1
poeta
ele
pegou um girino na mão
a
menor coisinha do mundo
tão
frágil
tão
inútil
tão
fácil de pisotear
e
fez carinho
como
num bicho da gente
e
ali eu vi:
ele
é mais poeta que eu.
2
oração
que a vida seja gentil:
estique o tempo e prepare este espaço
articule melhor as palavras
e os dias
solte o que for necessário
seja som
espirro
resmungo
ou uma mão
que faça cócegas no lugar de doer
e inunde o corpo
ainda que só.
3
anoiteceu
encontram-se
na madrugada dois:
não
tem fim
o
escuro
não
tem fim
o
cão.
tomados
pelas longas horas de noite
no
desejo de amanhecerem vigorosos
num
outro dia
quase
descansam.
SOBRE A AUTORA:
Maria Luiza Firmino
nasceu em Salto Grande, uma cidadezinha do interior de São Paulo, em 1997. É
professora, corretora de redação e escritora. Possui poemas publicados em
coletâneas e, recentemente, publicou a obra de contos A solidão do gato preto.
@marialuiza_firmino

Nenhum comentário:
Postar um comentário
O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.
Instagram: @poesianaalmabr