Livros Nacionais e sua desvalorização




06 novembro 2015

Em um desses dias, em que acabo me perdendo em vários pensamentos enquanto converso com alguém, acabei me questionando sobre o preconceito que eu tinha com a literatura brasileira e percebi que não era só comigo. E o pior é que a sua dimensão é bem maior do que imaginamos. 

A literatura brasileira vem a bom tempo sendo desvalorizada, é certo que sempre houve aquela parcela da população que não só gosta, mas também divulga obras incríveis escritas por autores brasileiros ainda mais incríveis, mas parando pra pensar, notei que a maioria dos jovens não dá todo o valor que as obras merecem e muitas vezes o motivo disso pode vir do ensino escolar. Lembro que na minha época de Ensino Médio, os professores tentavam nos fazer ler livros como Dom Casmurro com o intuito de nos ajudar a ter uma melhor base para os vestibulares, mas confesso que apesar de ter prazer em ler, essas obras, até então difíceis, acabaram me trazendo certo terror, com o tempo aprendi a gostar e valorizar sua influência, mas como nem todos somos iguais, conheci alguns que odiaram aquela história com palavras tão difíceis e desconhecidas que remetiam uma história de uma época ainda mais antiga e para alguns confusa.

Talvez o grande problema de toda essa desvalorização e pré-conceito é que muitos acham que todas as obras escritas por autores nacionais ainda são como Dom Casmurro, ainda são difíceis e com uma temática confusa sem nenhuma magia ou ficção que esteja mais para Senhor dos Anéis e menos ‘Será que Capitu traiu bentinho?’. Longe de mim questionar e dizer que essas obras são ruins, pelo contrário, acho que são de extrema importância ainda mais por todo o conceito histórico envolvido nelas, porém iniciar jovens com uma leitura tão complicada e uma linguagem diferente de seus costumes só os torna ainda mais aversivos a essa e quem sabe outras leituras. Talvez uma boa solução seja incentivar a leitura de um nacional que tenha mais do gosto do leitor, acostuma-lo a uma leitura mais simples, mostrar que nossos autores são bons e diferentes da primeira impressão que tiveram anteriormente, talvez mais divulgação do que é nosso, talvez mais incentivo de quem está próximo, sei que ainda são tentativas e ideias de longo prazo, mas, ainda sim, são tentativas e ainda sim, são positivas.


9 comentários:

  1. Oieee, adorei o texto, mas eu discordo um pouco dessa desvalorização da literatura nacional. Não vejo como desvalorização.
    O mercado literário cresceu muito. E a quantidade de pessoas que querem publicar um livro idem. O problema é que a gente ás vezes acaba tendo acesso ao que não é bom. E isso é preocupante, o mercado literário rola grande, tá dando lucro, beleza. E é preocupante.
    O autores nacionais que eu gosto ironicamente escrevem livros independentes.
    Agora a questão das escolas obrigarem seus alunos a lerem, clássicos da literatura, esse ponto eu concordo e muito. Uma vez fiz uma pesquisa nas escolas da minha cidade particulares e públicas) cerca de 70% dos alunos não gosta de ler porque acha que todo livro é igual aos clássicos obrigatórios. Isso tem que mudar e rápido. Quando eu li Dom Casmurro com 14 anos achei o livro tenebroso. Depois li com cercar de 22 anos minha cabeça era outra, achei o livro ótimo.

    Excelente texto!!

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  2. Olá :) Gostei muito do seu texto, sua opinião é semelhante a minha, a literatura brasileira merece ser valorizada, pois, existem livros ótimos, já fiquei surpreendida pela escrita e criatividade de autores nacionais. *o* :) Concordo, professores devem incentivar a leitura de livros de fácil compreensão. :D Beijos!
    Blog: http://my-stories-wonderful-books.blogspot.com.br/
    Página: https://www.facebook.com/BlogWonderfulBooks/

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  3. Muito bom essa postagem e é bom falar desse assunto! Pois hoje em dia nossa literatura não é tão bem valorizada, mas você pode bem ver que muitos blogs estão começando a valorizar nossa literatura, dando mais foco a ela.

    No meu tempo! Também teve isso de indicarem um livro para fazer um trabalho, mas a maioria só lia e nunca mais voltava para os livros... Eu só fui me interessar pela leitura, uns dois ou três anos depois que terminei o ensino médio e até que gostei.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  4. Olá; na época da escola, eu li vários clássicos, amei "Senhora" e detestei tudo o que li do Machado de Assis, tenho até vontade de reler para poder ter uma segunda opinião. Creio que a leitura por obrigação corre um grande risco de afastar os leitores, mas acho também que há clássicos e clássicos dentro de nossa literatura, cada leitor pode gostar de um livro. O que vejo no cenário atual, é que há uma necessidade de um melhor aperfeiçoamento dos novos autores nacionais, de mais amadurecimento de alguns de seus livros. Mas que temos muitas boas obras, isso temos.

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  5. Oi Paac, tudo bem?
    Realmente o mercado para os livros nacionais ainda não é dos mais valorizados!
    Eu se tinha algum preconceito com livros nacionais, definitivamente não tenho mais, devido aos vários livros nacionais incríveis que já li!

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  6. Olá!
    Adorei seu texto. Concordo com sua opinião e embora eu não tivesse dificuldade em ler os clássicos no colégio, via que meus amigos tratavam aquela tarefa quase como um sacrifício.
    A Literatura nacional ainda é muito desvalorizada, mas eu fico aqui no - esperançoso - aguardo de que isso mude em breve.
    Ótimo texto!
    Beijos!

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  7. Olá! Concordo com a Helana, ok de certa forma tem essa desvalorização, mas as pessoas escolhem livros que não tem conteúdo pra ler ao invés de algo que seja bom para ela, eu nunca gostei muito de clássicos nacionais, sou daquelas que aprecia uma leitura internacional, mas com o tempo passei a me acostumar, correto dizer que quando se é muito jovem não devem forçar a leitura nas escolas, isso só deixa o aluno sem a vontade de ler, foi muito assim comigo e passei a odiar isso.
    Como minha mãe é professora sempre vivi nesse ramo de livros nacionais, tendo como inicio aqueles pequenos livros de autores que um deles mesmo foi o estopim pra leitura entrar definitivamente na minha vida.
    Hoje em dia os autores nacionais estão começando a aparecer no mercado, mas alguns com um conteúdo que não é muito educativo só para diversão mesmo, a maioria se foca no assunto do momento, como os autores de New-Adults que está fazendo muito sucesso, não sou contra é claro, mas gostaria que os livros nacionais abordassem temas que são do nosso país, como a situação das favelas, a baixa renda e todos os problemas que são do Brasil, não uma versão americanizada da literatura.
    https://k-secretmagic.blogspot.com
    Xoxo

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  8. Concordo plenamente com o seu ponto de vista, mas acontece que nós, os brasileiros, de certa forma nos encantamos por tudo o que vem de fora, diria que é até mesmo cultural esse pensamento. Confesso uma coisa, passei a ter maior contato com a nossa literatura contemporânea apenas quando iniciei as atividades do meu blog. Afinal, quando vamos a uma livraria as prateleiras de ficção/fantasia (que mais gosto) praticamente transbordam de autores estrangeiros, com edições maravilhosas, capas incríveis, conteúdos especiais, pouquíssimo vejo das obras nacionais.

    http://umreinomuitodistante.blogspot.com.br/

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  9. Acho postagens como essa completamente necessárias para problematizar o tema. Preconceito literário existe e sinto-me triste em admitir que nossos autores são alvos dele mesmo quando desconhecidos. Há quem nunca tenha lido uma obra sequer de um autor nacional contemporâneo e ousa julgar a nossa literatura frágil. Uma atitude preconceituosa e sem nenhum respaldo real. Enfim, adorei sua postagem. Parabéns por apresentar a necessidade dessa discussão.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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