Literatura, cinema e autores, com Alves Rosa




18 fevereiro 2015


Tradutor por profissão, mochileiro, com coração de poeta e alma lusitana.
O gosto pela poesia aflorou na adolescência após a leitura de grandes nomes como Álvares de Azevedo, Floberla Espanca, Fernando Pessoa entre outros.
Durante a faculdade, sua veia poética se tornou ainda mais evidente, o que motivou a continuar escrevendo e até participar de um concurso, no qual conseguiu o segundo lugar com a poesia Dom Quixote.
Alguns anos após a faculdade, fez o primeiro mochilão para a Europa. Momento crucial em sua vida, quando, de maneira inesperada, encontrou seu lugar de alma em Lisboa. Após anos de poesia despretensiosa, decidiu juntar alguns de seus versos e transformá-los em livro, dando origem ao Pseudopoesia.

Filme

Matrix
Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Em todas essas ocasiões, acorda gritando no exato momento em que os eletrodos estão para penetrar em seu cérebro. À medida que o sonho se repete, Anderson começa a ter dúvidas sobre a realidade. Por meio do encontro com os misteriosos Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.
              
                                        
Motivo:
Resolvi indicar esse filme porque, na época, além de ter sido um marco na indústria cinematográfica pelas tecnologias, me marcou bastante pela quantidade de informação que aquelas poucas horas contêm.
O filme baseia-se na ideia de que todos nós estamos adormecidos sendo manipulados por máquinas e o mundo onde acreditamos que vivemos, é apenas uma reprodução gerada por um supercomputador chamado Matrix.
No mundo real, existem pessoas que estão acordadas e seu líder, Morpheus, decide acordar Sr. Anderson, que ele acredita que seja o escolhido que conseguirá acabar com a Matrix.
Sr. Anderson é então acordado por Morpheus que oferece a ele a chance de ter sua vida de volta como sempre foi, ou conhecer toda a verdade. Ele decide pela verdade e descobre que tudo que viveu foi uma farsa, um programa de computador manipulando sua mente.
Sr. Anderson, que, segundo uma profecia seria o escolhido, agora é chamado de Neo, que então decide lutar contra esse sistema e libertar todos os humanos dessa farsa ao lado de Morpheus e seu grupo de rebeldes.



Como essa indicação pode ajudar numa construção político ideológica?

O filme é repleto de mensagens filosóficas e subliminares dentro dele. Há analogias com o cristianismo, com mitologia e filosofia. Mas acredito que uma das mensagens que esse filme pode passar é a possibilidade de tudo que nós acreditamos e fomos ensinados ser uma farsa. Se Neo não tivesse optado pelo conhecimento, pela dúvida, ele jamais teria descoberto a verdade.
Uma das diversas lições que podemos tirar disso é saber que sempre existe a possibilidade de estarmos errados. Nosso ponto de vista, por mais claro que seja para nós, pode estar totalmente equivocado. 
Tudo o que somos é um aglomerado de nossas experiências, o que sentimos, o meio em que vivemos, o momento histórico, a criação e educação que recebemos, enfim. Tudo isso ajuda a moldar nossas características, nossa “verdade”.  Mas e quando lidamos com realidades totalmente diferentes? Com certeza, as experiências de outras pessoas também as moldam e fazem delas o que são.
Muitas vezes, podemos ter total convicção sobre determinada situação ou condição, mas nem sempre cogitamos a hipótese de nossa convicção ser baseada em nada mais do que impressões ou até mesmo farsas que nos foram impostas ou a que somos condicionados.
Se por um lado, com a Internet, ficou muito mais fácil a pesquisa, a busca pela verdade, pelos fatos, por outro lado, há uma infinidade de pessoas que não se importam em verificar a veracidade das informações e saem compartilhando a sua “verdade”. Podemos ver isso a todo momento com todos esses compartilhamentos de notícias falsas, ainda mais em tempo de eleição, que seriam facilmente desmascaradas com uma simples pesquisa.
Talvez a velocidade, o imediatismo e o fato de ter algo que “confirme” nossas teorias e expectativas faça com que deixemos de buscar a verdade. Não gostamos de admitir que estamos errados e, com isso, deixamos o orgulho falar mais alto do que o bom senso. Talvez Cypher seja mais humano e mais real do que parece (assistam ao filme e entenderão).

Na minha opinião, é imprescindível valorizar o dom da dúvida. A dúvida é o que nos move em busca da verdade, em busca de respostas. Não fosse a dúvida, estaríamos ainda acreditando que o planeta é plano e que o sol gira em torno de nós.

É claro que temos nossas opiniões, nossos pontos de vista e nossas suposições. Mas é de extrema presunção acreditar que estamos certos sobre tudo e que a verdade absoluta pertence a nós. Por diversas vezes, temos a escolha de tomar nossas pílulas azuis ou vermelhas, cabe a nós decidirmos se permanecemos no conformismo e, talvez, na ignorância, ou se buscamos as respostas que nos levam à verdade, seja ela a nossa, de outro, ou de ninguém.



Curiosidades

O filme, além de suas teorias e mensagens, teve diversas inovações. Uma delas foi a mudança de ângulo no meio de uma cena em que Neo desvia de tiros disparados contra ele. A cena é congelada e o ângulo da câmera muda durante a ação. Outra cena clássica foi a do helicóptero batendo contra o edifício que, com o impacto, inicialmente parece fazer com que o prédio fosse líquido e o choque fosse distribuído em ondas para, somente depois, os vidros estilhaçarem. Há diversas cenas visualmente lindas que valem a pena assistir e, se você quiser se aprofundar ainda mais, há algumas fontes de pesquisa sobre o filme, como o livro Matrix, bem-vindo ao deserto do real que revela diversas mensagens escondidas pelo filme que dificilmente se capta assistindo uma ou duas vezes.

4 comentários:

  1. Eita, que super recomendação. Matrix é uma das minhas trilogias preferidas. <3
    Legal saber um pouco da vida do autor, ótimas preferências literárias que ele tem :D

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  2. Olá Sydney,

    Com certeza uma ótima indicação, esse filme revolucionou....belo post....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br


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    Respostas
    1. Sim, a indicação é maravilhosa. Tenho o filme aqui em casa e sempre que posso eu vejo...

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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