Resenha – Amor e Memória




13 fevereiro 2015

A primeira resenha como blog parceiro da editora Leya vem com chave de ouro. Amor e memória, de Ayelet Waldman, 379 páginas, é um daqueles livros que causam nostalgia. Antes de terminar a leitura, eu já estava com saudade. A capa me pareceu romântica e poética, dada a coloração suave e o inusitado pavão, ao menos de ímpeto, pois no decorrer da leitura compreendemos bem a capa. O que vocês acharam?



Amor e Memória - Um deslumbrante medalhão e três homens: um capitão de infantaria americano, um israelense negociador de obras de arte roubadas pelos nazistas; um psiquiatra pioneiro de Budapeste do fim do século XIX. Suas vidas pacatas são viradas de cabeça para baixo por três mulheres fortes e independentes.Em 1945, na Áustria, os vitoriosos soldados americanos capturam um trem repleto de riquezas indescritíveis – objetos que haviam sido confiscados dos judeus pelos nazistas. Entre os tesouros estão pilhas de relógios de ouro; montanhas de casacos de pele; caixas cheias de alianças de casamento; porta-retratos de prata; castiçais de Shabat e heranças de família repassadas por gerações.

Dividido em três partes, encontramos três histórias distintas que estão ligadas por um valioso medalhão em formato de pavão. Com personagens cativantes e ‘aparentemente apáticos’, o romance é permeado de nuances que o torna forte, complexo e, em contrapartida, leve. Me envolvi de tal forma, que, decerto, o número de personagens e as passagens de tempo distintas, causaram confusão ao final da leitura e precisei voltar. Ou talvez, pelo singelo fato de não ter feito anotações. Inebriante e sedutora a leitura fluiu rápido, não me fez esquecer do mundo, ao contrário, deixou certezas e indagações.  


A primeira parte, no ano de 1945, Jack é o primeiro personagem a ter seu drama exposto. Oficial, na segunda Guerra Mundial, está designado a guardar um trem com objetos preciosos furtados dos Judeus. O holocausto, evidente, faz parte dessa história. Elementar que isso torna o livro denso e triste (mas não no sentido pejorativo), uma verdadeira aula de história entre os inúmeros diálogos. Dentre suas tarefas, ele encontra o medalhão do pavão, poderia ser mais uma relíquia, não fosse pelo fato de... e conhece Ilona, sobrevivente do Holocausto, que está em estado deplorável. Magra. Abatida. Sofrida. Os dois vivem um relacionamento amoroso, denso – sem romantismo piegas. Creio que viver numa guerra e sobreviver a ela seja algo doloroso. Que nos molde; que nos faça criar uma capa grossa de concreto para nos proteger. Que abale nossos sonhos, numa única esperança de permanecer vivos.
A segunda parte, e não menos emocionante, é com a neta de Jack. O ano é 2013, Jack deixa para sua neta, depois da morte, uma missão: encontrar a quem verdadeiramente pertence o medalhão. Natalie passa por um momento difícil com o divórcio e a morte do avô. No entanto, sua missão a privará de alguns momentos do sofrimento. É nesse contexto e com a ajuda de Amitai que adentramos na terceira e fabulosa parte do livro.


O feminismo impera na terceira parte. Eu fui ao delírio total!
Nina era a dona do medalhão e sua história, de todas, é a mais impressionante. Jamais imaginei que a obra tomaria tal vertente ideológica. Uma mulher, em 1913, que luta por direito. Uma mulher que luta por voz. Empoderamento. Sororidade. Lindo demais... infelizmente, a história de Nina não fica em 1913. Hoje, “O Brasil é o 7º país em índices de feminicídio. Morrem 15 mulheres por dia, vítimas da violência machista, sendo que a 2 minutos uma mulher é espancada. Os dados mostram que esta violência aumenta.”
A relação temporal da obra me deixou com a indagação, que já sei a resposta: Será que o Holocausto acabou?
O livro é encantador, perfeito e digno da minha prateleira de clássicos.

5 comentários:

  1. Nossa, também adorei a capa.. bem diferente na minha opinião. Quanto ao livro parece ser fascinante, principalmente por ter três histórias distintas e abordar o feminismo. Adorei! Com certeza vou procurar saber mais sobre a obra e a autora também. Beijos.

    Mutações Faíscantes da Porto

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  2. Oi Lilian ;D

    Primeiro parabéns pela parceria com a Leya, é uma editora com títulos super legais! E agora vamos a resenha hahahaha Gosto muito de livros que abordam a força da mulher e tragam ela como um ícone forte, e não alguém que precisa ser salva pelo mocinho o tempo todo hahaha fiquei super interessada, especialmente pelas passagens de tempo que a trama apresenta! Super bacana sua resenha ;D

    Beijos
    Renata,
    psychoreader.wordpress.com

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  3. meu Deus. Tô bem interessada nessa leitura. Temática de guerra sempre me atrai e gosto de histórias paralelas que se ligam.... Parece ser uma leitura maravilhosa, já está na wishlist.

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  4. Oi Lilian! flor eu amei essa capa, ela é diferente, e tem u charme que nos faz querer ler. Adorei o livro ser dividido em três partes, em termo uma sobrevivente do Holocausto, e a cereja do bolo, a terceira parte o feminismo imperar, apesar de eu não ser feminista, vc bem sabe o qto os elementos do sagrado feminino são importantes no meu dia a dia...... Dica anotadíssima............ bjs
    Eykler
    www.amorascompimenta.com

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  5. Uau, nem imaginava que o livro fosse assim tão pungente Lilian.
    Eu já coloquei na minha lista de leituras e olha que eu pensava que esse selo "Casa da Palavra" era tipo gospel ou algo assim, rsrsrs
    Vou procura-lo. Beijos, resenha maravilhosa como sempre!
    http://www.conversasdealcova.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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