Resenha - O Príncipe dos Canalhas, de Loretta Chase




16 setembro 2015


O Príncipe dos canalhas, por Loretta Chase, 287 páginas, Editora Arqueiro, é um romance histórico que se passa no final do século XVIII. Inicialmente, conhecemos a história de Sebastian Ballister, o príncipe (ou melhor o canalha) em questão. E é aí que a Loretta já nos mostra ao que veio, desde as primeiras páginas ela estrutura o personagem de modo a nos fazer entender o porquê dele ter o homem que ele é. Essa estruturação se inicia com ela nos mostrando como aconteceu o casamento dos pais dele, um Marquês de idade avançada que havia perdido anteriormente a esposa e os filhos e se casa com uma nobre italiana, que não possui os mesmos “recatos” de uma nobre inglesa e assim acaba por assustar ao marquês com suas estripulias no leito nupcial. O assombro do homem é tanto que quando ela dá a luz a um menino, com claras características italianas, nesse caso um anguloso nariz muito grande para um bebê, ele pensa que aquele é o fruto do castigo de Deus e promete a si mesmo que jamais voltará a se deitar com ela. O que a leva a anos depois fugir com outro homem.

O pequeno Sebastian era muito apegado a mãe, apesar dela ser bem temperamental e com a sua partida ele sofre com a alienação parental causada pelo pai e, na sequência, é enviado para estudar em Eton, onde sofre o constante Bullying por sua aparência que foge aos padrões de beleza ingleses. Para fugir do Bullying, ele acaba aderindo ao “se não pode com eles, junte-se a eles” e assim começa a consolidar sua fama de Belzebu, tanto pela aparência quanto pelas ações que fogem de todas as regras da sociedade. Sebastian também é muito inteligente e consegue se consolidar sem a ajuda do pai, mas acaba recebendo o título após a morte dele. Devido a outros acontecimentos e também a baixa auto-estima, ele acredita que nenhuma mulher se envolverá com ele por outro motivo que não o seu título e assim prefere só se envolver com cortesãs e evitar as damas nobres da sociedade. Até o dia que ele conhece Jéssica e por algo mais forte não consegue se afastar dela. Ela é a irmã mais velha de um dos seguidores, Bertie um bobalhão, e foi à França com o intuito de levar ao irmão de volta a Inglaterra, antes que ele abra falência por tentar imitar o estilo de vida do Marquês, coisa que ele não sabe administrar. Jéssica é órfã e por isso, além da influência da avó, uma beldade que encanta a França, é bem liberal para a época e não se assusta com os possíveis escândalos, na verdade, ela é tão intelectual quanto o Marquês e consegue vira-los ao seu favor. E é aí que a nossa aventura começa.
E quem diria que num livro com esse título eu fosse me deparar com uma história permeada por desconstrução de machismo e lições de sororidade? A Loretta Chase recebeu o prêmio RITA de melhor romance histórico por esse livro, mas poderia ter recebido também o de maior personagem histórica empoderada, se esse existisse.
Em uma resenha de outro romance histórico, que publiquei anteriormente, recebi um comentário onde uma moça dizia que estava virando clichê o fato dos livros históricos terem personagens femininas à frente do seu tempo.
Sinceramente?
Que bom! Dou graças por isso, desejo que isso realmente vire clichê e consiga se emaranhar nas leitoras e assim passe a acontecer no mundo real. Precisamos disso para desconstruir aos poucos o machismo tão emaranhado, até mesmo nesse tipo de literatura que é tão nosso, geralmente, escrito de mulheres e para mulheres, mas que mesmo assim muitas vezes nos castra e submete em suas histórias. Por isso, nada mais justo do que as nossas heroínas trazerem para nós lições de empoderamento, ainda que sutis.
Em O Príncipe dos canalhas, a Loretta compôs uma história forte, romântica, levemente ardente, bem estruturada, cheia de diálogos marcantes e permeada de boas lições. Tudo isso sem perder os elementos estruturais que compõem um bom romance histórico. Então se você já é fã do gênero, sem sombra de dúvidas vai amar essa trama e se você ainda não é, mas quer se dar uma chance de conhecer esse tipo de escrita esse é o título ideal para começar.

Beijos, espero que tenham gostado da resenha e deem suas opiniões nos comentários.

15 comentários:

  1. Oie! Tudo bem?

    Esse livro não é nem um pouco meu estilo literário. Mas concordo com você e espero que esse negócio de mulheres a frente de seu tempo vire clichê!! Não sei pq essa palavra vem carregada desse teor negativo, né?! Eu realmente espero que vire "modinha". :)

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  2. Comprei esse livro na bienal a um preço ótimo, está na fila de leitura, agora, depois de ler sua resenha, acho que ele passará a frente de outros..rs

    LETRAS COM CAFEÍNA

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  3. Já vi resenhas desse livro em outros blogs também e infelizmente não é o meu "tipo" de gênero literário
    Mas sua resenha ficou ótima e para os amantes desse gênero, esse livro é ótimo
    Bjs

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  4. Olá
    eu não sou fã de livro um pouco quanto quente, kkk, mas esse livro me pegou, não sei como, mas aconteceu,eu comprei, mas ainda não chegou e espero curtir a leitura
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  5. Nunca tinha ouvido falar nele! E sobre o gênero... Estou aos poucos saindo de minha zona de conforto, mas prefiro não sair muito ligeiro. Estou lendo aqueles meio "bobinhos", para ver se curto e aí sim vou saindo mais.

    Ótima resenha! Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  6. Oi Kris, tudo bem?
    Eu amo romances de época, mas ainda não li O Príncipe dos Canalhas!
    A historia parece ser bem interessante e eu já estou com esse livro na minha Wishlist.
    Sobre essa coisa de mulheres a frente do seu tempo nesses livros ser clichês eu concordo com sua opinião! Para mim quanto mais melhor, Gosto de personagens nesse estilo.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  7. Oi Kris, desde o lançamento desse livro eu sou super curiosa para lê-lo, acho a trama dele muito interessante e chamativa, eu nunca li nenhum romance histórico e acho que seria interessante começar por esse :D

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  8. Oi, Kris.
    Adorei sua resenha. Concordo com você que é tudo de bom uma personagem ser à frente do seu tempo. Acho que a proposta da autora nesse romance surtiu o devido efeito. Sorte a minha já ter meu exemplar por aqui.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  9. Oi Kris!
    Espero o mesmo que você, que MIL livros desses com protagonistas fortes e a frente de seu tempo venham e façam as meninas pensarem um pouco!!
    Já quanto ao livro, é um titulo que eu quero muito ler e que vejo muitas pessoas gostando, que o universo do romance histórico de protagonistas fortes me consuma!! *-*
    Beijos

    LuMartinho | Face

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  10. Não curto o gênero. Mas é tantas resenhas positivas que, como não querer ler.Amei sua resenha, passou sinceridade :D
    http://marifriend.blogspot.com.br/

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  11. Kris, realmente está virando moda as mocinhas de romance de época à frente de seu tempo e isso é maravilhoso.
    Eu fico muito feliz.
    O príncipe dos canalhas virou meu amorzinho dos romances de época. Lindo demais.

    Lisossomos

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  12. Apesar de gostar de romances de época, o príncipe do canalha na desperta meu interesse, li algumas páginas e não me identifiquei com a escrita da autora.

    Beijos
    Leituras da Paty

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  13. oi ^^
    apesar de não ser meu estilo de leitura eu tenho muito livros assim e cara to adorando romances de épocas. adoro ver personagens fortes que não importam a época que eles estão eles desconstroem tudo que é coisa <3
    adorei sua resenha!
    Seguindo o Coelho Branco

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  14. Oii, tudo bem?
    Estou louca querendo ler esse livro, pois a minha xará se mostra ser uma mulher que não aceita ser capacho ao homem, adorei isso.

    Beijos

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  15. Quero muito ler esse livro, pois dizem que os personagens deles são ótimos, e bem diferentes dos padrões de romances de época.
    Adorei sua resenha, e assim que puder vou conferir esse livro também

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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