Resenha - A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra, Robin Sloan




08 dezembro 2013


Para a arte mais milenar de encadernação e preservação de livros, hoje contamos com acervos digitais capazes de viajar por diversos leitores em suas mais longínquas regiões. Choque para conservadores e novas possibilidades para a geração que aos poucos se alastra pelo mundo. O quanto do mercado editorial não mudou após o surgimento de um aparelhinho conhecido como Kindle. Eles ainda só não reproduziram tecnologia que se assemelhe ao material impresso, cujos cheiros e as texturas se alteram.

O romance do norte-americano Robin Sloan, “A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra” (Novo Conceito, 2013, 288 p.), suscita a dualidade entre o passado e o presente na produção de livros.

Clay Jannon é um nerd e web designer desempregado por causa da recessão econômica. O que poderia ser mágico, um paraíso segundo Borges, parece um novo monótono emprego na livraria do Mr. Penumbra. Ele deve seguir algumas regras essenciais para o cargo de balconista, que são: cumprir o turno de 22h às 6 horas, não pode ler ou folhear qualquer volume da estante e deve escrever sobre todas as transações, inclusive os aspectos dos clientes.

O estabelecimento não funciona somente como livraria e na verdade uma pequena parte do espaço comporta algumas estantes com títulos comerciais. Ali também é uma Biblioteca de livros antigos e quando digo antigo é antigo mesmo. As madrugas seguem completamente silenciosas a não ser quando um dos estranhos usuários da Biblioteca aparece. Clay é acometido pelos ares misteriosos que cercam a livraria/biblioteca e passa as noites tentando achar uma pista que seja.

O personagem principal do romance é o lado ligado fortemente ao mundo digitalizado e globalizado de hoje. Ele representa toda essa geração influenciada pela literatura contemporânea e os jogos de vídeo game. E é assim que Clay entra em uma incrível aventura para desvendar os mistérios de uma sociedade secreta.

“Ele é o guerreiro, você é a feiticeira e eu sou o ladrão. E esta conversa nunca aconteceu.” pag. 162

Em contraposição a Clay, existe o Mr. Penumbra, um conservador quando se trata de livros e que um dos objetivos está manter o estabelecimento funcionando independente do público. Aos poucos ele descobre a curiosidade de seu novo funcionário e o papel fundamental das tecnologias para a vida humana.

Sloan escreve uma história que muito difere dos romances policiais populares e que ao mesmo tempo não foge com uma narrativa rápida e um enredo cheio de referências da “cultura pop”. As questões levantas durante o livro são muito frequentes com as novas realidades digitais e se há respostas, não possuem caráter objetivo. O leitor apaixonado por livros vai se encantar tanto quanto o viciado em tecnologia divertirá.

 Avaliação final: 3 estrelas

“É fácil achar uma agulha num palheiro! Peça à palha que a encontre!” pág. 250


Por R.S.Merces

7 comentários:

  1. Fiquei intrigada com essa leitura, parece bacana! Gosto do diferente, espero curtir esse livro!
    Bjus bjus!
    Pan
    http://pansmind.blogspot.com/2013/11/sorteio-de-natal-amazonia-arquivo-das.html

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  2. um livro bem curioso , achei ele com uma capa incrivel, gostei muito quero demais ler

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  3. Parece realmente uma história diferente, tenho ele em formato epub, assim q der vou ler!
    Adorei o blog, já estou seguindo!
    Beeijo
    http://booksmanybooks.blogspot.com.br/

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  4. Eu tenho esse livro na minha estante mas ainda não batei aquela vontade de ler.
    Depois da resenha fiquei mais curiosa, acho que será o próximo.

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  5. Gosto de livros que fazem essa coisa de misturar a temática de tecnologia com as coisas antigas. Quero muito ler este livro.

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  6. um bom livro, gostei bastante desse livro , interessante demais

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  7. Esse mesclado de antiguidade e modernidade devem fazer grande diferença no livro. Acho que vou ler.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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