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Resenha - Borboletas não morrem jamais





Em 2017, o assassinato de Dandara Kethlen, em Fortaleza, foi exaustivamente compartilhado nas redes sociais entre alguns horrorizados e os apoiadores dos 12 ‘pessoas de bem’ que cometeram o crime. Torturada em plena a luz do dia entre xingamentos, chutes, pauladas e tiros, o vídeo desse ato criminoso ganhou as redes sociais. Dandara morreu por ser travesti. Foram necessários 12 homens para tirar a vida de Dandara, incluindo o que filmou o vídeo. Homofobia mata. A homofobia é alimentada por pessoas de bem assim como o terrorismo. Pessoas de bem, em nome de Deus (coitado), acreditam que a morte de Dandara é ‘mimimi’.


Dandara era uma exímia jogadora de futebol

No livro O Casulo de Dandara, de Vitória Holanda, publicado pela Editora CeNE, conhecemos a vida de Dandara para além de um vídeo de execução, sua vida pessoal entre amigos, família, a infância, sonhos, influências artísticas e midiáticas, a música que mais gostava: ‘Boys Don’t Cry’, etc.

Mona, nasci garota, querida

Filha de Dona Atônia, que teve nove filhos, na infância, Dandara gostava de brincar de boneca e na adolescência, jogava futebol. Mais tarde, ela passa a conhecer e reconhecer seu corpo e sexualidade...


Ela era chique, cruzava as pernas

O livro mescla entre a história de Dandara e a autora, inspetora de Polícia Civil, amiga de infância e investigadora do caso. O olhar sensível de uma mulher que já foi criança junto de outras crianças e o ódio não ditava regras.

Escrever sobre Dandara e sua vida talvez não convença algumas pessoas as quais acham que ser travesti é uma doença, que é falta de vergonha ou simplesmente acreditam que ‘meninos vestem azul e meninas vestem rosa’. Entretanto, é uma forma de mostrar que ser travesti na vida dela não foi uma escolha de criança influenciada na escola ou na mídia.
Ela nasceu Dandara.

A história de Dandara é a de uma borboleta, mas o ódio e a falta de oportunidades não permitiram que essa borboleta voasse em vida. Sua história não será esquecida, seu nome roda o mundo e Dandara, mesmo injustiçada e morrendo de forma tão cruel e desumana, assim como Marielle Franco, vive! Demorei mais tempo que natural com esse livro, tanto para ler, como para consegui resenhar. Relembrar a história, o vídeo de sua morte passar diversas vezes em minhas redes sociais, me causou profunda dor, mas nada que se assemelhe ao sofrimento de sua mãe e familiares e, principalmente, nada que se assemelhe ao sofrimento de tantas Dandaras assassinadas, agredidas e violentadas em seu direito de amar.

12 comentários:

  1. Triste demais ainda termos que conviver com pessoas tão desumanas. Deixar de lado o respeito à diferença do outro e querer ser único em sua razão. Estamos rodeados de boas intenções tóxicas e perigosas! Triste demais!

    Que bom que ainda temos a literatura, para amenizar um pouco a nossa dor!

    Um abraço Lilian!

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  2. Meu Deus,
    garota? Você não cansa de trazer resenhas sobre livros relevantes não? Eu amei demais a sua resenha!! Eu lembro bem de quando o vídeo viralizou e a forma desumana que a Dandara foi tratada até a morte, o Brasil segue sendo um dos países que mais mata LGBTs do mundo, e se você fizer parte do T o perigo é triplicado, aqui em minha cidade houve um caso com uma moça trans, foi simplesmente arrasador porque ela era conhecida de amigos meus, a família ficou devastada. Preciso agradecer mais uma vez por você trazer uma resenha do outro livro tão importante e relevante.
    Sabe é tão triste conviver com esse tipo que acontecimentos, eu não entendo qual a dificuldade de ter empatia pelo próximo, de ver que acima de qualquer outra coisa existe um ser humano igual a qualquer um, é muito triste e muito assustador ser LGBT numa sociedade tão perversa e preconceituosa.

    Beijos!
    Eita Já Li

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  3. Duro que essa é uma guerra que não tem fim. Queria que não houvesse mais Dandaras que sofressem de forma tão desumana só por quererem ser quem elas são. Resenha emocionante.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  4. Se não me engano, essa é a segunda resenha qe vejo sobre esse caso.
    É devastador, né? Triste demais!! Eu fico sempre abismada em saber do que nos, seres humanos, somos capazes de infligir uns aos outros.
    Carol, do Coisas de Mineira

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  5. Oiii

    Ja havia visto uma vez um comentário sobre o livro, história super triste e que merece sim ser lembrada e comentada, pra que fique marcada na memória da gente. Quanta injustiça nesse mundo, hoje em dia se mata por qualquer coisa, principalmente por não aceitar aquele que ousa ser diferente ou ousa defender o que acredita e deseja.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Eu não conhecia esse livro, mas devo dizer que fiquei realmente interessada na premissa (sem contar que essa capa está linda!). A borboleta parece uma metáfora, né? Afinal, tudo o que ela enfrenta é algo que acontece em nosso cotidiano. Adorei. Vou anotar essa dica!

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  7. Olá,
    Realmente um assunto que sempre tem que ser discutido para que outras pessoas tenham noção da gravidade do preconceito e de como isso arruína a vida de muitas pessoas. Não conhecia o livro, mas achei interessante, a capa está bem linda.

    Debyh
    Eu Insisto

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  8. Olá, tudo bem? Nossa eu me lembro dessa caso, e me pergunto aonde a humanidade está chegando? Com certeza sua morte não será em vão, onde teremos justiça. O livro deve ser uma mistura agridoce interessante. A metáfora é realmente algo grandiosa, e que nos faz refletir. Dica mais que anotada!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com/

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  9. Olá!
    É claro que fiquei sabendo do ocorrido quando ele aconteceu, mas acho que fui uma das pessoas que simplesmente não conseguiram assistir. Só de saber de algo assim eu já me sinto mal e eu sabia que passaria mal assistindo. Eu não sabia que teria um livro sobre a vida dela, achei maravilhoso e espero que mais pessoas possam ser tocadas ao ler.

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  10. Muito obrigada por resenhar este livro Lilian! Esta leitura é necessária para ajudar na luta contra a transfobia/travestifobia! Um abraço, querida!

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  11. Oi, tudo bem?
    Eu confesso que ainda não conhecia esse livro, mas deve ser uma leitura extremamente impactante e necessária. Pensar em tudo que Dandara sofreu, não apenas o assassinato nas mãos de pessoas tão cruéis, mas todo o preconceito que enfrentou ao longo da vida, me deixa muito revoltada. Mas acredito que leituras assim são fundamentais para enfrentar o preconceito e a intolerância.
    Adorei a resenha e já anotei a dica.
    Beijos!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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