Resenha: Graffiti Moon – Cath Crowley




08 outubro 2015


Graffity Moon foi uma agradabilíssima surpresa!
Comecei a leitura da Obra sem muitas expectativas e após algumas páginas viradas já me encontrava imersa na história.

A história narra uma aventura que se passa em menos de 24 horas, enquanto um grupo de amigos, ou talvez não tão amigos assim, comemora o fim do colegial.
Nela, acompanhamos os Jovens Ed e Lucy num reencontro visceral, após um primeiro encontro drástico e anos de afastamento, acompanhados por seus amigos: Jazz, Leo, Daisy e Dylan.
A História começa quando Lucy, convencida por Jazz, sua amiga mais louca, decide sair em busca do Sombra, um grafiteiro que ela nunca viu na vida, mas que a conquistou com suas obras, ele trabalha sempre em dupla com alguém que assina como Poeta e poucas pessoas conhecem as suas reais identidades.
Sombra desenha com a alma enquanto poeta escreve com o coração e essa dupla espalha sua arte pelas madrugadas da Austrália, por isso quase ninguém sabe quem eles são.

O resumo da história pode parecer bobo, mas é porque eu preferi ser superficial nele e assim permitir aos futuros leitores que se surpreendam com as pequenas surpresas que a história nos proporciona. Eu terminei a leitura completamente deliciada. Primeiro porque a trama transpira Arte, desde a arte de rua em forma de grafite, arte moderna através de pintores contemporâneos, as descrições do trabalho que a Lucy faz com vidro a inspiração do velho Buk ao longo da narrativa.
É minha gente, Eu falei de Charles Bukowski. É notável a influência da poesia do velho safado no desenvolvimento da história.

O livro é uma história de adolescentes e é narrado pelos pontos de vista de três adolescentes, Lucy, Ed e algumas vezes recebemos a história através de uma poesia do Poeta.
A narrativa é intensa, como a noite de Lucy, que trafega da nostalgia ao perigo em poucos minutos. A poética do livro é tocante, não só nos momentos que nos deparamos com os escritos do Poeta, mas também na maneira que a autora descreve os acontecimentos. Ela encaminha o texto de uma maneira doce e vai nos encantando aos poucos, nos emociona, faz rir e vibrar de expectativa pelos próximos acontecimentos. É improvável que você não se deixe cativar pelos personagens, cada um tem suas próprias características peculiares e são muito fáceis de identifica-los se não conosco, com alguém que conhecemos e amamos. Até o vilão que aparece na história é estranhamente engraçado e interessante. Lucy é uma protagonista muito interessante, uma artista nata, que começou a se descobrir trabalhando com o vidro. Ela é determinada e tem o temperamento super forte, encantou-se com o trabalho do sombra, por conseguir ler nas entrelinhas dos desenhos as mensagens interiores do artista e ver nelas tudo aquilo que ela deseja em um parceiro. Ed é um garoto problemático, mas inda assim responsável, foi criado apenas pela mãe e após ter algumas dificuldades na escola, resolveu largar tudo e trabalhar para ajudá-la nas despesas da casa. Acabou o namoro recentemente, perdeu a pessoa que ele tinha mais próximo a imagem de um pai e desde então, vive imerso na própria cabeça, onde se esconde em seus segredos.
Gostei muito da escrita da Cath, espero ter a oportunidade de ler outras obras dela. Ela conduz a narrativa de uma maneira muito agradável e acrescenta ao longo do seu texto várias informações que são um atrativo a mais no conjunto. E se tudo isso não fosse bastante, o livro ainda aborda temas fortes, como a ausência da figura paterna, a conciliação do trabalho e da vida escolar na adolescência e o que a dislexia pode causar na vida de uma pessoa. Além de entretenimento, a leitura de Graffiti Monn ainda nos adiciona conhecimento cultural sobre arte e poesia, fora a deliciosa dose de cultura australiana que recebemos.

“Pode me beijar, eu penso. Vamos lá me beija. Pelo menos passa a mão na minha bunda. Não é muito Jane Austen da minha parte, mas hoje à noite eu percebi que Jane Austin tem hora e lugar.” – Lucy

“As portas trancadas levam ao céu. Ele se espalha pelo teto do trailer azul mudando para branco e voltando para azul. De algum modo os pássaros sabem que as portas trancadas são as que conduzem a um bom lugar.” – Ed
Aqui
Ela diz que vai me perdoar
Diz que só dessa vez
Diz vai em frente e me beija
Diz enrola o meu cabelo
Diz era isso mesmo que eu estava procurando
Diz que está feliz porque o frio chegou
Eu digo que quero vê-la amanhã
Ela aponta o dedo pro céu
E diz que é aqui” - Poeta

Recomendo sem dúvidas a leitura, é um Young Adult divertido, dinâmico e que apesar de romântico não é meloso, como é comum ao gênero. Após a leitura, fiquei imersa numa grande sensação de quero mais.
Beijos


9 comentários:

  1. Oi! Tudo bem?

    Nunca tinha ouvido falar na obra. É tão bom quando em poucas páginas já somos cativados pela obra, não é mesmo?! E sim, em um primeiro instante a trama parece superficial e desanima. Mas sua resenha foi aos poucos aguçando meus sentidos e agora quero muito ler! :D Principalmente por não ser meloso. ótima resenha.

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  2. Oie!!!
    Ainda não tinha ouvido falar desse livro e sinceramente pelo nome não me chamou atenção mas, sua resenha me deixou bastante curiosa e acho que talvez eu dê uma chance pra ele.
    Adorei, beijos!!
    ;**

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  3. Olá!
    Já conhecia o livro por alto, mas confesso que ele não chama muito a minha atenção. Talvez o leia futuramente por curiosidade, mas acho que no momento, não.
    Bela resenha!
    Beijos!

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  4. Olá, flor.
    Adorei sua opinião sobre a obra. Há muito tempo quero lê-la, mas confesso a você que acabava deixando-a de lado. Agora, vendo sua resenha, percebo que vou adorar a história se investir nessa leitura. Parece o tipo de romance que nos marca, não por ser meloso, mas por ser bem desenvolvido.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  5. Oi Kris :D

    No início achei que se tratava mesmo de uma história bobinha bem sessão da tarde, mas ao ler a resenha fui notando que o livro tem algo que vai além e que provavelmente irá me proporcionar ótimas horas de leitura. :D

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  6. Tá bem na moda narrar a mesma história de diversos ponto de vista. Acho isso legal porque fica mais compreensível o que de fato está acontecendo. A história é bem diferente. Achei bem interessante, ainda mais eu que gosto muito desse universo adolescente. Gosto muito de arte, e como poesia e grafite estão representando aí, isso me deixou um pouco mais curioso sobre o todo.

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  7. Oi, não conhecia a obra e apesar de parecer uma história boba de adolescente eu curti, porque gosto dessa pegada adolescente onde coisas da vida cotidiana e problemas nessa idade na família sempre aparecem. E além de tudo ainda tem a poesia, o toque poético que você citou. E isso tudo em menos de 24 horas? Fiquei bem curiosa quanto a história viu, se conseguir lerei sim.

    bjs

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  8. OI Kris!
    Não conhecia a obra, mas adoro livros com adolescentes, ainda mais que nos ensinem algo e esse parece ter muito sobre arte e poesia, como você disse. Acho que o leria sim, se caísse nas minhas mãos!
    Beijos

    LuMartinho | Face

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  9. Não tinha ouvido falar da obra e achei a história bem interessante por nos apresentar a arte de diversas maneiras e o fato de ser um romântico não meloso me deixou mais curiosa ainda.

    Lisossomos

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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