Onde habita o fantástico em AnaCrônicas?




13 outubro 2013


Ele chegou a tempo e espera ali, no local conhecido por poucos. Pretende levá-lo a um mundo jamais visitado por outro ser igual a você. Nem as magias mais obscuras poderiam proporcionar tal prazer ao texto. Do outro lado será somente você e as narrativas fantásticas de Ana Cristina Rodrigues.

A introdução serve para ilustrar o que seguiremos em discussão, a respeito da experiência individual do leitor e o fantástico na obra AnaCrônicas.

O coelho, referência declara a Lewis Carroll, é a personagem integrante do primeiro conto dessa reunião de pequenas histórias mágicas, como a própria publicação traz de subtítulo. Seguem outras 19 narrativas com uma peculiar representação do fantástico. Se tomarmos como base a experiência fantástica transcendente do texto e pertencente ao seu leitor, teríamos aqui a concretização desse pensamento.

A afirmação da magia ou a explicação para ocorridos muitas vezes fica implícita e nos abre caminhos possíveis. Há muito além do que estamos prontos a acreditar e são lançadas possibilidades infinitas. O fantástico está presente no ato da leitura e na experiência de perceber o mundo a seu modo.

Poderíamos citar um trecho da obra de Todorov, Introdução à Literatura Fantástica, ao qual o próprio destaca o pensamento do filósofo Vladimir Soloviov, que diz: “No verdadeiro fantástico, fica sempre preservada a possibilidade exterior e formal de uma explicação simples dos fenômenos, mas ao mesmo tempo esta explicação é completamente privada de probabilidade interna”. E Todorov ainda completa: “Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico.”

Esses dois pensamentos podem ser notados em diversos contos de Ana Cristina Rodrigues. Intitulado “Viagem à terra das ilusões perdidas”, talvez possa ser tomado como exemplo. Há aqui uma personagem que entoa uma conversa, contudo a autora nos omite as possíveis respostas e qualquer informação adicional. Ao leitor fica a possibilidade de montar o diálogo e mesmo que o contexto das falas principais encaminhe a um possível significado, ainda é preciso reconsiderar este diante da figura falante. Uma ilusão, como o título propõe? A resposta só poderá ganhar forma nas últimas linhas e estará à mercê.

A autora cria universos cuja hesitação do leitor, uma das principais características do fantástico, é experimentada com ousadia. Octávio Aragão na introdução apresenta Rodrigues como uma “... desbravadora que não tem medo de abrir caminhos...”.

Tão perceptível, também, encontramos a figura feminina acentuada nos pequenos contos. Elas são feiticeiras em busca de vingança, seres amaldiçoados e mãe. No conto “O mapa da Terra das Fadas”, a autora recria uma experiência própria com a morte de um bichinho de estimação e os sentimentos do filho. Interessante nesse conto e notar as percepções da fantasia, o mundo real e o imaginário.

As raízes nacionais são marcadas em “A Princesa de Toda a dor”, narrativa que contracena em um ambiente próximo de histórias indígenas.

Enfim, AnaCrônicas deverá ser apreciados com agradável cautela, talvez com um chá e companhias malucas. Se depois do chá ainda tiver dúvidas a respeito do título da resenha, o melhor conselho seria: Troque logo suas amizades!

Por R.S.Merces

5 comentários:

  1. Fiquei com tanta vontade de ler esses 20 contos.
    Eu não sou muito de ler contos mas adoro histórias mágicas, e foi isso que mais me chamou atenção.
    Quero muito ler!

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  2. Eu adoro esses contos que são de fantasias. Estou sempre lendo alguns.

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  3. acho maravilhoso esse contos , é bem misterioso e me encanta, gosto demais sempre de ler

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  4. amo contos, gostei dessa sugestao pretendo conhecer hehe

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  5. não curti muito , não parece m uito ser o meu gênero de leitura

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