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Resenha O Fascismo Eterno, de Umberto Eco





Umberto Eco viveu o auge do fascismo na Itália. Ainda criança, aos 10 anos, em 1942, ganhou um concurso Ludi Juveniles (concurso para jovens fascistas italianos) de participação obrigatória para todos os jovens italianos. E entre resistência e fascismo, sobreviveu às armas.

Em seu livro O Fascismo Eterno, Grupo Editorial Record, o autor alerta sobre a importância de não esquecer, além disso, faz um apanhado teórico sobre o que é fascismo. O livro é resultado de uma conferência apresentada em abril de 1995 na Columbia University.

“Estamos aqui para recordar o que aconteceu e para declarar solenemente que ‘eles’ não podem repetir o que fizeram. Mas quem são ‘eles’?”

O autor afirma que não podemos esquecer, abandonar a história para que os erros não se repitam, precisamos ficar alerta porque o Fascismo não dorme, basta uma crise e ele mostra sua face e crueldade, entretanto, como saber como é essa face se não entendermos o fascismo em si?

“Ionesco disse certa vez que ‘somente as palavras contam, o resto é falatório’. Muitas vezes, os hábitos linguísticos são sintomas importantes de sentimentos não expressos.”

Esses hábitos linguísticos podem ser facilmente compreendidos na atual conjuntura política do Brasil, em que milhares elegeram um governo Fascista em sua essência e o discurso de ódio em redes sociais ganham força. Nossos hábitos linguísticos dizem muito sobre o que somos. Somos um país de fascista e a terceira maior população de alienados do planeta.

O autor ainda traz características comum ao fascismo, se fosse prova escolar, o Brasil tiraria 10. Entre essas características, estão: ‘O fascismo foi certamente uma ditadura, mas não era completamente totalitário’; há um forte déficit intelectual; privilégios a igreja; educação que exalta a violência (qualquer semelhança com o Brasil, é a mais pura realidade), etc.

Em seguida, o autor traz as características do fascismo eterno ou ‘Ur-Fascimos’, que são: ‘culto da tradição’; ‘não pode existir avanço do saber’; ‘irracionalismo’, ou seja, a ação sem nenhuma reflexão; racismo “O primeiro apelo de um movimento fascista ou que está se tornado fascista”; ‘apelo às classes médias frustadas’; obsessão por conspiração; nacionalismo; xenofobia; elitismo; heroísmo; machismo; novilíngua que significa léxico pobre, basta ler os comunicados atuais do MEC ou do novo diretor do Inep para entender na prática esse tópico; Populismo qualitativo de TV ou Internet (acrescenta fake news de whatsapp).

O Fascismo Eterno é um livro curto com grande potencial para não repetirmos a história. Infelizmente, o Brasil já repete, mas ainda é possível ser resistência e quem sabe, acordar os milhões zumbis fascistas espalhados que elegeram o que tem de pior na história da humanidade. Em nosso contexto urgente e gritante, vai além de não esquecer a história, é preciso conhecer a história.

9 comentários:

  1. Oiii, Lilian, tudo bem?
    Que dica incrível, esse livro do Umberto Eco eu não conhecia e fiquei bem interessada, gosto muito do autor e de suas obras, além de abordar assuntos extremamente atuais, as edições são lindas e encantadoras sempre, ótima resenha.
    Beijinhos

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  2. Nossa, que livro necessário. Ler uma obra como essa e ver que o nosso país se enquadra na situação de fascista é triste. O autor escreve para que a história não se repita e aqui está o Brasil, repetindo os piores erros da história sem pensar duas vezes. Um livro que tentarei ler, com certeza.

    Beijos do Wes ^^

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  3. Olá, tudo bem?

    Gosto muito desses livros com temas mais "pesados", que retratam um momento obscuro da nossa história, mesmo que eu não ande lendo muito nesse estilo, ainda é uma ótima dica. Amei sua resenha!

    Beijos,
    Blog Diversamente.

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  4. Olá tudo bem? Não conhecia o livro (nem o autor), mas já me interessei. Saber sobre o assunto com quem já viveu esse período é enriquecedor. Infelizmente estamos vivendo a pior crise de todas. Há muita ignorância, pouca comunicação e muita coisa sendo escondida =/
    Dica mais que anotada


    Sai da Minha Lente

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  5. Olá!
    Esse livro do Umberto, será uma das minhas próximas leituras.
    Infelizmente a história está se repetindo mesmo por aqui... o erro já foi cometido, e o pior é ver que muitas pessoas fecham os olhos para não enxergar isso. Parabéns pela resenha!
    Beijo!

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  6. Olá Lilian, esse livro pelos seus comentários esta muito bom e com uma boa pesquisa do autor, sem duvida é uma leitura super valida para todos para quem sabe assim pararem de "repetir" o passado =/

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  7. Olá!
    Ainda não conhecia o livro nem o autor, mas fiquei instigada pela obra.
    Gosto muito de ler sobre os temas abordados nesse livro, espero poder ler em breve.
    A capa e o título me fez ficar ainda mais ansiosa pela leitura.
    Anotando sua dica, beijos!

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  8. lendo tua resenha vem a minha cabeça o seguinte: o quão seria importante essas obras serem lidas nas escolas, estudadas nas escolas, justamente pra servirem como mais um modo de tentar evitar a repetição dessas histórias.

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  9. Estamos vivendo uma ode a mediocridade. Leituras como essa só msó me fazem sentir mais vergonha de ser brasileira em tempos que se elegem presidentes como o bolsobosta .

    Quanta ignorância e as pessoas não aprendem. Pior: muitos que se dizem leitores não entendem o quão política e a literatura e a história, a arte... E fecham os olhos, se abstem de leituras como essa usando argumentos pífios e rasos...

    Eco deveria ser lido, entendido, esmiuçado.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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