Resenha – Par Perfeito, de Eleanor Prescott




06 fevereiro 2015


Par Perfeito, de Eleonor Prescott, Editora Valentina, 351 páginas, traz algumas questões sobre relacionamentos, ou o início deles, relevantes. Problematizadas ou não. A exemplo das primeiras páginas, com Kate e Lou, que vão a um evento - palestra - para conseguir o par perfeito. As duas travam um discurso interessante, sobre como seria esse par, visões extremas e opostas, que, por vezes, fizeram-me lembrar de Sex and the city.
“- É tudo culpa daquele maldito jornal, o Daily post, - Kate acompanhou sua taça de vinho e tomou um gole, com raiva. – Se eles não ficassem o tempo todo falando de como é impossível engravidar depois dos 35, nós não estaríamos nem sequer pensando no assunto.”


Devo concordar com a Kate, a mídia passa o tempo todo com determinismo. Parte desse determinismo se configura num machismo e o ataque a mulher é certeiro. Colocam a mulher num patamar de ‘prazo de validade’. Além desse prazo, que vai normalmente até os trinta, existem os doentios padrões de beleza. Essa história de data certa para ter filho não existe. Não é regra. Em 1900 e blá, blá, blá, minha avó teve seu último filho aos 40 e está viva para contar história, com quase 100 anos. Muito linda por sinal.  Enfim, se fosse dizer tudo que penso, daria infinitos livros. Voltemos a resenha.
Alice é o tipo romântica superficial, mas é gente boa. Trabalha na Mesa para dois, empresa que realizou o congresso que a Kate e Lou foram. Sua chefa, Audrey, é um pé no saco. O fato é que tanto Alice quanto Audrey são vítimas de seus próprios sonhos impostos pela mídia machista. Enquanto a primeira, abertamente, sonha com o par perfeito, a outra faz as escondidas. Kate precisa dos serviços casamentos da empresa e pede ajuda de Alice. Eu acho que Alice terá muito trabalho quanto a isso... Sério... quem ler vai entender.
Mas, estamos falando do amor no capitalismo, e uma outra personagem que ama o dinheiro, Sherryl, também comporá a história. Ela é a dona da Pombinhos, empresa rival de Mesa para dois. Ela joga baixo e será uma pedra no sapato para Audrey e quem mais sonhar em ser sua concorrente.
Apesar de o livro mostrar uma pequena parte da realidade de um universo feminino, de maneira geral, a autora teve uma sacada inteligente, que foi de deixar pistas que a maioria das coisas que muitas mulheres fantasiam não passam de imposição do machismo e da mídia. Foram essas pequenas sacadas que me conquistaram na leitura. Gente, sou uma mulher de trinta e não acredito no que a mídia diz. Mas essa é uma desconstrução diária, que vai de nos amarmos enquanto mulheres até um bate-papo informal na mesa do bar com amigas enquanto paqueramos.
É um livro bem interessante. Divertido. Com uma narrativa rápida para alegrar aquele fim de semana de tédio. Para quem não gosta de curtir o carnaval (não é o meu caso), fica essa ótima dica. São vários personagens, será que encontrarão seu par perfeito? E você, acredita no par perfeito? Quanto a Alice, será que encontrará seu grande amor? Apesar de ser uma personagem infantil, Alice é mega gente boa.

O que mais gostei nela é a maneira como ela se veste, simples. A bicicleta é mega fofinha. O jeito despojado dela é a parte mais linda do livro. Alice vai sofrer um pouco, principalmente na mão da Audrey e da Sherryl. É no meio dessa tortura que ela conhece o Jonh, sem cometários. Em termos bonitos: um acompanhante. Como essa galera vai resolver toda essa confusão? Tem que ler o livro, gente. Quanto ao trabalho editorial de diagramação, revisão, capa: nota 1000! A Editora Valentina vem dando um show de excelência literária.

Beijos poéticos para todas e todos! 

5 comentários:

  1. pra ser sincera, apesar da temática sobre as desconstruções do machismo, eu creio que não leria a obra. Ok, posso estar julgando o livro pela capa, não deveria fazer isso, mas é realmente um tipo de leitura que não me enche os olhos... =/

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  2. Concordo com a Valéria, aí em cima. Apesar de ser uma obra que desconstrói o machismo, que mostra a mulher o que a mídia a impõe, e vc me acompanha no blog, sabe que vou contra essa imposição, o livro não me deu aquela vontade louca de ler. O livro tem mto cara se shick lit, ão é pre conceito ao genero, só não curto. bjuuuuuuuuuuuuuuu
    Eykler
    www.amorascompimenta.com

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  3. Eu não sei bem o que pensar. Aparentemente não me atraiu, mas sabe quando você pensa que pode ler e gostar? É muito difícil algum livro me encantar logo de cara, as vezes eu acho que não vou gostar e quando leio adoro. Esse poderia ser um desses livros, haha. Beeijos.

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  4. Olá, pois bem o livro parece ser interessante por causa de todo contexto do machismo e a posição feminina, só que não e atrai a leitura, pra ser sincera eu não sou muito de ler romances, mas parabéns pela resenha ficou muito bem construída.
    http://k-secretmagic.blogspot.com.br/
    Xoxo

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  5. Bom dia Lilian,


    Não conhecia o livro, mas fiquei muito interessado, gosto de ler livros do gêneros as vezes, ótima dica....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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