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Ninguém para a empurrar





Por detrás de cada grande homem,
ouvira dizer,
estava sempre uma grande mulher. Por detrás
de cada grande mulher, seria provável,
haveria sempre um grande homem.
Olhava em volta e não via nenhum,
nem antes nem após.
Ninguém para a empurrar, ninguém
atrás de quem se pudesse esconder.
Era apenas ela,
tão crua quanto a roupa que tinha despido.
Baça, suja e sem
valer o trabalho de a apanhar do chão.

(Ou talvez,
e esse seria o seu problema,
não houvesse nela nada de grande.
Nem as mãos, nem as mamas,
nem a boca, nem a cona,
nem o tempo, nem a escrita.
A mediocridade, sabia-se,
tem-se sempre a si mesma
como termo de comparação.)

(Poesia de Madalena de Castro Campos)

Sobre a autora: Nasceu em 1984, em Lisboa. Fez, sem muito empenho, uma licenciatura em filosofia, e depois uma outra em arquitetura paisagista. Trabalha em Edimburgo, Escócia, na área do design de jardins. Editou na Companhia das Ilhas o seu primeiro livro de poesia: O Fardo do Homem Branco, em 2103. Publica o blogue Les Cahiers de la Mariée.



5 comentários:

  1. Que poesia linda!

    Não a conhecia, nem tampouco a autora, mas fiquei positivamente surpreendido. E, olha, que currículo que ela tem, viu!

    Abraços.
    www.acampamentodaleitura.com

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  2. Acho que ainda não tinha lido nenhuma poesia da autora. Gostei dessa, quantas vezes procuramos pelo grande homem ou grande mulher que deveria estar junto de nós, mas somos só nos mesmos.

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  3. Oi, tudo bem?
    Talvez por não ler poesia com muita frequência, ainda não conhecia essa autora. Mas, por esta poesia, acredito que deve valer a pena procurar outros trabalhos dela. Achei linda, reflexiva e tocante. Vou indicar para amigos que gostam de poesia.
    Beijos!

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  4. Olá,
    Achei bem triste. Tudo me remeteu a uma ideia de solidão e ao mesmo tempo de querer fazer as coisas por si mesmo. Gostei.

    Debyh
    Eu Insisto

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  5. Oi, tudo bem? Que poesia mais profunda. Conforme vamos lendo há diversas maneiras de interpretá-la. Há quem sinta-se sozinho por não ter com quem dividir suas vitórias, ou mesmo quem o estimule a conquistar ou ir atrás de seus sonhos. Um abraço, Érika =^.^=

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma