Resenha - Enquanto Bela Dormia




05 maio 2016



Enquanto Bela Dormia, 368 páginas, Editora Arqueiro para mim foi uma bela surpresa, mesmo que eu já houvesse me interessado pela obra apenas lendo a sinopse, não imaginaria que a leitura fosse ser tão gratificante, mas ela foi e conseguiu superar todas as minhas expectativas.
A Obra nada mais é que uma releitura do conto de fadas clássico da Bela adormecida, mas sem as fadas, a autora optou por escrever a sua história por uma ótica realista e narrada pelo ponto de vista inesperado de uma criada, algo que vem romper completamente com a imagem elitista que os contos de fadas criaram de que só os nobres tinham importância, como se as outras classes dessa pirâmide social não tivessem outro ideal na vida senão o de servir.
Elise era uma garota pobre que vivia numa fazenda com sua mãe, seu pai e uma penca de irmãos. Lá, eles trabalhavam para sobreviver e assim o faziam, seu pai, é lógico, nutria ideias machistas de que mulheres pobres não precisavam de instrução, mas, como sua mãe era uma mulher instruída desde cedo, ela quis preparar a filha para buscar um futuro melhor. E Elise sempre se esforçou, entre um trabalho e outro a aprender tudo o que ela lhe ensinava. Desde pequena Elise sempre se perguntou porque o pai a tratava com tanta frieza e o porquê de sua mãe, uma mulher tão instruída haver se casado com um homem como ele e passado a viver numa labuta desgastante, ao invés de viver como a sua tia, que era esposa de um comerciante e tinha uma vida confortável na cidade. Alguns anos mais tarde, devido a crueldade de outras crianças ela veio a descobrir o motivo e, desde então, passou a sonhar em partir para a corte e lá tentar a vida de criada no palácio.


Tempos depois, uma sombria doença alastrou-se na fazenda e dizimou o rebanho e boa parte da sua família, Elise milagrosamente devido aos incansáveis cuidados de sua mãe sobreviveu e pouco depois sem outras perspectivas acabou partindo para cidade, em busca da ajuda da tia para conseguir uma colocação de criada no castelo, onde pouco tempo depois ela passou a trabalhar. Nesse caminho, ela acaba por conhecer um jovem por quem se apaixona e cai também nas graças das pessoas certas o que a leva a subir de cargo rapidamente e em algum tempo ela acaba tornando-se a criada exclusiva da rainha, a quem passamos a conhecer melhor.
A Rainha foi um dia uma jovem que casou por amor, mas que infelizmente nunca conseguiu dar ao Rei o tão sonhado herdeiro, o que a faz tornar-se uma senhora melancólica e desesperada. Assim como faz com que o amor entre ela e o rei torne-se apenas uma sombra longínqua quando os vislumbres de possíveis revoltas pela coroa começam a aparecer, mas algum tempo depois a rainha descobre-se miraculosamente grávida, dando à luz a uma menina a quem chamam de Rosa. O Rei, então, quebra o protocolo e determina que Bela, um dia assumirá o trono, algo que antes não era possível. Todos pensam, então, que o reino estará a salvo, sem nem imaginar de que esse é apenas o começo da história e que tempos sombrios se aproximam.
E a partir daí, como dizem, é lenda.
Acredito que vocês perceberam que o livro é inspirado na versão da história da Disney. Porém a autora ousou desconstruir toda a aura de fantasia criada e dar aos personagens aspectos reais, o rei e a rainha tinham problemas reais, os problemas que afligiram ao reino eram de cunho político, em busca de poder. Casamentos por amor, casamentos sem amor visando apenas busca por Ascenção social e um futuro melhor, inveja, amargura... Sempre problemas reais, no melhor estilo “A Guerra dos Tronos”.
Em minha opinião, uma das melhores jogadas da autora, foi a nova visão que ela deu a maldição de “Malévola”, que nessa trama aparece como Millicent uma tia solteirona do rei. A transformação desse acontecimento “magico” da história numa causa real e completamente plausível, elevou para mim o status do livro a: VALE MUITO A PENA SER LIDO.
Eu particularmente amei o desenvolvimento dos personagens, que são muito bem caracterizados, tanto física quanto psicologicamente e capazes de nos cativar com seus trejeitos e suas valiosas histórias de vida. A Ambientação da obra também foi excelente e detalhada, o que nos leva a em muitos momentos vislumbrar aqueles cenários medievais e passear pelo castelo ou pelos campos e ruas da cidade. A Narrativa da Elizabeth Blackwell foi gloriosa, ela conseguiu conduzir uma trama já conhecida com maestria e nos surpreender com algo novo por diversos momentos, além de acrescentar a trama alguma sensualidade, já que essa é um ingrediente fiel a vida real, tudo isso com muita fluidez. Em alguns momentos acredito que ela pesou um pouco no “drama” de algum personagem, mas não acredito que isso possa ter prejudicado a obra de alguma maneira.
Então, é isso, eu adorei a leitura e recomendo muito a todos, espero que gostem, assim como eu gostei.
Beijos, Adeus :*


10 comentários:

  1. Adoro releituras de contos de fadas clássicos, ainda mais por ser de uma princesa que curto, a Bela adormecida! E ainda mais maneiro que é algo mais realista, sabe? Alem de tudo ainda narrada pela criada! Demais! :D Ah, pensei na hora em GoT! Hehehe. Quero ler!!!
    Beijos, Min

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  2. Ah meu Deus! Esse livro tem uma capa linda! E quero muito ele, amei sua resenha e pretendo comprar ele logo!

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  3. Oii!
    Adoro livros inspirados em contos de fadas, e sempre é difícil achar um que realmente nos cative. Amei a resenha e espero ler em breve!

    Vitória, www.vicio-de-leitura.com

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  4. Oioi! Tudo bem?
    Achei tão lindo a capa do livro Enquanto Bela Dormia.
    Eu sempre gostei mto de releitura e sendo de contos de fadas fico ainda mais curiosa.
    Gostei do modo que apresentou o livro e aumentou a vontade de ler.
    Otimo post.
    Beijos.

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  5. Olá!
    Sou apaixonada por releituras, principalmente se forem sombrias. Eu fiquei fascinada pela capa deste livro e ao ler a sinopse e descobrir que de fato é uma versão extra-sombria de A Bela Adormecida. Pronto. Foi o suficiente para me conquistar. Parabéns ótima resenha!!
    Ni
    Cia do Leitor

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  6. Eu amo releituras, de vários estilos e lógico que não poderia deixar essa de fora. Já iniciei a leitura e estou adorando acompanhar a história por essa nova perspectiva.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  7. Oii Kris, tudo bom? Adorei demais tua resenha!! Desde o lançamento desse livro fiquei com muita vontade de lê-lo, mesmo não sendo uma fã de releituras. Ainda assim esse me chamou atenção. Só por ter citado GoT me ganhou completamente! Agora fiquei ainda mais ansiosa para ler *---* Fico feliz que tenha superado tuas expectativas assim.
    Beijão!!
    Gaby

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  8. Oiiie
    eu acho bem legal essas releituras, ainda não li nenhuma que saiu recentemente mas essa parece ser super legal e me deioxu bem curiosa

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  9. Oie!
    Tenho visto muito essa capa durante os últimos meses e fiquei curiosa para saber um pouco mais sobre a obra além do fato de se tratar de uma releitura. Fiquei animada por você ter gostado do trabalho final e de a autora ter trazido novos elementos a estória. Espero poder ler logo logo ^^
    Beijos,
    Andy - http://www.starbooks.com.br

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  10. Eu li esse livro e também gostei muito de como a autora desenvolveu a narrativa. Eu espera outra coisa, mas a autora foi pelo um caminha muito mais ousado, trazendo um história totalmente plausível, com fatos curiosos.

    Beijos!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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