Resenha - Bartleby, o escrivão




17 maio 2017


Escrito originalmente em 1853, Bartleby, o escrivão, de Herman Melville, Editora José Olympio, 96 páginas, é um conto que nos mostra a história de uma figura misteriosa pelo ponto de vista do narrador, seu empregador num escritório de advocacia. Segundo sua concepção, Bartleby foi uma das pessoas mais curiosas e intrigantes que já conheceu. Ele o contrata a fim de ajudar no escritório conferindo cópias de documentos. Possui outros assistentes de personalidades peculiares, mas, nenhum deles se equipara ao jovem rapaz, que com o passar dos dias revela-se como um 'peso' que 'prefere não fazer' o que lhe foi solicitado...

Ignorando o passado do estranho rapaz, o narrador fica cada vez mais irritado pela recusa de Bartleby em realizar mesmo pequenas ações no escritório. Ele esperava que sua calma aparente servisse como exemplo para Nippers e Turkey, mas percebe que além de não obter sucesso na investida, acabou adotando um problema ainda maior para si e seu ambiente de trabalho...

De maneira gradual, a presença do escrivão no escritório se revela incômoda e suas negativas em desempenhar seu trabalho se mostram cada vez mais incisivas. Levando o narrador a um estado de estupor e desespero... Enfim, ele resolve demitir o rapaz, apesar de sentir pena dele, pois provavelmente Bartleby não tem amigos, nem família por perto... A curta história desvela para um desfecho absurdo, deixando o leitor em estado de entorpecimento, em suspenso...

A obra é considerada – assim como em O processo e O artista da fome [ambos de Franz Kafka] – como literatura absurdista, uma filosofia ligada ao existencialismo e ao niilismo. As ocupações burocráticas de seu emprego fazem com que ele passe a rejeitar a mesmice de seu cotidiano, de maneira que o leva a um destino trágico... O absurdismo trata-se de buscar uma explicação sobre a vida e não ter habilidade para encontrar as respostas, culminando num beco sem saída no campo da existência...

Partindo para o campo político, Bartleby, o escrivão seria uma crítica voltada ao Imperialismo e ao capitalismo, que exploram a mão de obra tornando-a robotizada, e quando o personagem se recusa a obedecer ao patrão, é como se ele estivesse negando sua condição de máquina, inconscientemente se revelando humano. É perceptível a crítica de Herman Melville ao conceito de Fordismo, sistema de produção em massa aplicado nas indústrias a fim de se produzir em grande quantidade e aumentar o consumo.


Em suma, Bartleby, o escrivão tem uma linguagem ágil e alucinante. Levanta reflexões importantes no campo político e filosófico de maneira que o leitor compreenda e absorva a ideia sem o uso de termos científicos complicados, de maneira até inconsciente, uma absorção simbolizada pela figura de Bartleby inerte no escritório...


17 comentários:

  1. Olá!
    O livro desperta algumas reflexões, isso é um bom ponto.
    Porém, mesmo assim não é uma leitura que me atraia. Essa aurea de política, me lembra muito a época do colégio e as leituras são sempre cansativas pra mim.
    Fica pra próxima!
    Beijos!

    Camila de Moraes.

    ResponderExcluir
  2. Oiii Maria tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro e confesso que despertou meu interesse sim, principalmente em relação de porque ele não querer agir de tal modo e fazer as ações, é uma obra para descobrimento e até mesmo reflexão, sem esquecer da politica que se enquadra bem nesse assunto.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Já namorei esse livro para comprar, pois um amigo meu comentou que o livro aborda temas "Kafkaniano" principalmente O Processo".
    Bem, no fim não comprei e agora vejo aqui é um sinal que o livro me chama. rs
    Vou ver se consigo baixar o filme.
    Bjs

    ResponderExcluir
  4. Olá! Não é meu estilo de leitura preferida, mas acho que deve ser um livro maravilhoso para quem gosta.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

    ResponderExcluir
  5. Olá, parece ser uma obra excelente e gostei de ver os seus comentários sobre ela. Não é um livro que eu compraria mas acho que se me deparasse com ele e tivesse a oportunidade de iniciar a leitura eu poderia gostar.

    ResponderExcluir
  6. Oi!
    Gente, não sabia que existia literatura absurdista :O
    Fiquei curiosa para saber o desfecho dessa história e entender as lições por traz dessas negativas por parte do funcionário.
    Não conhecia o conto, mas quero conferir!

    ResponderExcluir
  7. Mas que ambiência maravilhosa! A-do-ro esse tipo de literatura! É muito mais que as bobagens que tentam nos enfiar guela abaixo! Super compraria! Livros inteligentes e que fazem o leitor pensar, não é pra qualquer um.

    ResponderExcluir
  8. Que maravilha de leitura!
    Me peguei totalmente curiosa para conhecer a história, pois como já li A Metamorfose, consegui captar mais ou menos a ideia do absurdismo, e para mim é fascinante.
    Dica mais que anotada!

    ResponderExcluir
  9. Adorei a sua resenha, o livro aparenta ser ótimo mas confesso que não é o meu estilo literário favorito, rs. Irei indicar para quem gosta.
    Abraços!

    estantedakahofc.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  10. Olá, acredito já ter ouvido algo sobre essa história, mas ainda não tive a oportunidade de ler o texto integral. Gostei de ver suas considerações sobre a obra e os significados e críticas contidos na trama.

    ResponderExcluir
  11. Oi, Maria!
    Esse livro apesar de ser bem "simples", me agradou pela pitada de suspense citada por você. E olha que não costumo ler obras criticas por não fazerem meu estilo. Vou buscar por mais resenhas para ver se me agradaria de verdade.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  12. Eu não dava nada por esse livro, mas o que você comentou me deixou muito curiosa para ler e saber mais. Gosto dos livros que nos fazem refletir e questionar e esse parece ser um desses livros.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Facebook | Instagram

    ResponderExcluir
  13. Confesso que não faz muito meu estilo literário, mas me encontrei muito interessada na história, especialmente com sua explicação no final sobre o estilo literário, nunca li nada assim nem nunca me interessei, mas fiquei agora curiosa. Flores no Outono 

    ResponderExcluir
  14. Acho que não gosto muito do absurdismo - ao menos não gostei do que li até hoje e que está na categoria. Não é bem o meu tipo de leitura, mas também não é algo que eu não leria. Nunca li Melville, mas talvez fosse bom começar a leitura das obras dele por um conto ao invés de Moby Dick, hahaha

    ;*

    ResponderExcluir
  15. Oie amore,
    Pra ser sincera o livro não me chamou a atenção não... dessa vez pulo a dica!
    Mesmo se tratando de um livro que segundo você tem uma linguagem ágil e alucinante.
    Beijoka!

    ResponderExcluir
  16. Oiee, tudo bem? Fiquei curiosa pois desconhecia este estilo literário, o enredo em si não me chamou a atenção, mas a curiosidade de descobrir mais um genero literario me deixou interessada!

    https//:www.leituraentreamigas.com,br

    ResponderExcluir
  17. Olá!
    Ainda não conhecia a obra, assim como as outras que você citou da literatura absurdista, mas fiquei bem curiosa, até porque parece ser uma leitura profunda, mas que pode ser feita de maneira rápida.
    Beijos.

    ResponderExcluir

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma

 

SKOOB

Arquivo do Blog

Direitos autorais

Copyright © 2015 • Poesia na alma