Resenha – Fale!, de Laurie Halse Anderson




22 agosto 2014


Em clima de Bienal de SP, acabo de ler Fale!, de Laurie Halse Anderson, Editora Valentina, 247 páginas; a primeira resenha da parceria com a editora; que tem um enredo que não é estranho a ninguém, porém ímpar.  Quem não viveu, fez; ou as duas coisas. Ou, simplesmente, mas não menos cruel, aqueles que se mantinham em cima do muro.
 “Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?"
 A temática de Fale! Não é atual, porém, hoje, amplamente debatida. E a voz da autora dá voz a milhares de pessoas que sofreram ou sofrem em silêncio pela tortura do bullying. Eis que nos deparamos com um diário do período escolar de Melinda, precisamente o Ensino Médio. Melinda é uma jovem que não segue padrões sociais da hipocrisia e por isso é condenada ao sofrimento; inclusive pelas próprias amigas.
Numa festa organizada pelos veteranos do Ensino médio, antes do início das aulas, regada a bebida e muita bandalheira, acontece algo que Melinda se vê na obrigação de chamar a polícia.
Tal postura fez com que alguns jovens fossem presos e ela fosse vista na escola como um monstro da traição. Ninguém perguntou a ela o motivo de ter chamado a polícia, simplesmente a jugaram e a excluíram. Depois da exclusão, vieram as ofensas e discórdias. Cada dia, Melinda ficava mais introspectiva e depressiva. Nem mesmo seus pais conseguiam ajuda-la. Na verdade, eles mais brigavam que agiam de maneira sensata.
Na escola, as aulas de artes a ajudaram a se manter na ‘Terra’. O professor com um discurso humano e nada Behevoirista conseguiu manter um pouco de alegria na sua vida.
 “Não me venham pedir que lhes mostre como desenhar um rosto. Venham me pedir, isso sim, que eu os ajude a encontrar o vento” pág. 24
 A narrativa é em primeira pessoa, lógico, já que tem formato de diário. Apesar da temática pesada, em muitos momentos eu ri litros. A autora tem a mão leve, porém vai no fundo dos nossos segredos, preconceitos e até maldades do passado, nos fazendo refletir sobre como é maléfico não ser humano.

Como professora, acredito que as escolas deveriam pensar em adotá-lo, seria, creio eu, uma leitura instigante que levantaria muitas polêmicas numa roda de leitura e que retrataria a realidade de muitos jovens. 

6 comentários:

  1. Resenha incrivel ... um livro interessante com uma tematica reflexiva

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  2. Uma resenha interessante, a capa bem marcante e agradavel

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  3. Que legal , eu não sabia que você era professora , mas também é a minha primeira vez no blog kkkk

    Eu já tinha lido uma outra resenha do livro Fale! Achei bem interessante o tema abordado mas ainda não tive a oportunidade de lê-lo de fato. Acho que esse preconceito entre os jovens (eu sofri muito com isso no tempo do colégio) é completamente banal . E muita das vezes sem fundamento . Concordo com você quando diz que esse livro poderia fazer parte das bibliotecas dos colégios :)

    Abraços e até mais :)

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  4. Eu já tinha visto o livro, mas não sabia que se tratava de uma temática tão pungente.
    Realmente a escola é uma selva de pedra, quem consegue supera-la sai de lá pronto matar trinta leões por dia, acho idiota gente que ainda trata bullying como frescura ou algo inexistente, sendo que tantos jovens são machucados por isso, sem ter alguém que os entenda para lhe dar suporte.
    Sempre achei a Natureza humana algo assustador, concordo plenamente que deveriam diversos livros com essa temática nas escolas, há pouco tempo li Um caso perdido e senti a mesma coisa, o livro trata de violência infantil e depois de ler eu achei que a história poderia fazer um bem imenso para as meninas que também já haviam passado por aquilo.
    Adorei a resenha Lilian <3

    ♫ Conversas de Alcova ♫

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  5. um livro tão perfeito gostei demais da capa e a sinopse é fabulosa... sempre conhecendo cada vez mais obras atraves de seu blog

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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