Resenha - O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco




02 julho 2016



Ame-o ou odeio-o!

O livro, O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco, Grupo editorial Record, 670 páginas, faz um esplêndido uso da criatividade e de um vocabulário rico em informações de contexto histórico e místico. Talvez, a maioria dos leitores não ligue o título do livro a Jean Bernard Léon Foucault, nascido em 1819, criador de um dispositivo que demonstra o efeito da rotação da Terra em seu próprio eixo em 1851. Confundindo com Michel Foucault nascido em 1929.

O texto é empolgante e exigi do leitor uma atenção e disposição para novos contextos com um enredo extremamente complexo. Traz em suas páginas esoterismo, ciências, crenças, sociedades secretas, um mundo de coisas ocultas dentro de outras já manifestadas. No título dos capítulos foram utilizadas as fazes da Árvore da Vida cabalística. “São os 10 atributos / emanações em Cabala, através do qual Ein Sof revela si mesmo e cria continuamente tanto o mundo físico e da cadeia de reinos metafísicos mais elevados ( Seder hishtalshelus )”. O desenho está presente na página seguinte ao sumário.

Já no início da narrativa, o autor nos brinda com uma discrição detalhada e poética do pêndulo, obra da ciência moderna (1815), a cena se dá no Museu parisiense Musée des Artes et Métiers. O pêndulo de Foucault conta a estória de três amigos, Belbo, Casaubon e Diotallevi, que trabalham na editora Garamond. Com o progresso do enredo, que é narrado em retrospectiva, sabemos que Casaubon e seus amigos entram em apuros, quando a editora recebe um tal Ardenti querendo publicar um manuscrito sobre os Cavaleiros Templários, com umas ideias muito mirabolantes, que a princípio os três não dão muita credibilidade, principalmente Casaubon, que é de todos o mais cético. A trama toma outra dimensão quando logo em seguida, Ardenti desaparece. Com a decisão de investigar, criam “O Plano” e se metem numa enrascada muito maior, já que esse “Plano”, que surgiu de uma curiosidade e de uma brincadeira, acaba sendo levado a sério por uma das muitas sociedades secretas.

O autor explora a cultura ocidental na crença da extinção dos Cavaleiros Templários. Com informações ricas em detalhes históricos e esotéricos, Umberto promove em muitos momentos a dúvida da existência de tais grupos ou ainda utilizando um tom quase pejorativo na discrição e explicação de detalhes do místico e exotérico. Podendo, em muitos casos, desagradar os amantes e crédulos no que é místico. Porém, deixa claro a necessidade da humanidade do místico em detrimento da razão.

Para o leitor que tem o primeiro contato com esta obra de Humberto Eco será possível a impressão de que já viu alguma coisa com esse estilo. Fazendo um resgate na memória vem as obras de Dan Brown, contudo, é possível perceber diferenças perfeitas e profundas.

O livro O Pêndulo de Foucault tem uma discrição perfeita e profunda de seus personagens, ações e situações. É um livro que pode ser considerado um romance policial, ficção, quase um compêndio histórico de detalhes das conspirações que habitam a história da humanidade. Ele usa do simbolismo dos Templários como analogia para uma situação tão contemporânea e crescente nos dias atuais, a do poder de massa de manobra que místicos e formadores de opinião fazem da população crédula e ingênua espiritualmente ou educacionalmente.

Desse modo, minha sugestão é que não desista da leitura nas primeiras páginas ou ainda, se for necessário, utilize um caderninho para os termos que precisão de pesquisa, sei que assim a leitura pode ficar longa, mas, com certeza, será enriquecedora.

Por Lilian Farias

12 comentários:

  1. Eu sempre via os livros do Eco nos mais comprados, mas nunca tinha pesquisado a fundo sobre ele e suas obras. Confesso que pensava que era algo... Não sei, que eu não iria gostar. Porém, toda essa premissa esóterica e essa coisa mais filosófica me deixou bem intrigado para o ler. A sua resenha está ótima mas infelizmente não é um livro que eu leria por agora, já que ele exige mais reflexão do que a mera absorção de seu conteúdo. Abraços.

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  2. Lili, poderia ser você.

    :P
    tá, parei. kkkkkkkkkkkkkkkkk

    mulher, deve ser uma leitura riquíssima. Quem é DB perto de Eco, é??? aHSUAhsusuhaushau

    Um dia talvez eu faça a leitura, mas não nesse momento. Gostei de saber do teor de conspiração que a história passa...
    bjs ^^

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    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      Sabia que tu ia dizer isso.

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  3. Olá!
    Curti muito sua resenha. Ainda não li nenhum livro do Humberto Eco e realmente quando comecei a ler sua resenha me lembrei na hora do livro O Simbolo Perdido - Dan Brown que faz bastante referências a Maçonaria e a simbologia.
    Vou procurar mais sobre este livro ;)

    Beijos
    www.sugestoesdelivros.com

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  4. Oi Lilian, eu amei a premissa do livro... livros que nos fazem pensar, complexos... são meus preferidos hahaha.
    Sou fã do DB, já li alguns dele e com certeza tentarei ler o Eco o quanto antes.
    Ps.: Parabéns pela resenha.. do tipo que nos deixa super curiosa, revelando apenas o necessário. Bjo

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  5. Lilian, nunca li nada do Umberto Eco, mas morro de curiosidade.
    Essa leitura parece um pouco densa, mas enriquecedora.
    Me interessei muito e espero poder ler em breve.

    Lisossomos

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  6. Oiii Lilian,como vai?
    Confesso que fiquei de queixo caído sobre você trazer essa resenha, pois estava esperando ansiosamente. Umberto Eco se tornou em alguns momentos da minha vida um dos meus favoritos, já tive oportunidade de realizar a leitura de outras obras, mas creio que está já se incluiu na minha lista, pode-se dizer histórico o tema abordado, como tu mesmo falastes e, isso me atraiu de uma certa maneira. Aliás, parabéns pela resenha!
    Beijinhos

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  7. Oi!
    Mesmo a premissa parecendo ser interessante e tendo uma trama complexa no momento eu não fiquei com vontade de realizar a leitura e ando evitando, por falta de tempo mesmo, livros com mais de 500 páginas.
    Abraços,
    Andy - StarBooks

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  8. Olá Lilian, ainda não tive a chance de ler nada do Umberto Eco, mas pela sua resenha deu para percebeu que esta obra foi muito bem trabalhada e construída e mesmo podendo ser um pouco difícil a leitura eu vou anotar a dica e ler assim que puder *-*

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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  9. Oláááá
    bela resenha como sempre, parece ser uma história bem diferente com um enredo que prende bastante, nunca li nada do autor mas até que tenho uma certa curiosidade pelo que ouço falar dele

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  10. Olá!

    Confesso que esse livro não é exatamente o gênero que estou procurando por agora, porém, sobre coisas históricas, de culturas, por mas longa que seja, é sempre bom dar uma olhadinha e talvez mudar a opinião..

    Oxente, Leitora!

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  11. Eu tenho um livro do Umberto Eco para ler aqui (o nome da rosa) e infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler. Só vejo elogios e ansiedade aumenta. Sobre leituras com mais de 500 páginas, no momento estou com o volume único de os miseráveis e está complicado terminar. Não que eu não goste, mas as vezes por mais que você ame o livro, parece não acabar kkk
    Quero ler esse livro do Umberto, porém lerei o nome da rosa antes para saber sobre a escrita do autor.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 
Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, gênero, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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