Resenha - Bom dia, Sr. Mandela




23 julho 2015


Bom dia, Sr. Mandela, Editora Novo Conceito, é a história de um homem pela perspectiva da autora, Zelda la Grange, que dedicou boa parte de sua vida ao seu lado, e teve sua vida transformada, graças aos seus ensinamentos e esforços para dar ao seu povo uma vida mais digna e sem segregação. Nelson Mandela foi presidente da África do Sul, passou quase trinta anos preso por lutar contra o regime do Apartheid, que inferiorizava os negros que viviam no país, os excluindo de lugares que apenas a população branca tinha acesso.


Zelda veio de uma dessas famílias que apoiavam o regime do Apartheid, por achar que os negros eram inferiores e consistiam num perigo para a população africâner. Em fins da década de 1980, quando ela teve conhecimento da existência desse senhor, mal sabia ela que ele entraria em sua vida de maneira tão profunda e cheia de reviravoltas. Zelda perdeu contato com amigos que - ao descobrirem que ela trabalhava para um negro, servindo-o - passaram a evitá-la. De início, ela teve medo que ele e os demais negros do país fossem se vingar pelos muitos anos de segregação racial e intolerância a seus costumes. 

Inicialmente, ela começa como datilógrafa no gabinete do presidente, e logo ganha um lugar especial no coração desse homem bondoso, justo e disciplinado, que procurava combater a fome e miséria de seu país, buscando com os ricos empresários e artistas várias contribuições para a construção de escolas e hospitais em lugares distantes em que a população não possuía tais direitos básicos assegurados. O contraste da África branca com a negra era alto [até hoje é] e Mandela - ou Madiba, como era chamado por Zelda - lutava para a melhoria de vida de seu povo. 

Logo no início do livro, Zelda narra sua infância, desde o dia de seu nascimento - que coincidia com o dia em que Nelson Mandela ia para a prisão] até a adolescência, discorrendo sobre a política segregativa da época e seu envolvimento [quase nulo] com a política. Zelda era do tipo de pessoa que tinha uma opinião pré-concebida a partir do que os brancos divulgavam. Ela tinha pavor dos negros, apesar de ter uma empregada negra em casa. Para ela e sua família, a empregada era menos 'perigosa' que os demais de sua cor.

"As pessoas brancas e as negras eram separadas; não era permitido se casar, ter amigos, fazer sexo ou viver nas mesmas cidades. Eram as normas da chamada "Lei de Áreas de Grupo" na África do Sul, uma tentativa de impedir que as pessoas se movimentassem livremente e levassem suas vidas dentro dos mesmos limites. Os negros não podiam andar nos mesmos ônibus nem nadar no mesmo mar que os brancos." 

Apesar de não possuir ligações com a política do Apartheid, os pais de Zelda seguiam o regime. Eram uma família de classe média, branca, que apoiavam a Igreja e o governo de maneira exemplar para bons cidadãos africâneres. Os brancos não poderiam tocar em uma pessoa negra. A crença de sua família, e de tantas outras, era de que os negros eram sujos e possuíam o cheiro diferente. Zelda ainda conta que acredita que o racismo não é algo que vem de berço, e sim, que é enraizado na mentalidade humana devido à aculturação... Não poderia de forma alguma discordar dessa afirmação...
Ela fala da dificuldade de seus pais quando pequenos, de como os negros e indianos eram impossibilitados de votar. Aos poucos ela ia digerindo essas regras sociais e se questionava em alguns momentos sobre tudo aquilo... 

Na segunda parte do livro, ela fala de quando Nelson Mandela foi solto e chegou à presidência, o fim do regime Apartheid e de como os brancos passaram a temer retaliações, agora que os negros estavam 'livres'. Ela estranhou quando Mandela não a dispensou do emprego por causa de sua cor. Com o passar dos anos, ela foi compreendendo as intenções daquele homem, e percebeu que tinha muito a aprender com ele, e sacrificar uma possível vida pessoal em prol de lealdade e dedicação para com seu presidente não a faria se arrepender.

Ela o seguia a todos os lugares, era seu braço direito em reuniões, palestras e viagens. Conheceu artistas, reis e figuras importantes da política mundial. Acompanhou de perto o casamento de Mandela com a Senhora Machel, moçambicana. Era seu segundo casamento, e ele não tinha uma relação muito próxima com seus filhos do primeiro casamento, que teve um rompimento difícil... 

"Ele derrubava minhas defesas dia a dia, quebrando meus preconceitos e as camadas de apartheid que haviam crescido sobre mim, do mesmo modo como cinzelava o calcário enquanto esteve preso na Ilha Robben."

Mesmo quando Madiba se aposentou e outro homem assumiu o poder do país, sua influência a nível global contribuiu para continuar na luta em prol dos menos afortunados. De todos os lugares chegavam pedidos de ajuda e assistência. As pessoas o abordavam onde quer que fosse a fim de pegar um autógrafo ou até mesmo apertar sua mão. Zeldina, como Mandela a chamava, tinha sérias dificuldades em evitar tumultos nessas saídas de Mandela a locais públicos... 

Ela conta de seus hábitos simples e manias, e a medida em que ele vai envelhecendo, o laço entre os dois só aumenta e é com pesar que chega o momento de se despedir para sempre de seu 'Khulu'... Confesso que fiquei indignada nas últimas partes do livro, em que a família dele a tratou mal, excluindo Zelda e a senhora Machel dos momentos finais com Madiba... 

Eu poderia me estender sobre a obra mas não caberia numa resenha citar os pontos mais cruciais da vida de Mandela ou dos trechos que me fizeram chorar, mas o que posso falar é que Bom dia, Sr. Mandela é uma obra que fala sobre lealdade, transformação, dedicação e dogmas quebrados... Sem sombra de dúvidas, uma leitura rica e fascinante, que vai trazer ao leitor importantes lições para a vida inteira... Nelson Mandela foi um grande exemplo, imortalizado na escrita de Zelda la Grange, e - principalmente - em suas boas ações pelo mundo... 



Sobre a resenhista 
Maria Valéria é como diria Ana Cristina César, "Sou amativa antes de tudo embora o mundo me condene...", além da criadora do blog torporniilista.

15 comentários:

  1. Eu já vi muitos comentários desse livro, e é um tipo de livro que não sei nem oq ue falar ou achar. Quero muito conhecer.
    Amei sua resenha
    Beijos
    http://myself-here1.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Olá, Maria. A primeira coisa que irei fazer quando chegar no stand da NC na bienal será comprar esse livro. Sou louca pela história de Nelson Mandela!
    Beijo,
    http://www.pactoliterario.com/

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Esse livro parece incrível!
    Tá na minha lista de futuras leituras.
    Ótima resenha!
    Beijos!

    www.livrosdajess.com

    ResponderExcluir
  4. Acho que é a primeira resenha que leio sobre esse livro.
    Acho a história de Madiba muito interessante e cheia de aprendizado.
    Acho que iria gostar muito da leitura.

    Lisossomos

    ResponderExcluir
  5. Olá
    eu vi esse lançamento na pagina da Novo Conceito e achei bem interessante, não seria o tipo de leitura que eu acompanho, mas tentar sempre é bom, a sinopse me deixou um pouco interessado
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. Ola lindona falar sobre Mandela sempre é dica de ótima leitura, um homem que viveu para sua luta contra o racismo. Esse livro deve trazer muitos fatos sobre contados através de alguém que conheceu bem Mandela. E mesmo a luta e dificuldade de Zelda nos deixa curiosas com sua vida. Já indo para lista . beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

    ResponderExcluir
  7. Olá; acho que essa é a primeira resenha que leio do livro. Parece uma obra maravilhosa, ainda mais por ser uma história real, sobre uma personalidade tão importante, admirável e marcante da nossa história, Nelson Mandela.

    ResponderExcluir
  8. Parece que você gostou bastante da obra, eu o tenho aqui e quero lê-lo em breve e tirar minha próprias conclusões sobre a obra! Adorei a resenha, está muito bem escrita e desenvolvida! Parabéns!!

    Abraços e até!

    lendoferozmente.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  9. Oi Val, tudo bem?
    Não conhecia o livro e confesso que não é uma leitura que me atrai.
    Apesar disso é muito interessante.
    Bjs

    A. Libri

    ResponderExcluir
  10. Olaa
    Ótima resenha, ouço falar muito dele e tenho vontade de conhecer mais sobre ele. Muito legal o post.

    Beijos
    Reality of Books

    ResponderExcluir
  11. Oi, desde quando vi sobre o lançamento do livro tive curiosidade porque gosto muito de auto-biografias e essa me pareceu ser muito boa. E como você disse, o livro pode nos passar muitas lições para a vida e gosto muito disso em livros, ler só por ler é bom,mas se a leitura puder passar algo legal, melhor ainda.

    Muito boa sua resenha.

    bjs

    ResponderExcluir
  12. Ficou mesmo linda a resenha! Estou com esse livro aqui para ler. Não estava com muita expectativa. Mas pela sua resenha, é aula sobre história sobre o Apartheid, além de trazer os aspectos que você já pontou: lealdade, dedicação...

    Beijos!

    ResponderExcluir
  13. Belíssima resenha! Já queria ler esse livro, mas não esperava que sua narradora fosse branca. Não me pergunte o por quê, mas compreendi que era uma secretária negra que havia conhecido Mandela e pronto. Que ótimo estar enganada! Adorei o ponto de vista que a autora apresenta sobre o racismo e com certeza quero entender melhor o contexto da época. Lerei!

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

    ResponderExcluir
  14. Oi Maria
    Sua resenha está incrível, mas esse livro realmente é uma história que não me chama a atenção mesmo admirando muito quem foi Nelson Mandela.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

    ResponderExcluir
  15. Olá Maria,

    Esse livro está na minha lista de desejados e essa é a primeira resenha que leio desse livro e fiquei ainda mais curioso, a história dele é fascinante, ótima resenha....bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 

Fanpage

Seguidores

Compre aqui

Compre aqui
Livro Mulheres que não sabem chorar

Link Me

Curta também:

Parcerias

De olho

Arquivo do Blog

Direitos autorais

Google+ Followers

Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

Siga-nos por e-mail

Copyright © 2015 • Poesia na alma