Literatura, cinema e autores, com Leonardo Nóbrega




21 janeiro 2015

Olá, amoras e amores!

Hoje, iniciaremos uma nova coluna neste humilde espaço. Convidei alguns autores para discorrer sobre seus filmes. Vamos conhecer mais sobre a base desses autores. Imaginem que vocês entrarão na casa do autor Leonardo Nóbrega e sentarão no sofá dele para saber sobre sua identidade no cinema e na literatura.

Essa coluna, mostrará a indicação de um filme e/ou uma série de preferência do autor. Ao autor, foi solicitado que respondessem quatro perguntinhas sobre o que estavam indicando. Mas, antes de iniciar, vamos conhecer mais sobre o Leonardo?

Leonardo José de Aguiar Nóbrega, ou simplesmente Leonardo Nóbrega. Nasceu no ano de 1960, na Vila Romero, centro da linda Fortaleza, capital do Ceará. Quinto filho entre seis, cresceu em uma família de leitores, em uma casa com livros de todos os gêneros, por todos os cantos, onde aprendeu a gostar das letras desde muito cedo. É Pai, Marido, Filho, Professor, Geógrafo, Psicanalista, Curioso e Escritor. Autor do livro Outros tempos (ver resenha aqui) e Crimes do Tarô.

Indicação de um filme e/ou uma série
Filme

A Vila
Em busca de uma vida melhor um grupo de pessoas funda uma pequena vila em um local remoto da Pensilvânia, onde esperam manter seus filhos longe da violência que existe nas cidades grandes. Porém o lugar é cercado por uma floresta onde habitam criaturas misteriosas, sobre as quais os poucos fatos conhecidos são compartilhados apenas pelos conselheiros, que administram a comunidade mantendo a todos isolados de qualquer atrativo da civilização moderna.


O motivo?

Uma história que mostra a inevitabilidade do humano. Não há como fugir de si mesmo. Por mais que os fundadores da comunidade tentem manter a vila longe da violência que todos viveram fora de lá, utilizando códigos de conduta rigorosos e decisões compartilhadas - além do terror e dos castigos - fracassam.   A disputa e a violência são inerentes ao ser humano. Cabe, então, a cada pessoa e comunidade aprender a lidar com isso, sabendo que jamais estarão completamente livres dessas mazelas.

Freud dizia que todos os caminhos percorridos por ele já haviam sido trilhados por algum poeta. Freud nos ensina que a Psicanálise não vai resolver seus problemas, mas vai lhe ajudar a viver com eles e reconhece-los como parte inseparável da vida. Já o poeta nos diz:


Bem no fundo (Paulo Leminski)

No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto.

A partir desta data,

aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo.

Extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais.

Mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.


Como essa indicação pode ajudar numa construção político ideológica?
Mesmo o projeto da Vila não mostre os utópicos resultados esperados, ele mostra uma sociedade igualitária, onde todos usufruem das mesmas coisas, sejam vantagens ou aborrecimentos. Mas também onde todos são responsáveis pelas decisões tomadas e pelas ações implementadas.
Também contribui para a formação dos mais jovens quando provoca a discussão sobre até onde se pode chegar para proteger uma sociedade. O terror que os Conselheiros usam e o cerceamento da liberdade de ir e vir (para a segurança dos filhos) são temas espinhosos que encontramos em qualquer sociedade moderna, seja no microcosmo familiar ou no macrocosmo de todo um povo.

Onde encontrar?



Complementando:

Acho que o ideal é se assistir ao filme em grupos e debate-lo depois. Quando escrevo algo assim fico sempre com um sentimento de falta. Fica sempre incompleto. Mas espero ter contribuído.

2 comentários:

  1. Hmmmm muito legal essa nova coluna, bem diferente de tudo o que eu já vi. Pena que eu detesto esse filme kkkkkk sei lá, assisti só uma vez e não gostei, achei totalmente sem graça haha talvez fosse porque eu esperava um filme de terror e tals, mas achei o final tão idiota que me decepcionei. Mas enfim, gosto não se discute, mesmo assim adorei seu post, explicou muito bem o filme, fora que eu amo Leminski <3 Beijos flor!

    Mutações Faíscantes da Porto

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  2. Ideia legal para a coluna, Lilian. Eu não gostei muito do filme, mas é sempre bom ver uma visão diferente de algo que não gostamos. Pontos de vista diferentes do que temos eu achoque sempre acrescenta em nosso modo de enxergar as coisas.
    bjs
    Amoras Com Pimenta

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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