Resenha - Indesejadas, de Kristina Ohlsson




10 maio 2015



Indesejadas - Crimes brutais marcam um verão sueco. Suécia, meados de um verão chuvoso. O inspetor Alex Recht e sua equipe, auxiliada pela analista criminal Fredrika Bergman, começam a investigar o que parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores.


Indesejadas, 400 páginas, Editora Vestígio é como o verão Sueco descrito pela autora: demora a esquentar. A trama policial é extremadamente correta, mas carece de certa empolgação em alguns momentos. O arco de atuação do serial killer fica um tanto perdido em meio às histórias pessoais dos detetives, extremamente bem desenvolvidas. Não que isso seja ruim, mas poderia ser menos recorrente.
O desaparecimento de várias crianças durante o verão na Suécia é o ponto de partida desta obra. A autora, Kristina Ohlsson, é ex-analista estratégica de segurança da Polícia Nacional da Suécia, de forma que o livro não possui furos e a narrativa policial segue redonda. Mas falta empatia com seus personagens, falta alguma força.
Por mais que os crimes contra as crianças sejam horrendos, o Serial Killer aparece tão pouco, que você mal tem tempo de odiá-lo. Os três detetives estão tão ocupados em se provarem uns aos outros que mal podemos ter alguma identificação com seus dilemas pessoais. No princípio, eles beiram ao irritante.
“O Homem”, como gosta de ser chamado o assassino da história, possui uma motivação facilmente identificável, (não para os policiais da trama, que tanto se gabam de seu “instinto”) e é extremamente simples encontrar a ligação entre ele e suas vítimas, ainda que para os leitores, isso não ajude na identificação do autor dos crimes. Sua participação na história é mínima, e não temos tempo de entender seu perfil criminoso.
Qualquer leitor assíduo de policiais, ou mesmo alguém que tenha assistido a muito Law & Order: SVU (o/) passa o livro se debatendo com a burrice de Alex Recht e Peder Rydh, dois agentes experientes da polícia que não enxergam o óbvio. Fredrika Bergman, a subestimada civil com diploma de universidade, sem nenhum “instinto” policial, nem vocação para a carreira, segundo seus colegas (machistas até o talo) é a única a seguir uma linha investigativa mais próxima da realidade do caso, que apresenta muitas reviravoltas, e desvios, que funcionam mais para os investigadores que para o leitor.
Muito correta, a autora desenvolve, além do caso policial, a vida particular dos detetives envolvidos no caso. Embora o esmero em mostrar a personalidade e vida de cada um deles tenha contribuído para o ritmo um tanto moroso do livro, é bom perceber o cuidado da autora em não se utilizar do caminho fácil de apenas dizer que todas suas personagens são reservadas, perderam contato com a família, e todo tipo de desculpa para não desenvolver o personagem. Recursos usados muito comumente em tramas policiais, e que muito frequentemente me irritam.
Em dados momentos, a autora tenta se utilizar certas histórias para despistar o leitor, e tentar ludibriá-lo.
Como Fredrika será personagem fixa da autora em outros livros, particularmente acredito que muito conteúdo sobre sua vida pessoal poderia ter sido deixado para os próximos volumes a fim de dar à história do serial killer do livro mais fluidez, e também mais atenção. Senti o caso policial um pouco perdido no enredo do livro, que se transforma numa sucessão de entrevistas, intercaladas com dilemas de cada agente.
Entretanto, acredito que nos próximos volumes, uma vez introduzida a personagem principal, os crimes serão muito mais bem desenvolvidos, pois é notável que a autora entende do assunto que se dispôs a escrever. Isso já é um trunfo inegável nos dias atuais.

Embora pouco focado no criminoso, e com pouca ação, o livro é extremamente correto, sem furos, e isso certamente agradará os aficionados ao gênero. 


Sobre a resenhista: 

18 comentários:

  1. Olá!
    Logo que vi a capa do livro e li a sinopse, fiquei verdadeiramente interessada. Mas depois de saber que o crime em si não é o palco principal da trama, minhas expectativas baixaram um pouco e confesso que fiquei curiosa para saber mais sobre a história do assassino. Isso não quer dizer que eu não vá dar uma chance ao livro qualquer hora dessas. Meu interesse não passou e, assim que der, espero estar conhecendo mais sobre a obra para tirar minhas próprias conclusões. Heheh.

    Beijos,
    Império Imaginário | Goulart, F.

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  2. Não sou muito fã de livros policiais, mas pelo que li de sua resenha e da sinopse, para quem curte esse tipo de gênero, esse livro é muito bom!

    Glaucia Matos

    www.leitorait.com

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  3. Adorei a resenha, e que pena que a autora deu mais atenção a vida pessoal dos agentes do que para o assassino, não sou muito fã de livros policiais, por isso não leria esse, mas gostei muito da sua resenha, muito bem escrita e desenvolvida! Parabéns!

    Abraços e até!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  4. Oie Amanda como vc bem observou a autora deve ter ai um objetivo ao desenvolver a primeira história desta forma, no meu caso enquanto leitora prefiro qdo o autor consegue trabalhar todos aspectos da história. Quem sabe este assassino também siga para o volume 2? enfim a resenha esta ótima de deu pra dar um boa ideia do livro bjss
    http://florroxapoemasepoesias.blogspot.com.br/

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  5. Olá Amanda,

    Mais um livro que fico conhecendo aqui, gosto demais do gênero e a história parece muito boa, dica anotada...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  6. e eu louca pra ler esse livro tu vem me dizer uma dessas :P
    mas tem nada não, ainda assim, quero ler. Acredito que essa personagem aí vai ser melhor explorada em outros livros da autora...
    ah, euc urto lit. sueca pro causa de Stieg L. :P
    bjs, Mandy e Lili

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  7. Oi Amanda!!
    Não conhecia o livro, nem a autora... mas acho que ele entra e muito no meu genero literário. Estou curtindo muito esses romances policiais e os mistérios.
    Gostei bastante da sua resenha, me deixou curiosa.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal
    Fim da conversa no bate-papo

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  8. Li esse livro em dois dias, de tão bom que é a narrativa do autor. Eu adorei a trama! <3
    Adoro os livros do gênero que a Vestígio está lançando!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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    1. Dessa, eu li em um. Mas mesmo assim me pareceu um pouquinho arrastado. A autora é boa na estruturação, mas achei que faltou um cadinho de emoção.

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  9. Olha para ser sincera eu já ouvi falar do livro, mas eu sinceramente não tive muito interesse de fazer a leitura, porque ele não tinha me chamado atenção sabe? Mas me parece ser uma boa história lendo sua resenha, mas mesmo assim por enquanto eu prefiro deixar para conferir mais pra frente. Quem sabe eu me convença. Mas eu adorei a maneira como você abordou sobre a história e também seu ponto de vista =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/05/resenha-boa-noite-estranho.html

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  10. Amanda como leitora aficionada do gênero, eu curti o livro, hauhauha
    Tá bom que não é o melhor livro policial do mundo, mas pra um livro inicial eu curti
    achei a autora corajosa de pegar um tema tão forte e ainda abordar a pedofilia num livro de estreia. teve coisas que me irritaram também, mas quero ler mais livros dela antes de tirar uma conclusão.
    beijoo
    Conversas de Alcova ❤

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    1. Kris, eu também quero ler mais dela. Acho que conforme ela for inserindo o contexto da vida da Fredrika na história, a coisa vai ficar menos arrastada. Vamos ver...

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  11. Oi!
    Gosto muito de tramas investigativas, mas nunca tinha ouvido falar no livro.
    É realmente frustante ler histórias assim, onde o crime está tão óbvio, mas o detetive "especialista" não consegue entender, me estresso muito quando isso acontece rs
    Gostei das suas críticas construtivas na resenha :)

    Beijos!
    http://choqueliterario.blogspot.com.br/

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  12. Olá, Amanda!
    A capa do livro já chamou minha atenção quando vi aquele par de sapatinhos. Já, o tema, me deixou um pouco assustada e não sei se gostaria de ler. Claro, eu sei, crimes deste tipo existem..
    Acredito que o fato da autora ser uma especialista da polícia sueca,ajuda na trama, mas, pelo visto, não foi o suficiente para a construção do enredo de 400 páginas. Que pena!

    Abraços!
    http://fabi-expressoes.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Fabiana, é um bom livro, mas eu achei meio morno, sabe? Não é aquele livro que você abandona, de tão ruim, nem aquele que você devora como se não pudesse mais viver sem saber o fim. É um livro bem escrito, polido, e só.

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  13. Oi,
    A capa do livro me ganhou primeiramente,confesso que no inicio da sua resenha até fiquei um pouco empolgada, mas no meio minhas expectativas caíram, não gosto quando a autora deixa a situação um tanto obvia e que falte ação, é um livro que leria, mas nada de urgente, acredito que vou gosta da leitura.
    Parabéns pela resenha.
    Beijos



    Mari - Stories And Advice

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  14. Olaa
    Parece ser uma leitura muito interessante, eu adorei a capa e gosto bastante de ler gêneros assim para variar, sua resenha esta ótima.

    Beijos
    Reality of books

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  15. Oi Amanda, tudo bem? Goste da sua resenha e ultimamente tenho me interessado mais por livros policiais, mas esse definitivamente não me interessou. Não duvido que a autora tenha conhecimento o suficiente para escrever uma boa história, mas acho que ela se focou tanto nos dramas dos personagens que acabou não conduzindo uma história fluida e investigação e assassinato. Espero que os próximos livros tenha mais ação e se foque mais.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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