlivronaestante.blogspot.com.br/2013/07/tag-10-books.html

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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