Resenha – Adultério, de Paulo coelho.




13 abril 2014




Em Adultério, de Paulo Coelho, 239 páginas, Editora Sextante, conhecemos Linda. Ela é uma jovem mulher, de 31 anos, jornalista, com alto padrão de vida, mora em Genebra e que está cansada dos rótulos da vida. Então, qualquer coisa que a tire dessa zona de conforto é uma prazer extremo, mesmo norteado de culpa e medo, causa-lhe grandes emoções.

Minha tristeza se tornou rotina, ninguém percebe mais. Não consigo mais dormir direito. Sinto-me egoísta. Continuo tentando impressionar as pessoas como se ainda fosse criança. Choro sozinha e sem motivo no banho. Só fiz amor com vontade mesmo uma vez em muitos meses – e você sabe bem de que dia estou falando. Já considerei que tudo isso seja um rito de passagem, consequência de eu ter passado dos 30 anos, mas essa explicação não basta. Sinto que estou desperdiçando minha vida, que um dia vou olhar para trás e me arrepender de tudo o que fiz. Menos de ter me casado com você e tido nossos lindos filhos.
– Mas isso não é o mais importante?
Para muitas pessoas, sim. Mas para mim não é o suficiente.  

Já nas primeiras páginas, Linda começa a questionar a perfeição que a cerca. Começa a exigir caos, começa a exigir verdade. Ela questiona esse mundo ‘certinho’ e cheio de ilusões que mais parecem veneno pra alma.

“Hoje, quando saí pra levar as crianças ao colégio, fiquei olhando meu vizinho. Nunca o imaginei em cima de mim – prefiro pensar em um jovem repórter que trabalha comigo e aparenta um estado permanente de sofrimento e solidão.”

Apesar de ser casada com um homem rico, lindo e que a ama, Linda também não se sente atraída pela atual conjuntura de seu casamento. É tudo tão perfeito e tudo tão sem graça e sem vida. Muitas pessoas vão se identificar com as angústias de Linda e de como ela lida com isso.

Como não mandamos no destino, Linda encontra um ex-namorado do tempo de escola, agora político importante, para uma entrevista de trabalho: Jacob König. Esse encontro acendeu na protagonista a chama da juventude; o desejo, a paixão. Jacob também se assume como um homem infeliz, o que chama mais ainda a atenção de Linda.

“Ele vai até a porta, tranca-a, volta para junto de mim e me beija. Correspondo, porque já faz tempo que fizemos isso pela última vez. Jacob, que eu talvez pudesse ter amado um dia, agora é um homem de família, casado com uma professora.”

A narrativa é simples, de fácil entendimento e rápida. Entre os devaneios de Linda até a primeira traição foram poucas páginas. Paulo coelho traz o adultério de maneira tão simples, sem aquele lance da culpa que q igreja tenta nos impor. Não que o outro não vá sofrer com isso. Claro que todos sofrem! Inclusive quem trai.

Ele coloca os personagens como seres humanos normais; não como monstros que estão sempre dispostos ao pecado. São pessoas que estão com a alma ferida, sentem-se sós e precisa fazer algo. São pessoas com a alma presa a uma sociedade hipócrita e moralista. Linda se desprende desse moralismo para tentar se encontrar nesse mundo louco... 

2 comentários:

  1. Olá Lilian,

    Não gosto desse estilo de leitura e muito menos de Paulo Coelho, mais gostei da sua resenha....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Sextante sempre lançando livros com profundidade. Eu adoro o/

    Faz tempo que não leio nada do Paulo Coelho, eu li boa parte dos livros lançados quando era
    mais nova, mas creio que seria legal ler de novo, pois muitos dos livros trazem mensagens e não
    sei, se na quela época, eu absorvi direito. Tem muita gente que crucifica o homem e.e

    Eu estou bem interessa em ler a obra e descobrir como o autor lidou com o moralismo.
    Gostei da sua resenha >.<

    Beijos
    Babih Hilla
    http://revolucionandogeral.blogspot.com

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