A Literatura de Autoajuda e o Sofrimento da Sociedade.




28 agosto 2015


Estava eu outro dia em uma livraria para participar de um evento literário, quando naquele momento pré-evento, em que os escritores e escritoras ficam trocando ideias sobre (pasmem) livros, nos percebemos arrodeados por estantes de livros de autoajuda. Nessa situação – romancistas cercados por autoajuda – era inevitável que alguém perguntasse (ou insultasse rsrs): “O que vocês acham desses livros?” “Podemos classificar como literatura ou apenas caça-níquéis?” Após um instante de silêncio e entreolhadas as manifestações começaram: sim, não, talvez, depende, não sei, quem sabe? Entretanto não se consolidou o debate, fomos chamados para iniciar o evento e as opiniões ficaram resumidas àquelas palavras, olhares, caras e bocas.



Porém, eu tenho cá minhas impressões sobre o tema e vou dividi-las com vocês, mas peço antecipadamente que aqueles que discordarem mantenha as pedras abaixadas e os que concordarem... Bem, elogios são sempre aceitos e aumentam a autoestima sem nem precisar ler autoajuda.
Mas, antes, me permitam classificar o que é chamado de autoajuda pelo querido Aurélio: Conjunto de técnicas, orientações, informações ou práticas que se destinam à resolução de problemas de caráter psicológico através dos recursos do próprio indivíduo. O Livro de Autoajuda, então, seria uma ferramenta onde poderíamos encontrar as tais técnicas, orientações e informações para por em prática e resolver todos os nossos problemas sozinhos. Já, na Literatura, nós podemos entender de duas formas: a primeira com o sentido de um conjunto de obras escritas de importância reconhecida para um país, época ou categoria, como, por exemplo, o que se classifica de literatura médica ou literatura jurídica; a segunda é como uma obra de arte, uma manifestação artística onde é registrada a imaginação e criatividade de um artista: o escritor. Então a primeira pergunta pode ser respondida: Autoajuda é literatura no sentido da palavra. Já como arte pairam ainda algumas dúvidas, até porque a arte é atemporal, continua maravilhando e modificando mentes para sempre e em geral, a literatura de autoajuda é mais imediatista, está mais relacionada a problemas atuais relativos ao trabalho ou as individualidades da sociedade pós-moderna. Porém, é claro que existem livros de autoajuda que são atemporais, o mais famoso e distribuído dos livros de autoajuda tem mais edições que qualquer romance da Agatha Christie, que vendeu mais de dois bilhões de exemplares, somados todos os livros em inglês e outros idiomas, ou do Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung (900 milhões). Refiro-me a Bíblia com seis bilhões de cópias vendidas/distribuídas no mundo todo.
Porém, nos referimos aqui aos livros atuais e aos sofrimentos contemporâneos que assombram os humanos do nosso tempo. Sofrimento que, segundo Freud surge do corpo, do mundo exterior e dos relacionamentos. Embora existam novas angústias e novos tipos de depressões na pós-modernidade suas origens, acredito, permanecem as que Freud listou, especialmente dos relacionamentos, mas eu acrescentaria a angústia consumista (ou da falta da capacidade de consumir), sendo o consumo tratado como uma das maneiras de completude, de suprir a falta do sujeito, e os shoppings como novos templos nos quais a sociedade adora novos deuses. E aí para minimizar esses novos sofreres muitos “sofrentes” buscam (além de ir às compras) ajuda na literatura de autoajuda, pílulas de sabedoria que podem (ou não) diminuir o sofrimento.



No fim das contas (ou do texto rsrs), precisarei esperar um novo evento para continuar aquela conversa, mas, mesmo sendo psicanalista e acreditando que a cura só acontece (quando acontece) após muito trabalho e dedicação das partes envolvidas, eu não atearia fogo nas estantes que nos cercavam ameaçadoras naquela livraria. Não diria a um amigo que não lesse autoajuda, afinal, se para alguns parece bobagem sem benefícios, que não passam de um pouco de diversão e despertam sorrisos de desprezo, para outros tantos o conteúdo embutido nos conselhos desse tipo de literatura e a sabedoria dos autores (pelo menos de alguns deles) pode fazer, sim, diferença e se através da leitura alguma melhora psíquica surgir, mesmo que de forma efêmera, ótimo, afinal esse é o objetivo: aliviar o peso do sofrimento que carregamos ou aprendermos a viver com ele.  Abraços literários.


12 comentários:

  1. Bem, confesso que comigo os que li não funcionaram, era como se tivesse perdido meu tempo lendo aquilo... xD
    maaas, como vc falou, pra quem gosta, e encontra algo que satisfaça, ótimo...

    Belo texto, Leonardo. Parabéns ^^

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  2. Oi parceiro! Bem eu não sou fã de auto-ajuda Leonardo, mas estendo seu ponto de vista, para algumas pessoas ele é de grande valia, há certos pontos que pessoas se identificam nos pontos apresentados em certos livros, assim como não será apenas os livros que o farão sair dos problemas, acho que a junção dos dois, psicologo ou outro especialista nisso com boas conversas e se a pessoa se sentir bem com um certo livro isso a faça melhorar.
    Mas a questão é, sem a ajuda não conseguiria sozinho, são raros os casos que isso acontece, então ali naquele momento tudo pode valer, tanto livro quanto a conversa, só basta a pessoa estar preparada e disposta a melhorar.
    Ps.: Vou fazer psicologia também.
    http://k-secretmagic.blogspot.com.br/
    Xoxo

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  3. Que nem a maioria diz! Esse tipo de gênero não combina comigo... Não é por que ainda não li, mas eu acho que não me acertaria com esse tipo de livro.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  4. Olá :) Gostei muito de ler a sua opinião, o texto ficou complexo e informativo, :)
    Eu não sou muito "fã" de livros de autoajuda, o gênero não faz muito o meu tipo, entretanto, existem algumas obras que chamam a minha atenção, já li alguns com ótimo conteúdo. :D
    Abraço!! *-*
    Blog: http://my-stories-wonderful-books.blogspot.com.br/
    Página: https://www.facebook.com/BlogWonderfulBooks

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  5. Oi, tudo bem?
    Autoajuda é um gênero literário que eu corro pra longe...rsrs
    Confesso que não gosto desse tipo de leitura, mas não é porque não serve pra mim que não pode ser atraente e benéfica para outras pessoas! Cada um deve ler o que o faz bem e cabe aos demais respeitar os gostos alheios.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  6. Oi!
    Nunca li nenhum livro de Autoajuda e confesso que não e um gênero que me agrade muito, mas como cada caso e um caso já vi muitas pessoas falarem que realmente Autoajuda, então não tenho nada contra autoajuda mas acho que como a literatura em si nem todos vão compensar a leitura !!!

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  7. Oiii
    Não gosto muito de livros de autoajuda, mas esse parece muito interessante pra quem gosta.
    Bjs.

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  8. Oi Leonardo, ótimo texto!
    Concordo muito com você, não podemos desconsiderar esses tipos de livros como 'não literatura' ou atear fogo nas estantes, acredito que todo livro é livro, e realmente pra algumas pessoas esses textos ajudam muito, mas é claro que precisam de para sair de uma depressão e tals é necessário ajuda médica e tratamento, mas a curto prazo, é bom livro, que poucas pessoas gostam, mas toda leitura é válida

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  9. Bom, não sou fã de livros de auto-ajuda, pois para mim todos os outros gêneros já considero algo que sempre me faz bem. Mas de forma alguma eu as ignoro, pois essas obras podem e ajudam a muitos, e devemos sim, dar muito valor á eles.
    Gostei muito do post. Adorável.
    Abçs!

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  10. Olá,Leonardo.
    Não sou uma leitora de autoajuda, mas não tenho nada contra e tão pouco a favor.
    Acredito sim que algumas pessoas podem ler esse tipo de obra e achar algum conforto que não mudará sua vida, mas já plantará uma semente para a mudança.

    Lisossomos

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  11. Olaa
    Eu nunca li autoajuda e nem pretendo, não é um gênero que me atraia então vou deixar passar a dica

    Beijos
    Reality of Books

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  12. É um gênero do qual para mim, não faz diferença. Mas já li alguns e amei, que serviram naquele momento. As pessoas tem que estar de cabeça aberta para ler, aceitar e entender.
    Um otimo post paraêns
    http://odiariodoleitor.blogspot.com.br/

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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