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Seu nome era dor / Beatriz Nascimento





Maria Beatriz do Nascimento nasceu em Aracaju, Sergipe, em 12 de julho de 1942, filha de uma dona de casa e de um pedreiro. Beatriz também fez o caminho de muitas mulheres nordestinas. Quilombola, foi uma retirante, junto com seus nove irmãos, e se mudou com sua família para Cordovil, Rio de Janeiro. Estudiosa, pesquisadora, ativista, autora, poeta e graduada no curso de história pela UFRJ, também foi professora na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. 

Participou de um grupo de ativistas de negras e negros que formaram núcleos de estudo no estado, além de manter um vínculo com o movimento negro da época e da militância intelectual, Beatriz era poetisa. Sua poesia traz a experiência de ser mulher negra com sensibilidade pungente. 

Estava fazendo mestrado em comunicação social, na UFRJ, sob orientação de Muniz Sodré, quando sua trajetória foi interrompida. Beatriz foi assassinada com cinco tiros em 1995 ao defender uma amiga de seu companheiro violento, deixando uma filha.



SONHO

Seu nome era dor
Seu sorriso
dilaceração
Seus braços e pernas, asas
Seu sexo seu escudo
Sua mente libertação
Nada satisfaz seu impulso
De mergulhar em prazer
Contra todas as correntes
Em uma só correnteza
Quem faz rolar quem tu és?
Mulher!…
Solitária e sólida
Envolvente e desafiante
Quem te impede de gritar
Do fundo de sua garganta
Único brado que alcança
Que te delimita
Mulher!
Marca de mito embotável
Mistério que a tudo anuncia
E que se expõe dia-a-dia
Quando deverias estar resguardada
Seu ritus de alegria
Seus véus entrecruzados de velharias
Da inóspita tradição irradias
Mulher!
Há corte e cortes profundos
Em sua pele em seu pelo
Há sulcos em sua face
Que são caminhos do mundo
São mapas indecifráveis
Em cartografia antiga
Precisas de um pirata
De boa pirataria
Que te arranques da selvageria
E te coloque, mais uma vez,
Diante do mundo
Mulher.

(Nascimento, Beatriz. Todas (as) distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento /Organizado por Alex Ratts e Bethânia Gomes; ilustrado por Iléa Ferraz e revisado por José Henrique de Freitas Santos. Salvador: Editora Ogum’s Toque Negros, 2015. P.32).

Textos retirados dos sites: Cebi e Acorda cultura

9 comentários:

  1. É triste ver o quanto perdemos só por sermos mulheres, negras e pobres; é inspirador ver o quanto ganhamos por ter orgulho de sermos mulheres, negras e pobres. Não conhecia a Beatriz, mas agora a admiro e conheço tantas outras espalhadas por aí. Amei seu post!

    Beijos,
    Blog Diversamente

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  2. Olá, tudo bem? Caramba, que história mais triste a da Beatriz Nascimento, e o pior de tudo é saber que isso acontece todos os dias por aí... O poema é bem impactante e profundo, adorei!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  3. Que história!
    Eu não a conhecia ainda. Gostei do poema, muito forte, intenso.

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  4. Olá,
    Muito triste, a história da vida dela e o poema. Porém suas conquistas permanecerão.

    Debyh
    Eu Insisto

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  5. Olá, tudo bem? E pensar quantas outras mulheres negras também tem o mesmo destino que o dela, sem serem conhecidas? Tristeza esse feminicidio claro! Gostei bastante do poema dela, e pensar que ainda tinha anos de vida pela frente.
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com

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  6. Que história de vida, e o que mais me machuca e saber que teve seu futuro interrompido mais uma vez através do feminicidio. No entanto deixou sua marca e inspiração através da escrita, inspirando mulheres negras e pobre a ter orgulho de quem são, e não desistir nunca de lugar, e mostrar a sociedade que podem ser muito mais do que todos imaginam. Amei!

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  7. Oi Lilian, sua linda, tudo bem?
    Fiquei triste agora com mais essa notícia. Todos os dias temos mais um rosto, mais um nome entrando para a história da violência e impunidade. Ás vezes acho que o mundo está perdido, mas precisamos ter esperanças de que tudo vai melhorar. Vamos distribuir mais amor.
    beijinhos.
    cila.

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  8. Nossa, me emocionei com a trajetória e com o poema. Ser mulher é saber que sua vida será uma luta constante. Linda homenagem.
    Bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  9. Nossa!

    Bem triste e impactante a historia de vida dela,ne? :(

    Não a conhecia, mas fiquei bem sensibilizada, inclusive, amei o poema!

    beijos

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