Resenha - Fragmentados




11 novembro 2015


Fragmentados, uma distopia publicada pela Editora Novo Conceito, fala sobre 3 jovens diferentes que compartilham do mesmo futuro destino: eles serão fragmentados. Mas o que seria uma fragmentação?


Segundo a Lei-Da-Vida [um conjunto de emendas constitucionais], a vida humana jamais deve ser tocada até que o indivíduo complete 13 anos. Dos 13 aos 18, ela pode ser fragmentada, abortada... Tecnicamente falando, essa vida não terá fim, mas todas as partes do corpo irão ser transplantadas em outros indivíduos... E os fragmentados estariam vivos durante o processo...

Connor é um jovem problemático e seus pais assinaram o acordo com o governo para sua desfragmentação. Quando descobre, resolve fugir de casa. Ele tem apenas 16 anos. Durante sua fuga, encontra Risa, uma garota de 15 anos, que vivia numa espécie de creche, e para conter gastos, resolveram mandá-la para a 'Colheita', que é o local onde os jovens rejeitados por suas famílias e instituições passam pelo procedimento...

Lev é um dízimo. Ele já nasceu destinado a ser fragmentado. E aceita seu destino, embora o tema. Mas é considerado um privilegiado, pois os dízimos são considerados uma classe 'alta' entre os fragmentários. Sua família religiosa o ofereceu para que seus pedaços habitem outras pessoas, e salvem vidas. Ele seria a parcela de 10% que os fiéis entregam às suas igrejas, pois será entregue ao Governo para ser fragmentado. Ao contrário de Risa e Connor, ele não quer fugir a seu destino, e chega a atrapalhar os outros dois em alguns momentos.

Esses três adolescentes têm seus destinos selados e acabam como fugitivos, e após uma série de percalços durante a fuga, acabam 'salvos' por algumas pessoas que parecem fazer parte de uma organização que resgata fragmentários até que eles completem 18 anos e enfim possam se ver livres do Sistema. Se eles não forem aprisionados até lá, podem se considerar livres.

Eles vão para um lugar chamado Cemitério, mas, lá ocorrem várias intrigas e Connor precisa agir para não ser capturado, para sobreviver e proteger Risa, por quem já está apaixonado. Ele se depara com centenas de outros fragmentários, alguns bem hostis com relação a ele e é preciso agir com cautela para que não sejam descobertos e capturados...

A escrita do autor Neal Shusterman é densa, e deixa o leitor numa ânsia incontida durante boa parte do livro. Confesso que em certo momento, parecia que a história diminuiu de intensidade, mas logo retomei o ritmo da leitura e daí não consegui pausar até chegar ao fim de suas 320 páginas... Por se tratar de uma série, o livro não tem um final fechado, dando margem para sua continuação, e me encontro nesse momento ansiosa para que os outros livros sejam publicados.

Fazia tempo que uma distopia não me prendia dessa forma. Ela traz várias críticas sociais incutidas em suas linhas; questões como o fanatismo religioso, hierarquias sociais, ética, aborto, os transplantes, entre outros. Me deu uma agonia descobrir como se dava o processo de fragmentação em um dos personagens secundários - porém importantes - da trama. Senti o drama do jovem ali, durante seu 'desmanche consciente'...

Em suma, recomendo a leitura de Fragmentados àqueles que estão buscando uma leitura frenética, densa e de ótima construção de diálogos. Você não vai se arrepender de adquirir a obra...

11 comentários:

  1. Oi Maria Valéria, como vai?
    Notei que essa história em vários aspectos é parecido com aquele filme A Ilha, não sei ja assistiu ouviu falar? Ele também uma distopia onde as pessoas são criadas para servirem de doadores de órgãos porém eles não sabem disso. O filme é muito bom e eu super recomendo.
    Gostei muito da premissa do livro e da sua resenha e fiquei ansiosa pra poder ler, vou com toda certeza adicionar a minha lista de desejados.
    Espero que lancem logo o segundo pra acabar com sua angustia.
    Beijo
    www.livricios.com

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    1. sim, já vi A ilha e a premissa é bem isso mesmo... adoro aquele filme... :D
      Espero que goste da leitura de Fragmentados ^^

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  2. Distopias não são meu forte, confesso. Mas me arrependi de não tentar ler esse livro. Gosto de boas criticas sociais e esse livro pelas resenhas que li tem bastante.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  3. Oi, tudo bem?
    Eu amo distopias e ouvi ótimos comentários sobre fragmentados, então tô muito curiosa para realizar essa leitura!
    Bom saber que os diálogos são bem construidos!

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  4. Olá!

    Achei a premissa muito interessante, mesmo que não seja exatamente original, mas no momento estou bem cansada de distopias. Vou deixar a leitura pra mais tarde.


    www.thunderwave.com.br

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  5. Esse foi o melhor do gênero que li até agora. Fiquei vidrada na leitura também e super ansiosa para saber o que iria acontecer a seguir. Uma leitura bem frenética, com certeza! Gostei de saber que a leitura te agradou tanto :)
    Beijos

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  6. Oi, tudo bem?
    Só tenho lido muitas resenhas positivas sobre este livro, mas ainda não comprei, sei lá, sempre entra naquela lista de comprar depois.
    Gostei muito da sua resenha.
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

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  7. Olá, eu estou com esse livro para ler aqui mas não tive tempo ainda, estou bem curiosa apesar de não gostar muito de distopias, esse é um que chamou minha atenção. Parabéns pela resenha!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  8. oi ^^
    li esse livro recentemente e gostei muito, mas ao mesmo tempo senti a mesma coisa, parece q dava uma diminuída na intensidade.
    espero que a continuação seja boa, e adoro distopia. não pensei q ia gostar tanto dessa como gostei.
    Seguindo o Coelho Branco

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  9. Olá Maria tudo bem?
    Eu gostei muito da sua resenha e confesso para vc que estou ansiosa para ler esse livro que de fato parece ser incríveL.
    Só não o li ainda, pois estou esperando o lançamento do segundo porque fiquei sabendo que o final desse livro é desesperador haha

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  10. Oi, flor. Gostei mesmo da sua opinião sobre essa obra… Acho que Fragmentados veio para provocar diferentes reflexões sobre até que ponto podemos julgar se a vida de alguém é benéfica para a sociedade. Quero dizer, até que ponto somos justos ou apenas parciais? Gosto muito desse tipo de questionamento e acho que vou adorar a leitura dessa obra.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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