Era
uma vez uma chave que vivia no bolso de um homem. Durante muito tempo
desempenhou com honestidade o seu trabalho de abrir portas. Até que um dia
descobriu que todo o seu trabalho tinha consistido sempre em abrir portas que
já estavam abertas. Quando descobriu isso lançou-se corajosamente para fora do
bolso. Caiu no chão. Ficou ali. Passa uma criança vê a chave e diz que coisa
tão engraçada para fazer um carrinho.
(Ana
Hatherly. Poesia 1958-1978. Moraes Editores.)

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.
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