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Canção/ Eugenio Montejo #PoesiaRotaMundo

 



A minha mãe canta

e eu durmo feliz,

e em sua garganta

ouço uma perdiz.

 

O meu irmão brinca

de vender pra mim

pão, queijo e mel

da sua adega.

 

Na minha escola

desenho mil flores

e um barco a vela

com lápis de cores.

 

Meu cachorro late

para me seguir

pela rua inteira

do começo ao fim.

 

A história acabou.

Despeço-me aqui.

 

Minha mãe escuto,

cantando ao vento

para me dormir.

E em seu canto meigo

ouço uma perdiz.

 

 

(Eugenio Montejo, in Poemas com sol e sons. Coleção Latinoamericana. Melhoramentos Editora, 1ª ed. 2019)

 

 

Sobre o autor:

Eugenio Montejo (1938 – 2008) foi um poeta venezuelano conhecido no mundo todo. Entre suas obras destacam-se: Terredad (1978), O Ateliê Branco (1981), Trópico Absoluto (1982), Alfabeto do Mundo (1986), Adeus ao Século XX (1992) e Partitura da Cigarra (1999)..

 

***

 

Poesia selecionada para o projeto RotaMundo em parceria com o blog Na Literatura Selvagem que neste mês terá poetas dos países: Equador, Colômbia e Venezuela.

Um comentário:

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma