Resenha - Deslocamento: Um diário de viagem




12 abril 2017



Deslocamento -  um diário de viagem, da autora Lucy Knisley, Editora Nemo, 144 páginas, é um quadrinho autobiográfico, que narra a história da artista, jovem e solteira, Lucy Knisley, que nunca imaginou que iria se esquivar do inverno de Nova York para ir a bordo de um navio cruzeiro para o Caribe com seus tão amados avós.

Uma narrativa feita em quadrinhos com ilustrações desenhadas pela própria escritora, onde ela conta sua aventura em um navio com 4.700 pessoas a bordo. Uma neta com seus avós de 91 e 93 anos, que decide sair nessa grande peripécia, que aparentemente parece ser bem divertida, mas em uma aventura verídica, onde as fragilidades correm à solta juntamente com o medo de não atender as expectativas, tudo pode acontecer.

Um navio que é praticamente uma cidade flutuante. A neta, Lucy, não sabe se sobreviverá, mas assim como todos nós, segue seu caminho. ‘Eu finjo saber o caminho e meus avós me seguem’. E na vida, não é assim? Às vezes fingimos saber o caminho para nos encorajarmos um pouco no meio de tantas mazelas humanas.

Visivelmente parece apenas uma história de uma grande aventura entre uma neta cuidadosa e seus avós com uma idade que requer cuidados em tempo integral, também é, mas é muito mais denso do que as ilustrações nos mostra, pois trata das fragilidades da vida, da morte, do envelhecimento, das limitações humanas, da amorosidade, das vivências de uma guerra contadas em um livro por seu avô e dos esquecimentos inerentes a todos os seres humanos.

‘Mas ano passado ele se esqueceu de que já tinha me dado uma cópia do livro e me deu uma nova. Foi triste dar de cara com sua perda de memória sobre algo que ele valoriza tanto e que nos conecta’

Seria tão bonito se o ser humano tivesse o cuidado uns com outros, se pudesse respeitar as fragilidades do próximo como respeita suas próprias fragilidades e limitações. Se a bondade humana fizesse parte do cotidiano, porém, nem sempre faz.

‘O horror do envelhecimento, da fragilidade e da morte na mente de uma pessoa jovem. Essa consciência constante da fragilidade da velhice me faz apreciar a juventude’.

Lucy encontra em muitas situações desagradáveis, pois a velhice pede um pouco mais de calma, mas os adultos não querem entender isso e Lucy termina encontrando várias maneiras de ser xingada, mas essa neta tem sorte de ser uma mentora de registros.

‘Passamos a vida equilibrando ações para nos fazer felizes e ações para fazer os outros felizes...Na esperança de que fazer os outros felizes nos leve a uma maior realização pessoal e a uma beneficência social generalizada. ’

Em um dos seus poucos momentos em que pode ficar a sós com seus pensamentos, sem pensar por alguns segundos na segurança de seus avós, vem aos pensamentos de Lucy um texto de T.S Eliot:

‘Envelheço...devo usar a bainha de minhas calças ao avesso
Andarei na areia em calças de flanela bruta
Demoramo-nos nas câmaras do mar, junto
Às ninfas com escuras e rubras algas até
Acordarmos com vozes
Humanas e nos afogarmos.’


Um livro encantado e encantador que nos faz pensar e repensar sobre nosso comportamento com as pessoas do nosso cotidiano. Nossos familiares, amigos, conhecidos, vizinhos. Que sentimentos estamos verdadeiramente plantando para com eles? Um livro que ao acabarmos de ler já nos endireitamos novamente no sofá, buscando logo depois uma xícara de café para começar imediatamente uma nova leitura como se fosse pela primeira vez. Encantada.

Resenha por Magali Polida

Sobre mim? O céu. Mesmo quando poluído. Enquanto os pulmões das aves aguentarem, também permanecerei esperançosa de um dia olhar para o céu sem ter os olhos irritados e o coração aflito.

Escritora, poetisa, pedagoga, artista plástica, poetriz, artesã e meus interesses pessoais são público desde o meu nascimento, em 1981, na cidade de São Paulo. Moro em Pernambuco e considero-me cidade pernambucana. Autora do livro A menina do panapaná e Bichomemulher.

32 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Nosa que livro lindo.
    Quadrinho por si só já é um espetáculo, imagina quando ele traz uma história tão linda e ensinamentos tão profundos. Amei a sua resenha e a sua dica.
    Beijos

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    1. Que ótimo que gostou da resenha, moça. O livro é muito melhor :-)

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  2. Que livro lindo!
    Eu achei o fato da história ser contada em quadrinhos bem legal e achei ainda mais legal as ilustrações serem da própria autora.

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  3. Olá!
    Amei a sua resenha. Gosto muito de livros desse tipo, que nos fazem pensar e refletir sobre a nossa vida.
    Indicação anotada!
    Beijos
    Cássia Pires

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  4. ah, deve ser mesmo uma leitura encantadora e repleta de lições... fiquei curiosa pra conhecer...
    essa quote de T.S. Eliot <3

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    1. E dá para ler rapidinho.Li em um deslocamento também, Val. rs

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  5. Já quero ler, me parece algo encantador, dica anotada aqui!
    beijos

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  6. Não conhecia o quadrinho, mas achei a história bem diferente e ultimamente tenho comprado vários pra ler. O traço da autora parece bem lindo.
    www.belapsicose.com

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  7. Oiii Magali, fiquei bastante surpresa em encontrar a resenha desse livrinho por aqui, pois não o conhecia, sou apaixonada por quadrinhos e de cara compraria, agora depois que você falou que passa uma mensagem dessas, parece ser lindo e fascinante, dica anotada.
    Beijinhos da Morgs

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  8. Oie amore,
    Gosto muito de livros-diário... sempre trazem momentos gostosos durante a leitura.
    E esse parece ser especial, ainda mais pelo fato de nos fazer pensar em como agir. Dica anotada!
    Beijokas!

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  9. Olá!
    Que resenha maravilhosa. Não sou de ler quadrinhos, mas essa história me fez querer ler. Esse ambiente familiar me encanta e queria saber mais sobre a interação da Lucy com seus avós....ahh deve ser bem fofinho, porém reflexivo!
    Vou anotar essa dica!
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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    1. Obrigada, Camila. Aparece sempre por aqui. Estamos todas e todos te esperando com muita poesia na alma ;-}

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  10. Oi Magali!
    Me encantei pela sua resenha.
    Não conhecia e ultimamente tudo que menciona ao fato de envelhecer me interessa tanto que já anotei aqui na lista. (beirando aos 50, mas ainda sem crise)rs Mas o fato de estar já na meia ideia faz com que começamos a refletir como nos comportamos tanto no passado como no presente com as pessoas do nosso convívio. Amei a dica! Bjs

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    1. O livro é encantador! Logo, tudo vira um encanto só ^^

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  11. Olá! Tão bom quando encontramos um livro que nos transmite mensagens importantes de vida, de convivência, comportamento, aprendizado. Ainda não conhecia o livro, vou anotar a indicação. Gostei bastante da sua resenha. Espero estar lendo também em breve, bjoo

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  12. Olá!
    Nunca li uma auto-biografia em quadrinhos. Deve ser divertido a leitura. Não sou adepta a biografias, mas esse por ser diferente leria sem pestanejar. Gostei da proposta. Que avós ativos, aos 90 curtindo um cruzeiro com a neta. Quero ser assim um dia. haha
    Abs
    Nizete
    Cia do Leitor

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  13. Oi Magali, eu realmente pensei que fosse mais um diário de bordo, digamos assim. Não imaginei que o livro tratasse de assuntos tão sérios como vida, morte e o próprio envelhecimento e como ele é visto. Gostei da dica, vou deixar anotado.
    Bjs

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  14. Oieee
    Q bacana!! Adoro histórias contadas em quadrinhos. Gosto de refletir sobre o cotidiano e perceber o qto ele é importante. As vezes não damos muito valor por ser o nosso dia a dia, mas acredito que tudo vale a pena. Com certeza é uma coisa q na falta, sentiremos saudade.
    Adorei o enredo.
    Parabéns pela resenha
    Bjo

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  15. Que resenha demais! Parabéns... Eu não conhecia essa obra e confesso que estou curioso para conferir.
    Anotadinho aqui para quando der a oportunidade poder desfrutar dele.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  16. Oi!!
    Eu não conhecia esse livro, mas agora que li a tua resenha fiquei bastante interessada nele.
    Gosto de leituras que fazem a gente refletir é sempre bom ler algo assim.
    Beijão!

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  17. Nossa que fofinho 😍
    Apesar de não ter gostado da capa rs .. sim sou a maniaca da capa, achei sua opinião super interessante e vale a pena dar uma chance para este livro.
    Dica anotada!

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    1. Sou tarada por capa também, mas dessa capa eu gostei bastantemente e as ilustração estão muito bonitas, Gabriela. Vale muito a pena anotar, moça =] Beijo!

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  18. Olá tudo bem?
    Que livro mais amorzinho! De quadrinhos eu só tinha lido gibis mas achei a ideia da autora bem interessante. Confesso que se fosse pela capa eu não compraria, mas adorei a história. Vou procurar ele aqui.

    beijinhos!

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  19. Nossa, que resenha linda! Simplesmente amei a forma como você contou aos leitores sobre o livro.
    Achei muito interessante o livro ser em quadrinhos e tratar de temas tão importantes como envelhecimento, bondade e morte. Acho que não estou no momento de ler esse estilo de livro, mas com certeza anotarei a dica.
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

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    1. Um livro atemporal, onde em uma viagem de ônibus devora-se, mas a profundidade dele fica por dias em nossa massa cefálica e de um modo bonito e florido. Leia ^^

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  20. Olá, Magali!
    Poxa, eu adoro quadrinhos e essa narração de Lucy Knisley parece muito sensível, o tipo de leitura que gosto.
    E sim, é preciso enxergar além de uma historinha divertida, é preciso ler as entrelinhas, perceber o real sentido de tudo isso. Adorei conhecer a obra. Está anotada!
    Beijos!

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  21. Achei bem interessante o fato da propria autora ter desenhado os quadrinhos! E fiquem bem curioso quanto a leitura!

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  22. Oiii, tudo bem?

    Eu amo os quadrinhos da Nemo. Gostei muito de todos que li, então claro que este já entrou na lista de desejados, pois não conhecia este ainda. Gostei muito do enredo, parece muito sensível, do jeitinho que gosto. Ótima dica. Anotada.
    Bjos

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  23. Oi. Ler é sempre maravilhoso, ne? É sempre bom aprender e livros nos ensinam muito. Adorei o post. Beijos.
    www.v3rsosdaalma.blogspot.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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