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Resenha – Uma Jornada Arquetípica e o Tarô





Jung e o Tarô - Uma Jornada Arquetípica, escrito por Sallie Nichols, aluna de Jung, Editora Cultrix, se baseia no Tarô de Marselha por ser o mais tradicional e mais difundido, visto que as tradições se alimentam do que é inerente ao homem. Isso significa que as tradições fazem parte dos rituais de transições da humanidade, assim, cada carta do tarô é lida como um arquétipo, nesse sentido, as tradições são relações arquetípicas que estão evidentes na psique de determinado grupo, coletivo ou sociedade.

Essa leitura é simbólica na tentativa de compreender a psique humana. Podemos tomar como exemplo a carta da Morte que representa um estágio da transição humana. Sua imagem arquetípica, no Tarô de Marselha, é o esqueleto, representação do que pertence a todo humano.

Alguns trabalhos do Tarô (entre os quais o desenhado por Aleister Crowley) pintam o esqueleto rodopiando feito um dervixe, brandindo a sua segadeira na frenética Dança da Morte. Esse conceito lembra a idéia de que a morte é, ao mesmo tempo, mudança e estabilidade, que embora a sua essência seja a transformação turbilhonante, a sua coreografia é eterna.

A sociedade Ocidental se nega a falar da morte, mas a morte é inerente ao ser humano, todos iremos morrer, que seja no sentido psicológico, físico ou espiritual. Essa negação contribui para o adoecimento social, visto que se busca a fuga da morte a todo custo. Em alguns casos, por exemplo, nega-se o direito de quem quer morrer.

By imagem iquilibrio

A carta da Morte retrata e representa em seu desenho a morte de todos, tanto que em sua imagem tem uma coroa no chão, ou seja, mesmo os reis e rainhas morrem. Outro aspecto é a forma desmembrada que as imagens ocupam a carta e esse desmembramento traz a percepção de que precisamos deixar morrer pequenas partes nossas para que outras renasçam.

É nesse processo que entram os rituais. O ritual de transição, que é a morte de uma fase para outra, a exemplo do aniversário de quinze anos em que socialmente a menina deixa de ser criança para ser jovem/adulta e esse ritual pode ser vivenciado de várias formas, contanto que exista. Se esse processo não existir, pode gerar uma dependência com os responsáveis dessa menina prestes a se tornar uma jovem/adulta. Vale ressaltar, que esse ritual não é necessariamente aquela festa já alienada pelo capitalismo, mas essa festa também é um ritual. É importante compreender que cada família terá uma forma de fazer, como entregar a chave da casa.

O esqueleto é nu diante de nós. Como parece satânico de desapetitoso! É difícil acreditar que tudo o que ele nos pede é exatamente o que pedimos uns aos outros: ser aceitos.

Outro ritual é o de enfrentamento da morte que pode ser o funeral, uma cerimônia religiosa de lembrança da morte como a missa de Sétimo dia, etc. negligenciar esse ritual pode gerar a sombra de que a pessoa está viva, comprometendo o processo do luto. Hoje, por exemplo, tem se tornado comum não levar crianças em funerais o que dificulta que essa criança aprenda sobre a existência da morte.



Quando Jung se apropria da ideia do Tarô, ele acredita ser uma ferramenta para trabalhar com questões do consciente e do inconsciente. Utilizando as imagens das cartas para que a pessoa pense e acesse sua própria história por meio da conexão com o inconsciente coletivo. Nesse sentido, as cartas não são rígidas e imutáveis, o arquétipo pode tomar novas direções, a depender do contexto em que esteja inserido, e ser representado por outra carta do tarô.

Jung e o Tarô tem uma linguagem universal para a prática da psicologia, bem como para estudos da sociedade e de comportamento. Obviamente, tem um público mais restrito, além de psicólogos e estudantes, profissionais de saúde mental, educadores, quem trabalha com Astrologia e exotéricos. A lista é grande, mas só precisa ser curioso(a).

11 comentários:

  1. Olá. Fiquei curioso. É o Tarô de Marselha visto pelo olho da Psicologia Analítica, o que deve ser bem interessante, principalmente porque trago o Tarô com muito carinho desde que escrevi o Crimes do Tarô e me envolvi com suas cartas, ensinamentos e filosofias. Embora eu seja Psicanalista (freudiano) esse Tarô do Professor Jung acaba de entrar na minha lista de desejos de leitura, e no topo. Abraços.

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  2. Oi, tudo bem? Não conheço muito sobre psicologia, pois não sou da área, então não conheço muito as vertentes e não tenho muito interesse em tarot, mas fiquei curiosa para saber mais sobre como o tarot pode nos trazer coisas do subconsciente. Não é uma leitura que faria agora, mas gostei bastante de saber sobre ela! Obrigada pela dica :)

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  3. Nossa, que interessante o assunto que tu trouxestes à baila. Eu sou psicóloga, mas caminho quase que proporcionalmente ao contrário das teorias psicanalíticas. Mas, confesso que sou alguém que AMA estudar os conceitos da Psicanálise, seus teóricos e tudo o mais que saiu de suas mãos.
    Achei muito interessante a análise minuciosa da carta do Tarô, essa danada, chamada Morte. Realmente algo ainda incomoda por demais a sociedade em geral. Sendo que é uma das quase únicas certezas da vida.
    Fiquei interessadíssima nesse material. Mesmo nunca tendo passado por uma sessão de tarô. Se é assim que se chama. Arrasou no texto!!!

    Carol, do Coisas de Mineira

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  4. Oi Lilian.

    Eu ainda não conhecia este livro e pela sua resenha eu fiquei curiosa, mesmo não sabendo praticamente nada sobre o tarô e nada de psicologia. Mas sua opinião despertou muito minha curiosa. Obrigada pela dica.

    Bjos

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  5. Olá.
    Nossa, esse livro é totalmente desconhecido para mim, mas confesso que fiquei super curiosa. O modo como A morte e seus infinitos rituais de passagem são apresentados foi quase poético. Achei interessante.

    Beijos e Cheiros
    http://www.livreando.com.br/

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  6. Wow. Adorei ler essa resenha excelente do livro! Além de super completa e bem elaborada. O assunto e conteúdo do livro são bastante atraentes e interessantes também. Porque foi ótimo saber que cada carta do tarô é lida dessa maneira no livro. Muito bom poder conhecer essa leitura simbólica, com o objetivo de tentar compreender a psique humana. Super interessante!

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  7. Adorei sua resenha, principalmente por se tratar de um assunto que nunca li e pouco conheço, mas que me gerou uma curiosidade. Parece ser algo bem diferente e reflexivo.

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  8. Mlr, que foda. Já quero esse livro. Tu sabe do meu interesse em Morte e mais ainda em me aprofundar em tarô né?
    Já anotei a sugestão dessa leitura.
    Apesar de leiga no campo da psicologia e afins, ao menos na parte do estudo de subconsciente essa leitura me ajudaria bastante...

    Küss 😘

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  9. Oie, tudo bem? Gostei bastante da indicação ainda mais por trazer assuntos tão diferentes e não tão comuns. Nos faz sair da zona de conforto e pensar além. Não conhecia o livro mas despertou muita curiosidade. Nunca soube nada sobre cartas ou a leitura delas. Um abraço, Érika =^.^=

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  10. Achei sua resenha muito interessante, trata de um assunto dificil mas que sempre levanta muita curiosidade.
    Parabens mesmo pelo seu texto

    bjos

    Renata Avila do http://www.entrandonumafria.com.br/

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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