Resenha – Para onde vai o amor?




16 outubro 2015


Se você está conectado às redes sociais, certamente já ouviu falar de Fabrício Carpinejar.
O homem que virou até verbo, (sim, as pessoas conjugam o verbo carpinejar: Carpinejando, Carpinejei, etc.) publica pela Bertrand Brasil, “Para onde vai o amor?”, com 176 páginas.


“O amor não é uma propriedade de quem sente, é uma transferência total para quem é amado Você que está vendo este livro com dúvida se precisa dele, você não precisa dele, precisa de si, vive caçando uma palavra que confirme o que deseja, está atrás de um escritor que possa lhe recomendar de volta para quem brigou, com capacidade de explicar o que sente e traduzir seus tormentos. Mas já sabe o que deseja, não há como convencer do contrário, os amigos mostraram que seu relacionamento não tem futuro. Não acredita neles, acredita somente no milagre. E como justificar um milagre, ainda mais para quem não tem mais fé? Eu entendo o que está passando: sua raiva, sua amargura, seu cinismo, seu desencanto. Percebeu que a razão não conforta, que a vingança ou o perdão não ressuscita a tranquilidade, que o fundo do poço nunca se equivale ao nosso fundo. Você parece normal, mas todo mundo deixa de ser normal quando se apaixona e se separa. Se sua expectativa é por uma solução, eu guardo apenas uma certeza que trará alívio mais adiante: você não vai desistir. Quando diz que acabou a relação, é que está procurando um outro jeito de recomeçar. Em seu novo livro de crônicas, Carpinejar apresenta 42 textos que sobre amor, desilusão amorosa, casamento, divórcio, saudade e outros sentimentos que compõem os relacionamentos. • Novo livro de crônicas do autor gaúcho. • Décimo sexto livro do autor publicado pela Bertrand Brasil — oitavo de crônicas.”

Um livro que fala sobre amor, como o título sugere, num tom quase de auto – ajuda.
  


Senti um quê de mecânico na escrita de Fabrício e eu, que nunca havia carpinejado, não senti nenhuma grande emoção ao ler seus textos. Bonitos, mas com um quê de politicamente corretos, de milimétricamente construídos.
Mea máxima culpa.
Ainda ontem comentava com um amigo que não gosto dos Renascentistas, pois acho-os estáticos. Claro, que acho lindo um Ticiano ou um Rafael, mas não me comovo com eles. Falta certa poesia, certo movimento, certo desmazelo. Um quê de caos.
Carpinejar está para Sanzio assim como Pedro Chagas de Freitas está para Munch, no meu ideário artístico.
Muito bonito, boa técnica, mas me falta o caos.
Claro, se você não for caótico como eu, certamente irá gostar (ou já gosta, posto que o homem é onipresente em compartilhamentos do Facebook) da visão romântica de Carpinejar.
Agradável, bonita, mas não é para mim.

7 comentários:

  1. Gosto de ler resenhas assim, sinceras
    Já tinha ouvido falar desse livro mas nunca me interessei pela leitura
    Beijos
    http://myself-here1.blogspot.com.br/?m=1

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  2. Mandy Conheço o Carpinejar do programa da Fátima Bernardes.
    Vivo nas redes sociais mas nunca vejo essa galera, é incrível.
    Eu tenho curiosidade pra ler o livro, fiquei interessada pelo toque renascentista
    estudar história da arte faz isso com as pessoas hauhauah
    beijos

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  3. Oi, Mandy!

    Olha, eu já Carpinejei. E gostei das obras do autor. Essa eu ainda não li. Mas você sabe que sua resenha me fez pensar?! Nunca tinha visto a escrita do autor por esse ângulo e pensando bem, você tem razão... Por isso gosto muito desse blog. As críticas são sempre pertinentes e na maioria das vezes me fazem refletir. Good job!

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  4. Oi Amanda, sabe que tenho bastante vontade de ler esse livro, eu vejo críticas muito diversas sobre ele, acho que depende muito da pessoa e do momento em que ela está quando inicia a leitura desse livro, sabe? por isso ainda quero ler e ver o que acho dele. Ótima resenha!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  5. Amanda, ainda não li nada dele e não faço ideia se sua escrita iria mexer comigo como mexe com tantas pessoas, acho que minha visão sobre ele seria bem parecida com a sua.

    Lisossomos

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  6. Mandy também procuro algo a mais nas poesias, a maioria é muito correta e não expressa tudo o que os autores sentem, tem esse certo receio em escancarar a verdade nua e crua.
    Parabéns pela critica sincera e verdadeira.
    http://k-secretmagic.blogspot.com.br/
    Xoxo

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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