Resenha Histórias de duas cidades - O melhor e o pior da Nova York de hoje




18 julho 2016



Histórias de duas cidades - O melhor e o pior da Nova York de hoje é uma publicação organizada por John Freeman e ilustrado por Molly Crabapple, e traz dezenas de crônicas que falam sobre os absurdos do cotidiano da grande metrópole americana, com suas tragédias anônimas, situações bizarras, peculiares e enraizadas na vida de quem se locomove pela loucura de seus becos, bairros negros e marginalizados em contraste com os arranha-céus de famílias de classe alta.

Publicado pela Bertrand Brasil, as crônicas de Histórias de duas cidades transportam o leitor para as vielas do glamour e do não-glamour escondido pela mídia e cinema. Mostram a Nova York que ninguém acredita ser, pois a pintura que nos chega é de uma cidade rica cultural e visualmente, lotada de turistas gastando seus dólares em butiques e cruzando as pontes de Manhattan em busca de diversão noturna. Mas Nova York não vive apenas de museus, compras na Times Square e musicais na Broadway. Nova York é também a cidade de marginalizados que são expulsos de seus apartamentos alugados a fim de serem reformados e alugados por preços abusivos pra gente branca e rica, é a cidade de taxistas que devolvem o celular esquecido no banco de trás a clientes que vivem de trabalho e não têm vida afetuosa com os filhos. É a cidade em que muitos vivem em abrigos por não terem lugar onde dormir e dependem do governo para sobreviver dia após dia, a fim de não voltarem como fracassados a suas cidades de origem...

A linguagem das crônicas - em sua maioria - conectam o leitor ao ambiente. É possível visualizar os encanamentos dos banheiros compartilhados, o cheiro da sujeira dos lixeiros e o perfume dos executivos nos prédios empresariais. "Viver em Nova York sem dinheiro pode ser particularmente cruel, pois os indícios de riqueza estão por toda parte." Chega a ser surreal imaginar a divisão social encontrada nas ruas de Nova York, em que o pobre se mescla ao rico apenas para nos mostrar o quão díspares são um do outro...

As próprias interações entre os indivíduos soam frias, quando pensamos haver companheirismo, pelo fato de se dividir a vizinhança ou o quarto de um prédio no subúrbio.

"quando eu estava prestes a retornar à cidade de Nova York, [...] e na última hora fiquei sem ter onde me hospedar, ele me mandou uma mensagem dizendo que eu seria bem-vindo à casa dele a qualquer hora. Uma das outras hóspedes, Naquele Último Ano em Nova York, também me enviou uma mensagem dizendo a mesma coisa. Para retribuir o favor, escreveu ela. Como se fosse um toma lá dá cá, simples assim. Não respondi a nenhum dos dois." (Na crônica Toma lá dá cá, simples assim, de Jeanne Thornton.)


Nomes como Sarah Jaffe, Hannah Tinti, Jonathan Dee e até o cofundador do Talking Heads [David Byrne] assinam os textos que compõem este livro. Certamente é uma leitura para quem busca algo diferente, fora de sua zona de conforto e que cumpre bem o papel a que se propõe: entretenimento inteligente, com pitadas de crítica social. Que não caem na mesmice ou monotonia. Uma leitura que foge ao estereótipo de 'mais do mesmo' ou 'lugar comum'...


16 comentários:

  1. Gostei muito da forma como Nova York é abordada nesse livro. Realmente a primeira coisa que pensamos quando ouvimos o nome, é todo o glamour da cidade que nos é passado pela mídia, sendo que tem o outro lado como qualquer outra cidade. Uma visão diferenciada dessa obra, sem dúvida.
    Bjim!
    Tammy

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  2. Olá!
    Eu não conhecia essa obra, gostei bastante de sua resenha. Vou pesquisar um pouco mais sobre os escritores.
    Gostei muito do post.
    beijos.

    meumundosecreto

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  3. Olá

    O livro é realmente algo que foge da zona de conforto e principalmente da minha. Todavia, adoraria embarcar nessa história e descobrir esse mundo divido que há em Nova York, pois acho que me surpreenderia muito com a narrativa, e é algo que eu busco no momento.


    Oxente, Leitora!

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    Respostas
    1. ele fugiu um pouco da minha, mas de maneira positiva. Espero que curta a leitura... bjs :D

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  4. Oiii Maria, como vai?
    Fiquei surpreendida em ver essa obra, porque eu não conhecia e dessa maneira gostei muito da maneira como Nova York é vista e falada, leria com toda certeza.
    Beijinhos

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  5. Olá! Curti demais sua resenha. Vou pôr o livro na minha wishlist por ser um grande fã de crônicas e pela abordagem crítica tão interessante. Adorei!
    Abraço;

    http://estantelivrainos.blogspot.com.br

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  6. Olá,

    Não conhecia a obra mas gostei muito de todo o desenvolvimento da história, pelo que você relatou na resenha. Não é o gênero que eu costumo ler, mas com certeza eu apostaria nessa leitura.

    Abraços
    oblogcaentrenos.blogspot.com.br

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  7. Olá!
    Eu ainda não conhecia o livro, mas gostei bastante da temática abordada por ele. Disparidades sociais são encontradas em qualquer lugar, mas New York é tão glamourizada pela mídia que é bem isso o que a galera pensa mesmo, que é uma cidade rica cultural e visualmente, como se os bairros marginalizados não existissem.
    Gostei muito da dica, vou anotar para ler depois!
    Beijos!

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  8. Oie, nossa eu gostei do livro, vou ter que comprar, mas já é ótimo ver que ela mostra os dois lados da moeda, e ainda ter ilustrações deixa tudo mais vivido.
    Parabéns pela resenha ficou incrível.
    Xoxo

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  9. Nossa que legal, eu não sabia sobre tal livro, mas gostei da premissa, abordar um tema assim não dever ter sido fácil de se construir, mas o importante e que conseguiu captar sua atenção e transmitir o que desejava. ótima resenha, parabéns pelo trabalho.

    Beijos

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  10. Oi! Tudo bem?

    Nunca ouvi falar dessa publicação e, ao ler a resenha, realmente é algo bem diferente do que estou habituada a ler. Para mim seria realmente uma leitura que me tiraria de minha zona de conforto. Todavia, gosto de histórias que trazem em sua essência uma pitada de crítica social. Quero conhecer essa NY retratada na obra, então, darei uma chance à trama.

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  11. Oie
    nossa, é bem diferente do que costumo ler e acho que ainda não conhecia mas é uma ótima dica pra quem foge de temas tipicos

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  12. Oi, Maria!

    Não costumo gostar de crônicas, mas sua resenha está tão boa que me convenceu.
    Consegui sentir o cheiro do lixo, ouvir os encanamentos ruins e ver os contrastes cruéis só lendo o seu texto.
    Já quero ler esse livro!

    Beijos!

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  13. Bom dia Maria,

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, achei bem interessante e acho,que iria gostar, dica anotada...bjs.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  14. Oi, Val.Tudo bem?
    Esse livro chamou muito minha atenção, bem fora da minha zona de conforto mesmo. Acostumada a ver séries e filmes que se passam em Nova York, quando penso na cidade só me lembro do glamour, da riqueza. É bom saber mais sobre essa desigualdade, disparidade. Uma amiga minha falou sobre isso sobre o Rio de Janeiro, que tenta passar a imagem de cidade maravilhosa, mas tem muito por trás.
    Beijos <3

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  15. É interessante porque sempre temos aquela ideia de que lá é tudo lindo, e ler crônicas que trazem uma visão diferente disso é positivo pro leitor que desmitifica essa ideia.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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