Resenha: Norma Bengell




25 agosto 2015






Carioca de Copacabana, nascida em 1935, Norma Bengell começou sua carreira artística como manequim na Casa Canadá, até que seu charme e carisma a levaram aos palcos do Teatro de Revista. Num espetáculo, quando ainda dançava nas últimas fileiras, foi assistida por Carmen Miranda, que prenunciou: “Menina, desta turma toda, você é quem vai ser uma grande estrela”.


A autobiografia da atriz, sex symbol, produtora, cineasta, compositora, cantora e  revolucionária por natureza Norma Bengell, NVersos, 366páginas é um recorte da história artística do Brasil, contada por uma mulher que viveu para ser quem era, sem nunca calar-se ou deixar-se oprimir.

“Durante a minha vida me acusaram de ser muitas coisas: puta, comunista, sapatão, sapatilha. Mas nunca poderão me acusar de uma coisa: De que fui covarde”

Recebi a difícil e encantadora tarefa de resenhar esta pequena joia, e há duas ou três semanas venho tentando fazê-lo sem que parecesse um texto de Wikipédia.
Difícil. A vontade que tenho é a de fazer um artigo, contando detalhe por detalhe a vida de Norma e os motivos que a fazem ser um ícone não só pelo trabalho de atriz e cantora, mas pela sua atitude contestadora, feminista e forte.
De sex symbol, cobiçada pelos homens então considerados os mais belos do mundo, a primeira brasileira a aparecer em nu frontal, se transformou em atriz dramática, produtora, diretora, e depois foi esquecida, quando já não interessava mais à cena artística.


Confiram uma entrevista histórica da Atriz:



Perto dos últimos anos de sua vida, atuando como Deise Coturno na série Toma Lá da Cá, Norma perdeu os movimentos.
De cadeira de rodas, foi homenageada no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2011. Ovacionada.
Faleceria dois anos depois, em 2013. Pouco depois de concluir sua autobiografia, publicada postumamente em 2014.
Livro pesado, em papel fotográfico, cheio de imagens de sua carreira, com pôster de sua linha do tempo artística. Sem delongas, digno da história que traz dentro. Mas sem uma capa dura. Posso estar filosofando muito, mas achei, no encerramento do livro um possível motivo para isso.

“O quanto de minha juventude já se perdeu?Pensando melhor, nada se perdeu. Muito de minha juventude está impressa no tempo, nos celuloides, como a beleza fixada para sempre no inconsciente de todas as pessoas, imagem que se reproduz na infinitude da arte, em todos os filmes que fiz.Não sou imortal.Sou tão mortal quanto qualquer um, sou humana. Muito humana, da espécie que tem o dom de sorrir e chorar, muito além do meu dom de fazer rir e chorar.Sou invencivelmente frágil. Uma sobrevivente que vive com intensidade(...)”


Norma Bengell, a despeito do que possa parecer, não tinha capa dura.


14 comentários:

  1. Não curto muito biografias, mas acho que essa eu gostaria de ler. Conheço pouco da vida desse grande mulher e com certeza adoraria poder saber muito mais. Me encantei por esse belíssimo quote que vc postou!!

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    1. Maravilhoso né, Érika? Eu tinha que postar!!!

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  2. porra, deve ser uma bio muito foda... morria e não sabia que era a atriz de Toma lá, dá cá...
    tentarei conseguir o livro pra ler...
    resenha foda, Mandy :D

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  3. Eu realmente não me interesso por autobiografias, confesso que já tentei, mas larguei no primeiro capítulo. Mas gostei do livro abordar a história de uma atriz que inovou tanto, e pelo acabamento do livro, afinal sempre queremos ter na estante um livro bem elaborado e bonito, pena que não tem capa dura, né?
    Bjs Amanda!!

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  4. Caramba, que livro!
    Não curto muito biografias, mas essa eu realmente quero ler!
    Dica anotada!
    Beijos!

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  5. Com poucos parágrafos, conseguiu fazer uma ótima resenha e que me deixou com vontade de ler o livro. Não tinha me lembrado que ela fez parte de Toma Lá da Cá, não perdia um episódio; adoraria poder ler o livro e saber mais sobre a história de uma mulher tão admirável.

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  6. Olá!
    Apesar de parecer um ótimo livro, não sei se leria.
    Mas adorei a resenha. Conseguiu se expressar muito bem.

    Beijos
    http://ummundochamadolivros.blogspot.com.br/

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  7. Amanda, eu não tenho o hábito de ler biografias, mas Norma Bengell foi um ícone que no final da sua vida não teve tanto destaque/apoio, só por isso eu tenho interesse em ler a obra.

    Lisossomos

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  8. Não conhecia o livro, mas achei bem legal
    pela resenha, infelizmente é assim
    depois de tudo, a sociedade esquece
    todos o talento e cultura de um personagem artístico
    Lindo Dia !!
    beijokas da Nanda

    Mamãe de Duas

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  9. Olá!
    Não sou muito fã de biografias, mas gostei que ele contem muitas fotos da carreira da Norma, acho que esse eu abriria uma exceção, só para conhecê-la um pouco mais!
    Beijos

    LuMartinho | Face

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  10. Assim como a maioria do pessoal que comentou acima, eu não tenho muito costume em ler biografias. Acho que muitas devem valer a pena, mas não consigo sair da inércia e pegar para ler! :-/

    Infinitos Livros

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  11. Ola, tudo bem? Gostei muito da sua resenha, não tenho o costume de ler biografias, mas é uma forma de nos aproximar com a pessoa em questão, neste caso Norma.
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

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  12. Oi!
    Não conhecia a Norma e o livro parece legal, mas não gosto de ler Biografias não é um gênero que me interesse, mas é muito bom para os fãs, acabam conhecendo um pouco melhor seus ídolos !!!

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  13. Autobiografia não é um estilo que leio muito, mas a história parece ser interessante.
    Bjs

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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