Lançamentos - Editora Boitempo




08 março 2016
Em seu novo livro, o escritor cubano Leonardo Padura repete a façanha do best-seller premiado O homem que amava os cachorros (2013, Boitempo) ao criar uma mistura de romance histórico e romance policial, resultado de anos de investigação sobre a perseguição aos judeus.



O ponto de partida é um episódio real: a chegada ao porto de Havana do navio S.S. Saint Louis, em 1939, onde se escondiam mais de novecentos refugiados vindos da Alemanha. A embarcação passou vários dias à espera de uma autorização para o desembarque. No romance, o garoto Daniel Kaminsky e seu tio aguardavam nas docas, trazendo um pequeno quadro de Rembrandt que pertencia à família desde o século XVII e que esperavam utilizar como moeda de troca para garantir o desembarque da família que estava no navio. No entanto, o plano fracassa, a autorização não é concedida e o navio retorna à Alemanha, levando também a esperança do reencontro. Quase setenta anos depois, em 2007, o filho de Daniel, Elías, viaja dos Estados Unidos a Havana para esclarecer o que aconteceu com o quadro e sua família.



Primeira tradução direto do original em alemão.
Edição completa preparada a partir dos documentos da MEGA-2.

No ano em que se completam doze décadas da morte de Friedrich Engels (1820-1895), a Boitempo lança a primeira tradução direta do alemão de um de seus mais celebrados textos, A revolução da ciência segundo o senhor Eugen Dühring, mais conhecido como Anti-Dühring. Publicada em livro originalmente em 1878, a obra reúne materiais escritos entre 1877-1878 para o jornal dos social-democratas alemães, o Vorwärts. Anti-Dühring, considerado um dos melhores escritos de Engels e leitura imprescindível para a introdução ao pensamento marxiano, foi concebido como uma resposta ao também alemão Eugen Dühring, que havia criado sua própria versão do socialismo, baseada em uma teoria “autocrática” que excluía a teoria marxiana.

O livro é dividido em três seções – Filosofia, Economia Política e Socialismo – e, em cada uma, Engels discute temas como moral, igualdade, liberdade, necessidade, verdades eternas, a dialética “quantidade e qualidade”, teoria do poder, teoria do valor, renda fundiária, entre outros assuntos. O texto engelsiano logo converteu-se num “clássico”: formou as primeiras gerações de marxistas e se constituiu, “após o Manifesto Comunista, [n]a mais popular introdução ao marxismo”, segundo Gareth Stedman Jones, especialista nas obras do filósofo. 



Após grande sucesso na França – onde teve três livros traduzidos –, o paraense Edyr Augusto lança um novo romance noir de tirar o fôlego. Em Pssica, que na gíria regional quer dizer “azar”, "maldição", a narrativa se desdobra em torno do tráfico de mulheres.

Uma adolescente é raptada no centro de Belém do Pará e vendida como escrava branca para casas de show e prostituição em Caiena. Um imigrante angolano vai parar em Curralinho, no Marajó, onde monta uma pequena mercearia, que é atacada por ratos d'água (ladrões que roubam mercadorias das embarcações, os piratas da Amazônia) e, em seguida, entra em uma busca frenética para vingar a esposa assassinada. Entre os assaltantes está um garoto que logo assumirá a chefia do grupo. Esses três personagens se encontram em Breves, outra cidade do Marajó, e depois voltam a estar próximos em Caiena, capital da Guiana Francesa, em uma vertiginosa jornada de sexo, roubo, garimpo, drogas e assassinatos.

“Desse horror acelerado ao máximo brota uma estranha poesia. Isso ocorre, talvez, porque o motor do texto é silencioso e eficiente. Os personagens nunca deixam de ter uma desejável ambiguidade. Vítimas e bandidos se confundem à medida que suas paixões, sofrimentos e crueldades convergem para uma série de acertos de contas, desencontros, fins abruptos. Mesmo nos picos de maldade, seus destinos evocam tristeza, quando não uma incômoda empatia”,  Daniel Galera no texto de orelha de Pssica.

Edyr tem uma carreira consolidada como romancista de histórias ácidas e cruas, com forte sotaque, cores e sabores da Amazônia. Seus thrillers incomodam e seduzem, mas também propõem reflexões sobre problemas encontrados em qualquer cenário urbano. Representa o que há de mais interessante na literatura contemporânea. Ler Edyr é um verdadeiro tratamento de choque: a velocidade brutal aliada à barbárie potencializa ao extremo o realismo presente em cada frase seca e cortante de suas histórias. O estilo implacável, mordaz e direto, remete a algo como um soco no estômago de quem lê.

• Teve três romances publicados na França nos últimos dois anos: Os éguas/Belém (2013), Moscow (2014) e Casa de caba/ Nid de vipères (2015).

• A tradução de Os éguas/Belém ganhou o prêmio francês Caméléon, em 2015.

• Tem sido convidado a participar de diversos eventos literários na França: festival Étonnants Voyageurs, (2014), Salão do Livro de Paris (2015), festival de literatura noir Quais du Polar (2015), Salon du livre Les Mots Doubs (setembro, 2015). Também participará da 9ª Feira do Livro de Caiena, que ocorrerá na capital da Guiana Francesa, em novembro de 2015.



Guilherme Boulos é considerado uma das lideranças sociais mais importantes no Brasil nos últimos anos. Isto porque a questão da qualidade de vida nas grandes cidades tornou-se um dos principais palcos de disputa no país – e os sem-teto, efeito colateral do desenvolvimento das últimas décadas, organizados ou não, hoje se juntam aos milhões. A figura do jovem líder do MTST despontou com força há pouco mais de um ano, quando o impacto de algumas expressivas mobilizações de rua e a ocupação de um vasto terreno perto do estádio onde se daria a abertura da Copa do Mundo lhe deram grande visibilidade.

Segundo o próprio autor, De que lado você está? “é uma obra de intervenção, que propõe saídas à esquerda para os desafios que a explosiva conjuntura brasileira nos oferece”. Boulos não pretende criar consensos, mas sim tomar partido no dissenso, desconstruindo o preconceito e a cultura do comodismo, transmitidos por família, amigos, escola, igreja e mídia e absorvidos pela sociedade em geral. “A burguesia brasileira pede um Estado mínimo e enxuto para o povo, mas desde sempre teve para si um Estado máximo. Privatizar os lucros e socializar o prejuízo, esta é sua diretriz”, afirma.

Publicados originalmente em sua coluna no site do jornal Folha de S.Paulo – além de alguns inéditos –, os artigos combinam a legitimidade de quem vive o dia a dia de ocupações e despejos à reflexão teórica de sua formação como filósofo e à didática de sua experiência como professor. Muitas vezes os textos recorrem à ironia e ao sarcasmo para furar barreiras que impedem a compreensão de sua visão da realidade atual – e não poupam, por exemplo, os dirigentes do sistema de transporte público e os que se beneficiam com a crise da falta de água.

O livro se divide em três partes: “Barril de pólvora”, com textos sobre questões urbanas, “Estopins”, sobre questões políticas, e “Artilharia”, centrada na crítica de expoentes da conjuntura brasileira atual, entre eles Reinaldo Azevedo, Eduardo Cunha e Gilmar Mendes. Tudo isso é precedido por uma Apresentação, assinada pelo autor, na qual ele expõe sua visão geral da realidade sobre a qual se debruça e esclarece a articulação entre os textos: “Se falar de barril de pólvora, estopins e artilharia pode soar normal nos dias de hoje é porque vivemos um momento de conflagração, de crise de modelo. Essa crise é o fio-condutor que perpassa os artigos aqui reunidos”.

Com clareza e propriedade, suas reflexões oferecem um complexo retrato da construção da realidade do Brasil de hoje, da qual é um dos agentes, e da importância dos movimentos sociais para nossa sociedade. E reafirmam que a esquerda brasileira “não está morta”, apesar de seus críticos e da necessidade de retomada do que ele define como “caminho perdido”. “Deve ser lido e guardado, pois ainda ouviremos falar muito do autor, para observar a trajetória dessa promessa oferecida pelo tempo presente”, afirma André Singer, no posfácio.

[A partir do posfácio, de André Singer, e do texto das orelhas, de Leonardo Sakamoto]



A cidade das letras é considerada uma obra de referência para a teoria literária. Escrita por um apaixonado pelo nosso continente, sua cultura e seus povos, neste livro Rama – que está para o Uruguai como Antonio Candido está para o Brasil – analisa o sistema cultural latino-americano entre os séculos XIX e XX, em especial o período de 1870-1900.

As referências do autor partem da cultura – sem negar suas pluralidades, interfaces, fronteiras, divisões, tensões e contradições – e incluem temas urbanísticos, sociais e econômicos ao retratar a principal questão sobre a qual discorre o livro: as relações entre os letrados e as estruturas de poder. Por meio desse prisma, Rama estuda a concepção, o planejamento e a consolidação das cidades latino-americanas, desde a destruição da asteca Tenochtitlán, em 1521, até a inauguração de Brasília, na década de 1960.

O livro traz o melhor da crítica cultural de Ángel Rama ao analisar o desenho dos valores em pauta na formação das cidades e o discurso urbano da conquista, presente em cartas, grandes clássicos da literatura e outros documentos históricos. Ao revelar as cidades latino-americanas por meio das letras e da ordem dos signos, Rama traça um paralelo entre os projetos urbanísticos e o ideal desejado de urbe limpa, estéril e civilizada.

A obra mostra como as cidades do “novo” continente foram idealizadas e racionalmente estruturadas como um sonho de ordem, desejo antigo dos europeus em sua conquista por uma “cidade ideal”, em contraposição às caóticas cidades renascentistas surgidas de espaços medievais, “orgânicos”. Ao longo de seis capítulos, Ángel Rama constrói sua narrativa a partir da definição de cinco momentos históricos vivenciados por esses lugares – a cidade ordenada, a cidade letrada, a cidade escriturária, a cidade modernizada e, por fim, a cidade revolucionária –, a fim de explicar como a imposição dessa organização se tornou estratégica para a dominação da América Latina na era expansionista, oferecendo aos colonizadores “páginas em branco”, nas quais poderiam colocar em ação seus projetos de cidades ideais até então frustrados.

Na concepção de Rama, a “cidade das letras” foi historicamente o espaço adequado para a ação do setor acadêmico, que usava a universidade como ponte para ocupar esferas de poder, acessíveis apenas àqueles de formação privilegiada. “Brilha, na análise de Rama, a consideração do papel dos intelectuais neste processo que, embora vertiginoso de construção, desconstrução e reconstrução, demorou séculos até o nosso vigésimo-primeiro. Este papel se desdobrou em missão sacerdotal, administrativa, escriturária, cartorial, muitas vezes querendo reafirmar os ‘valores europeus’ diante da ‘barbárie’ nativa do continente”, afirma Flávio Aguiar, no texto de orelha, apontando a função crucial que a classe letrada desempenhava por estar estreitamente ligada às funções do poder.

Ao concluir sua tese, Rama defende que o Estado, após quatrocentos anos de monopólio, finalmente deixaria de ser o âmbito por excelência da produção de textos. Em sua visão, a luta pelo controle da palavra escrita descentralizaria seu domínio, reconfigurando não só suas relações com a sociedade civil, mas também entre intelectuais e o público, entre a letra e poder.

Originalmente lançado em 1984 – após a morte de Rama –, A cidade das letras conta com apresentação de Mario Vargas Llosa e prefácio de Hugo Achúgar. A edição da Boitempo ganhou especialmente um índice onomástico com uma curta biografia para cada nome citado, um importante acréscimo se considerado o desconhecimento geral, por parte do público brasileiro, dos demais escritores e pensadores latino-americanos.

10 comentários:

  1. Todos os livros são bons, gostei do segundo com nome que não seu pronunciar. Acredito que sejam obras até de grande aprendizado.


    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  2. Olá
    Não conhecia a editora, porém, fiquei bem interessado nesse livro "De que lado você está?".
    Abraço
    http://interessantedeler.blogspot.com.br/

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  3. Pssica foi uma leitura forte e visceral, adorei... Fiquei curiosa com A cidade das letras e Hereges ^^
    bjs, Lili...

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  4. Oi!

    Não conhecia a editora e esses livros não me chamaram muito a atenção. Já ouvi falar de Pssica e parece ser um livro com um tema forte. Talvez leria Hereges por focar na perseguição aos judeus e gosto de ler sobre.

    http://infinitudedepalavras.blogspot.com.br/

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  5. Esse livro Os Hereges parece ser excelente. Fiquei muito interessada nele e já vou pesquisar procurar por ele nas lojas.

    http://www.ciadoleitor.com

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  6. Olá, todos os livros me parecem interessantes, mas o primeiro e o terceiro foram os que mais chamaram a minha atenção.

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  7. Oie
    fiquei bem interessada em Pssica, parece ser uma leitura bem interessante e do gênero que curto

    BEIJOS
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Lilian, não conhecia a editora e nem os lançamentos.
    Achei uma pegada bem diferente do que leio, mas me interessei por Pssica.

    Lisossomos

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  9. Não conhecia a editora, e foi legal ver os seus lançamentos.
    Apesar de nao ter me chamado a atenção os livros, sempre é bom conhecer mais.
    Beijos

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

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  10. Olá

    Sabe que não conhecia essa editora ainda o.O
    Mas infelizmente nenhum dos lançamentos chamou minha atenção, o único que achei mais interessante foi Pssica.

    Bjos
    rillismo.blogspot.com.br

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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