Resenha - O centésimo em Roma




19 abril 2016



Ambientada no século I, depois de Cristo, O centésimo em Roma fala sobre a vida de um centurião chamado Desiderius Dolens, e ao longo de suas 425 páginas, vivenciamos junto com o protagonista aventuras que beiram o cômico em sua jornada para virar um cavaleiro, e deixar para trás a vida de plebeu...

O sonho de Dolens é fazer parte da nobreza, mas isso parece ser um sonho distante. O dinheiro que ele ganha em seu trabalho mal dá pra sustentar as contas de sua família, composta por mãe, irmã, escrava e esposa, pois seu pai é dado como morto, após ter abandonado o lar... Dolens ganha a fama de Carniceiro de Bonna, por ter matado centenas de pessoas sozinho durante um ataque e logo fica conhecido por sua força, mas a população de Roma mal sabe o que realmente aconteceu...

Dolens precisa de duzentos e cinquenta mil sestércios para se tornar cavaleiro, mas ocorrem vários imprevistos e ele nunca consegue juntar a quantia, então se vale de articulações políticas que logo caem por terra, e então ele é nomeado chefe de guarda dos urbanicianos, posto não muito louvável, diga-se de passagem. Logo ele se vê investigando um suposto assassinato, e essa investigação vai lhe render encontros e embates com cristãos que são suspeitos pelo crime. Em paralelo, tem que se desdobrar para manter a família confortável, defender o imperador, não importa quem ele seja - e tentar alçar o posto tão cobiçado, tudo isso contado com uma ironia refinada por parte do autor Max Mallmann.

O centésimo em Roma foi publicado pela Editora Rocco e nos traz uma escrita inteligente e cheia de referências históricas. Ao fim do livro, Max dispõe um glossário com os personagens que aparecem na obra, independente de sua importância ao longo da história. Você pode encontrar na lista um general, uma prostituta que se envolve com Dolens ou até mesmo seu cãozinho de estimação. Há também algumas notas acerca do processo de criação do livro, com textos utilizados pelo autor para criar e ambientar da maneira mais sólida possível a sua história, dando espaço para uma licença poética aqui e ali, que só enriquecem ainda mais a obra...

Apesar da genialidade do autor, a única coisa que não me fez gostar mais do livro foi o fato de - por ser um estilo literário ao qual eu não estou habituada a ler - não me empolgar tanto com sua premissa. Mas isso é uma questão de gosto pessoal, e não influi em nada na criatividade e talento de Max, que presenteia o leitor com uma história repleta de reviravoltas e bom humor, com cenários detalhados que nos transportam à velha Roma de poucos anos depois de Cristo...

Aos apreciadores do gênero, vale muito a pedida...


3 comentários:

  1. Oiii Maria, tudo bem?
    Eu realmente me interessei pelo livro, acredite eu não sei quase nada relacionado a Roma, e quem sabe me ajudaria pelo menos a saber algo, mesmo podendo ser verdade ou não, é sempre bom conhecermos algo que desconhecemos.
    Beijão <3

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  2. Oi, esse livro foge um pouco do meu estilo de livros que costumo ler, mas acho que daria uma chance, já que preciso ler livros que saiam da minha zona de conforto, para conhecer novas obras, e quem sabe, torná-los, gêneros que aprecio.
    bjus

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  3. Olá, tudo bem?

    Achei super interessante. pois mesmo não tendo uma capa atrativa para mim de inicio, ao conhecer um pouco da premissa fica mais atraente, pois achei bem divertido o caminhar do protagonista, parece aquela leitura onde o moço passa por vários perrengues, mas com muito humor. ótima dica.

    beijos
    http://chalecult.blogspot.com.br/

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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