Morreu João Ubaldo Ribeiro, o homem. - por Jean Wyllys




18 julho 2014


Morreu João Ubaldo Ribeiro, o homem. O escritor João Ubaldo Ribeiro está vivo e assim permanecerá; não morreu nem morrerá, posto que é imortal. E se as pessoas amadas não cessam de morrer quando morrem seus corpos, uma vez que as lembranças e o amor lhes ressuscita, imagine alguém que se transforma em histórias escritas?

Jornalista e escritor baiano adotado pelo Rio de Janeiro, assim como eu, Ubaldo Ribeiro forma com Jorge Amado e Antônio Torres a santíssima trindade da Literatura Brasileira oriunda da Bahia - ou das "bahias", já que cada uma cantava uma aldeia diferente da nação baiana. São meus mestres e inspiração (em comum com os três, tenho a passagem pelo histórico jornal Tribuna da Bahia).

Assim como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro dizia que "é impossível fugir da política": "Profissão dos que se dedicam a influenciar, de diversas maneiras e em vários níveis, a condução da coletividade em que vivem", escreveu.

Mas ele politizava a existência era mesmo como criativo, irônico e bem-humorado cronista ou contador de histórias.

A primeira obra de Ubaldo que li foi "Viva o povo brasileiro", a epopéia irônica da formação de nossa identidade cultural, a partir das riquezas e mazelas históricas. Embora, ele dissesse que se trata de um grande livro apenas porque é "suficientemente grande para conseguir se manter de pé, sozinho, na estante". E aí, os conhecedores das ironias do escritor entenderão a mensagem!

Gosto bastante de "O Sorriso do Lagarto", que foi transformada em série pela Globo: um romance "pós-moderno" na medida em que põe o misticismo das religiões afro-brasileiras ao lado das experiências genéticas. E me marcou bastante "A Casa dos Budas Ditosos", de 1999, que trata da energia vital e transgressora da sexualidade humana a partir das memórias de uma mulher de 68 anos. Ele soube ousar!

E soube viver. E continua vivo mesmo morto!

Texto por Jean Wyllys

2 comentários:

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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