Releituras – A Fada que Tinha Ideias




22 julho 2015


A Fada Que Tinha Ideias, de Fernanda Lopes de Almeida,  primeira Edição 1971, foi uma leitura libertadora. Como diz o Paulo Freire: 'Alívio centenário'. Digo isso, pois, além da miopia e astigmatismo, sou dislexa e hiperativa; o que era um problema no período escolar. Além da pouca, ou nenhuma, compreensão de minhas professoras e responsáveis, ainda precisava encarar o chapéu em formato de cone, com duas orelhas enormes e cantinho da parede por minha aparente burrice em rejeitar o cartesiano.

Logo que, quando me deparei com a história de Clara Luz, uma semente de esperança fora plantada em meu espírito. Pois, com a história dela, me senti representada... uma menina cheia de imaginação e personalidade forte. Na época, de escola, até inventei Abaralda, minha amiga imaginária... também não pensem que nenhum desses livros que cito aqui, foi indicação da escola, com exceção do Ensino Médio, nenhum professor indicou livros, o que fiz, foi por pura curiosidade incentivo de minha avó paterna, que morreu há poucos dias, deixando saudade...
Clara Luz é uma menina cheia de imaginação, não consegue se adequar a espaços ‘enquadrados’ ou ‘policiados’. Ela é uma fada que se recusa a aprender a magia pelo livro das fadas... que realmente precisava ser revisto. 

‘- Mas, minha filha – dizia a Fada-Mãe – todas as fadas sempre aprenderam por esse livro. Por que só você não quer aprender?- Não é preguiça, não, mamãe. É que não gosto de mundo parado.’

Eu bem compreendia, ficar quatro horas sentada num banco duro de escola fazendo atividades esquisitas, me causava dor nas articulações e nó no juízo. Para Clara Luz, o mundo só girava quando alguém inventava. Portanto, se prender a manuais, não geraria atos criativos... O medo da mãe da menina era que a rainha ‘uma velha muito rabugenta’ descobrisse a indiscrição de Clara...

“- Minha filha, faça uma forcinha, passe ao menos para a Lição Dois! – Pedia a Fada-Mãe, aflita.- Não vale a pena, mamãe. A Lição Um já é tão enjoada, que a Dois tem que ser duas vezes pior.- Mas enjoada por quê?- Ensina a fabricar tapete mágico.- Pois então? Já pensou que maravilha saber fazer um tapete mágico?- Não acho, não. Tudo quanto é fada só pensa em tapete mágico. Ninguém tem uma idéia nova!”

Não tive como não lembrar do vídeo, Os perigos de uma história única, da Chimmanda Ngozi Adiche. Transgressora, Clara começou a experimentar, fazer magias novas de causar rebuliço... mas nem tudo está perdido, Clara conhece a professora de Horizontologia, que tinha uma visão ímpar sobre a vida.


De imediato a menina se encanta, as palavras daquela mulher pareciam pó mágico que inebria. Na verdade, a magia da professora estava justamente em sua aula, não em um livro cheio de regras.
Eu passei a sonhar com o dia que teria uma professora de Horizontologia, coisa que nunca aconteceu. Porém, nos balanços que a vida dá, acabei por me tornar uma. Uma professora, gente... Se sou da Horizontologia, nem sei, mas tenho plena convicção, que não quero ser o que meus professores foram... ninguém coloca mais o chapéu com orelhas de burro em mim, eu não permito, viro fera; muitos de meus colegas de trabalho, me chamam de idiota, tapada, tudo por não me permitir ser ‘igual’... Isso pouco importa, eu sou feliz!

26 comentários:

  1. Oie,
    Nunca vi e nem li nada sobre este livro (o.o), mas gostei, parece ser muito fofinho e com uma lição oculta no meio da historia, alias, a historia me lembrou um pouco da historia da Matilda....
    Amei sua resenha, e quando achar ele, com certeza irei ler!
    Beijos
    Cantinho da Bruna

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  2. Que linda a sua resenha, fiquei encantada. E uma pena por sua vózinha, meus pêsames. O importante é que você é feliz! Adorei adorei!

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  3. Eu também criei um amigo imaginário quando pequena *----------------* conheço professores daqui e adorariam ter você como colega, EU adoraria ter você como professora quando eu me tornar uma também *--*

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  4. Olá, eu acho muito legal fazer as releituras desses livros que já lemos quando éramos mais novas, pois sempre vamos tirar uma nova lição deles, e achei esse livro incrível, amei sua resenha, a premissa é muito interessante e fiquei muito curiosa!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  5. Olá!!
    Adorei a sua resenha e não conhecia o livro, mas gostei de conhecer um pouco sobre você. Não tive amigos imaginários, mas acho que a escola não é uma boa fase para a maior parte das pessoas. O Importante mesmo é ser feliz, você tem razão e que bom que se tornou professora como era seu sonho, mesmo que não da Horizontologia!
    Sinto muito por sua avó.
    Beijos

    LuMartinho | Face

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  6. Não conhecia o livro e amei sua resenha, um desabafo em forma de resenha que me tirou sorrisos. Adoraria ter vc como professora ainda mais se for de Horizontologia <3
    http://odiariodoleitor.blogspot.com.br/

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  7. Bom dia Lilian,


    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui no seu blog, a capa e o título de imediato
    me conquistaram e a sua resenha só confirmou isso, dica mais do que anotada.

    Abraço.

    www.devoradordeletras.blogspot.com.br

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  8. Amo quando você postas essas releitura fico toda boba,. porque acabo relembrando muito a minha infância e esse eu já qdo criança e gosta muito da história, tenho ele até hoje acredita? rsrs
    bjus

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  9. Ola Lilian adorei sua amiga imaginária, a capa do livro é fofa, o tema abordado creio ser um sonho para todos alunos e professores, para os alunos uma aula que não seja enfadonha e o carisma do professos encante , e ao professor de ter a atenção do aluno ao que ensina. Fico triste de ver a que ponto nossa educação chegou. Gostei muito do livro e já anotei para ler em casa com filhote. beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  10. Olá!
    Que resenha linda! Seu desabafo em forma de resenha me tocou, de verdade.
    Eu ainda não conhecia o livro, mas gostei bastante da história e vou procurar ela para ler!
    Conheço muitos que adorariam ter você como colega de trabalho e professora, viu? :')
    Beijos!

    www.livrosdajess.com

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  11. Oi Lilian, tudo bem?
    Sério que você recebia chapéu de burro? Nossa, na minha escola eu não me lembro de ter algo do tipo, mas isso é injustificável! Não se pode constranger uma criança dessa maneira!
    Fico feliz que você tenha superado tudo e que hoje como professora tente fazer tudo diferente.
    O livro parece ter uma história muito bacana e eu como professora me interessei bastante por ele!

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  12. Lilian, adorei sua resenha e não conhecia o livro.
    Mas o nome Clara Luz não me é estranho.
    Gostei de conhecer mais sobre você e tive amigo imaginário quando era mais nova. A escola nunca é boa.

    Lisossomos

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  13. Oie!!
    Nunca tinha ouvido falar nesse livro mas já me apaixonei pela personagem por sua singularidade.
    Nunca passei por nenhum vexame na escola mas tenho amigos que passavam frequentemente. Isso é triste.
    Seja uma professoara diferente, aceite as diferenças.
    Amei, amei.
    ;**

    www.saladadelivros.com

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  14. Como estudante de Pedagogia, é bom saber que há professores como você, que buscam algo novo e significativo para o aprendizado. Ainda não conhecia o livro, gostei muito da premissa, fiquei curiosa para lê-lo.

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  15. Oi!
    Você é a primeira pessoa que eu conheço que teve amigo imaginario, haha.
    Não conhecia a história da Clara, mas achei bem bacana por ela ser uma jovem muito questionadora, haha.
    P.s: meus pesâmes pela sua avó.

    Beijos
    ummundochamadolivros.blogspot.com

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  16. Oi, gostei muito da sua história. Não posso dizer que entendo o que você passou, porque não sofri nada do tipo, mas achei muito interessante você achar um livro sobre como você se sentia, como se tivesse as respostas que precisava. Fiquei muito feliz em saber que você é uma professora e tenta passar este ensinamento no seu modo de ensinar.
    Beijos Larissa (http://laoliphant.com.br/)

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  17. Olá! Não conhecia esse livro, mas pelo o que você falou ele parece ser bem interessante e fofinho.
    Adorei saber da sua história e que você deu a volta por cima, e hoje em dia já superou tudo. O mundo precisa de mais professores como você! Haha
    beijoos

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  18. Interessante essa Fada que queria ser diferente..... Nas escola nunca me puseram chapéu no canto. minha professora da primeira serie me fez ficar de braços abertos... para que ela visse que eu não estava aprontando....kkkk
    Um abraço.
    ♥♥♥ Amantes de Jane Austen ♥♥♥ | Amantes de Jane Austen no FB

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  19. Não conhecia o livro, mas achei uma graça a sinopse e sua resenha <3 parece bem aqueles livros de escola mesmo haha
    www.belapsicose.com

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  20. Oii!

    Meus sentimentos pela a sua avó :/
    Não conhecia o livro, mas parece ter uma história bem interessante ^^ Muito legal o jeito como o livro te ajudou a passar por essa fase :) Na escola, graças a Deus, nunca colocaram chapéu de burro e me colocaram no canto da sala.

    Beijos, Amanda
    www.vicio-de-leitura.com

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  21. Oii, tudo bem?
    Sinto muito por sua avô :(
    Não conhecia o livro ainda, aparenta ser uma história interessante, livros infantis normalmente são. Que barra sua escola, nunca passei por algo parecido, aqui nunca teve isso de chapéu/orelha de burro ou ficar no canto da sala, ou encostado na parede. E me lembro de uma professora de português do 7º ano eu acho, que tinha um projeto de leitura, eu adorava, cada um que quisesse participar escolhia um livro, lia ele, e no dia marcado comentava sobre ele e o que achou, e para nos incentivar, cada leitura valia uma nota. Era bem interessante.

    Beijos da Jéss ♥
    Brilliant Diamond | Fan Page

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  22. Oi Lilian, foi uma vida complicada na escola em. Tenho um pouco de dislexia também mas andei tratando-a e melhorou muito apesar de me confundir em muitas coisas ainda. Gosto mundo de livros infanto-juvenis acho que ele tem um poder de nos ensinar muitas coisas. amei sua resenha <3
    bjs

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  23. Lilian, o exemplo de sua vida escolar é quase que uma representação da vida escolar de todas as crianças em nossa país. Como a escola é castradora!
    Eu tenho pouco professores que serviram de inspiração na minha vida. Todos eram tão sem vontade de ensina, numa desesperança. São questões profundas os motivos do relativo fracasso no ensino no país. não é o momento para falarmos disso.

    Sobre o livro: parece ser um daquelas histórias inspiradoras, que nos motiva a mudar o mundo.

    Beijos!

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  24. Lilian-flor,
    Que belo relato. Não é apenas uma resenha, mas uma autoexpressão da sua parte que merece congratulações. Uma pena que o sistema de ensino puniu sua liberdade de ser você mesma. Não estamos preparados para quem, de maneira natural, não se enquadra à lógica inquestionável da escola tradicional. Gostei de saber que você mesma se tornou uma professora e, só de saber que ainda guarda com carinho esse livro, tenho certeza de que há mais dessa fadinha irreverente em você do que imagina.
    Sinto muito pela perda da sua avó, flor… Eu sei como é. A saudade tem um gosto agridoce. Com ela, lembramos com carinho de quem amamos e se foi. Mas também nos deixamos desanimar pela perda.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  25. Oi Lilian
    Não conhecia esse livro, mas me interessei bastante pela história, parece ser bem fofinha.
    Agora posso elogiar o modo como faz sua resenha? Mesclando com as suas historias você consegue nos preender e até emocionar, meu parabens.


    beijos
    Mayara
    http://livrosetalgroup.blogspot.com.br

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  26. Oie, tudo bom?
    Achei interessante o que você falou desse livro porque acredito que nossa educação deveria se adaptar aos alunos para extrair deles sempre o melhor, mas infelizmente somos forçados a viver em uma educação massificada.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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