Header Ads

SÓ SE VIVE UMA VEZ. SERÁ? / LEONARDO NÓBREGA

By imagem - Amorim 



Nunca entendi essa coisa de festejar a mudança do calendário anual, não compreendo como a mudança de um dia para outro vai fazer diferença na vida de qualquer pessoa, como o finalizar de mais uma volta em torno do sol vai fazer tanta diferença. Mas, é claro que posso ser apenas mais um pessimista convicto (se isso existe) que quer ser racionalista em meio a sonhadores compulsivos. Não discordo que nossa vida mude ao longo do caminho, apenas não acho que tenha data marcada para isso. Até aceito o argumento de que o último dia do ano é usado como um marco para uma reflexão de como estamos nos comportando, do que contribuímos para melhorar nosso lugar ou se, até o momento, estamos indo para o céu ou o inferno. Porém, um marco não é uma garantia de mudanças, às vezes, pode até ser uma maneira de resetar o ano anterior, fazer um mea culpa se perdoar e recomeçar a repetir tudo de errado e ruim que fez no ano anterior, tipo votar errado. Já passei por essa queima de fogos e estouro de cidras por sessenta vezes e as pessoas más continuaram más, as boas melhoraram ainda mais, o que é muito bom.
            Para mim o ano que começa agora é um ano de adeus, de despedida, de partida. É um ano de ponto final, de fim da linha. Mas, calma, essa não é uma carta suicida, ao contrário, é uma missiva cheia de vida, de uma nova vida – mais uma. Gosto de contar as várias vidas de que desfrutei (ou não) por momentos intensos e importantes e não de forma rígida e cronológica como o parir de um novo ano, embora dessa vez os eventos foram convenientemente sincronizados.
            A quantidade e qualidade de vidas que temos em uma permanência nessa rocha vagando pelo cosmo, segundo a minha abalizada teoria, vária de ser vivente para ser vivente, mas, certamente, todos têm mais de uma, e não me refiro a compartimentação por idade ou a dimensão psicológica. Só você pode dividir sua trajetória e dizer quantas vidas viveu. Na minha experiência divido minha existência, até agora, em quatro vidas (ainda terei outras três, já que sou um gato rere). Permitam-me compartilhar com vocês essa divisão, pode parecer esdrúxula para alguns, mas, acredito que ao final terei me feito entender e incentivado vocês a fazerem um apanhado de seus percursos para perceberem que existe ainda mais vidas em seus anos do que anos em sua vida. 



            Minha primeira vida começa como a de todos os mortais: No nascimento. Ano zero, momento de felicidades para a família e alívio para a mãe que já não aguentava mais carregar aquele ser sugando sua vida. Porém, nesse momento mágico somos todos milagres, promessas e esperanças. Somos aqueles messias que salvarão o mundo e mudarão as relações entre os povos – carga muito pesada para quem só chora, come e presenteia os adultos queridos com fezes. Infelizmente, algumas pessoas param por aí, só tem essa vida. Embora cresçam fisicamente, aprendam a falar, a andar, a comerem sozinhos e tudo o mais, seguem pela vida tendo somente bosta a oferecer. Às vezes, até viram “líderes” políticos ou executivos de grandes empresas, por herança, é claro, entretanto continuam presenteando a humanidade como se fossem bebês. Graças as Deusas eles/elas não são muitos, a maioria de nós supera de forma satisfatória essa vida. A minha primeira vida foi de tranquilidade, embora chorasse muito e esperneasse querendo liberdades impossíveis estava protegido fisicamente por um teto, seguro alimentarmente(?) por comidas que nem sabia de onde vinham (para mim, geladeira e despensa eram cornucópias) e aquecido emocionalmente por pais e mais cinco irmãos. Sim, éramos seis, de verdade. Podíamos brincar sozinhos, até jogar futebol três contra três, embora sempre precisasse ter uma juíza, minha mãe, porque até nas brigas dava empate. Embora a gente não percebesse na época, essa primeira vida era a mais perfeita: estudar, brincar, passear, ir a mil festas de aniversário; sou do tempo das famílias grandes. Porém, nós crescemos e aos poucos vamos conhecendo outras realidades e enfrentando novos desafios; vivendo novas vidas e assim, por decisão do destino que carregou nossa família para a beira do penhasco, aos quatorze anos, morri e renasci em uma vida nova: comecei a trabalhar.
            Minha segunda vida não foi desagradável como supus que seria, ao contrário, foi até divertida e nela fui forjado nas chamas da Montanha da Perdição, amadureci mais rápido como frutas verdes que são misturadas com outras já maduras. Comecei a ter meu próprio dinheiro, não era muito, mas já era alguma coisa e só para mim. A Mesbla – que já nem existe mais – era um bom local para trabalhar. Como dizem os panfletos de propaganda, era uma grande empresa, existente no país todo e onde se tinha chance de crescer. Tudo balela, se você não tinha um “pistolão” raramente saía do local onde estava, aprendi isso rapidamente mesmo não ficando muito tempo nesse emprego, no meu caso, entrei como office-boy e cheguei a auxiliar de crédito que era um degrau acima na hierarquia da loja. Saí três anos depois e, ainda na mesma vida fui trabalhar na gráfica da família (Apertem os cintos, o salário sumiu rsrs), onde, junto com meu irmão caçula, fazíamos de um-tudo para ajudar nosso pai. A marca dessa vida foi o trabalho, o sair de casa todos os dias em uma rotina que ia além dos estudos, onde não havia mais garantias e onde agora eu sabia de onde vinha a comida e todas as outras coisas maravilhosas que o capitalismo permite que se consuma usando o dinheiro que ele nos paga e que vem do meu próprio trabalho excedente conhecido também como mais-valia (não é porque a pequena oficina gráfica pertencia ao meu pai e meus tios que isso seria diferente). Nessa vida, as brincadeiras no quintal também foram substituídas por conversas sobre os trabalhos entre os que ainda moravam juntos, jogos de tabuleiro e cultura consumida como cinema e livros. E essa segunda vida perdurou assim, rotineiramente, até meus vinte e cinco anos. Eu sempre disse aos amigos que achava que morreria aos vinte e cinco, uma coisa de jovem depressivo que não é medicado, as vozes em minha cabeça me diziam dessa finitude precoce, entretanto aos vinte e cinco anos, na verdade, me casei. Vejam só! As vozes estavam certas. Claro que é só um chiste e minha esposa não gosta muito quando faço isso, então vamos deixar só entre nós, querido leitor, querida leitora. Obrigado!


By imagem - Amorim 


           
Como vocês perceberam, não percam as contas, comecei a viver a terceira vida, que teve dois gatilhos para que pudesse ser contada como nova: o casamento, como já foi dito, e consequentemente filhos, a primeira, no primeiro ano de casado e o novo trabalho, agora não só um trabalho, mas uma profissão que, escolhida por mim, me acompanharia até a quarta e muito provavelmente última vida: Professor. Porém, se somaria a ela, é claro, a de escritor e psicanalista, por formação, mas sem atuação profissional, na verdade a Psicanálise foi mais um adendo para melhorar como professor. Nessa vida descobri o segredo do casamento de sucesso que é procurado há séculos pela humanidade, os faraós no Egito antigo já se perguntavam sobre isso. Reza a lenda que um faraó perguntou a Ámon - O oculto:
 -  Óh, Ámon, rei dos Deuses por que tenho que aturar aquele ser pela vida toda? Como faço para dá certo?
Ao que o Deus respondeu com sua voz forte e cavernosa (parece que todos os deuses moram em cavernas)
- Filho, não te apoquentes nem me apoquentes, nem eu sei por que vivo com Mut – a Deusa Mãe. Sou sábio, mas não tanto para responder a tal questão. E tu bem sabes quais animais representam minha adora esposa.
- Sei sim, ó grande, o abutre e a vaca.
- Talvez, caro mortal, nós estejamos sendo punidos por Hórus aquele vingativo, por algum deslize no trato com as mulheres, sei lá, vai ver por que somos machos escrotos.
Pois bem, mas eu descobri o segredo que funciona para todos os parceiros: escolha a pessoa certa e seja a pessoa certa do outro, mas, preste atenção para não confundir o conselho e escolher certa pessoa, não vá inverter. Todavia, como descobrir a pessoa certa? Não se preocupe, você saberá. Na vida que discorro agora também comecei a escrever e publiquei meus dois primeiros romances, algum entre vocês poderia contestar e argumentar que escrever e publicar um livro assemelha-se a um parto, portanto deveria ter começado outra vida nesse momento, até concordo em parte e esclareço por que não o fiz. Quase todas as pessoas que escrevem literatura fizeram isso por toda a vida, mesmo que de forma incipiente, mesmo destruindo os escritos depois de ab-reagir pelas letras. Então o casamento e o nascimentos dos três filhos tiveram um peso maior nessa vida, aliás, uma vida que foi uma rememoração invertida, tudo o que tinha na primeira vida agora proporcionava para outras crianças para quem a geladeira e a despensa são cornucópias da minha infância, embora eu e minha consorte (nem sei se com tanta sorte assim) saibamos exatamente o trabalho que dá mantê-las fartas e variadas. Eu não sabia como é difícil manter abastecido o Deus Cornífero (riu de quê? Ele existe sim) que representa o chifre (não me diga!) da cornucópia bem como o útero da deusa, que mora no seu interior.

By imagem - Rodrigo Pinheiro

Por trinta e cinco anos, segui nessa vida, claro que com eventos importantes ou não, mas nada revolucionário que justificasse contar como um novo nascimento, uma nova vida. Até que por eventos fora do meu controle, efetivados por compatriotas mal-intencionados ou a quem falta um mínimo de criticidade ou ainda uns que não receberam cérebros na criação divina, tornaram meu trabalho e o meu país um lugar incerto, sem garantias e assustador, o que fez com que radicalizasse e, por já ter direito, optei pela aposentadoria, o que é uma das vidas que todos teremos, ou pelo menos esperamos gozar. O que fiz foi sair da vida de trabalhador contratado para abraçar totalmente a carreira de escritor autônomo, troquei o salário pelo benefício, palavra agressiva, errada, arrogante que leva a crer que o Estado está a nos fazer um favor, quando na verdade ele (Estado) está apenas pagando uma dívida. Nós, os trabalhadores, “emprestamos” dinheiro ao governo sob o nome de “Contribuição Previdenciária”. Ah! As palavras... Contribuição, para mim, é algo espontâneo e não descontado obrigatoriamente no nosso salário, enfim, voltemos a quarta, cansada e última vida desse escrevinhador a ser relatada (Ufa! Suspiraram alguns leitores heroicos que chegaram até aqui). Esse relato será bem curto, prometo. Na verdade, nessa vida só podemos fazer previsões e propostas. Podemos, todos nós, imaginar como será e tentar fazer cumprir um destino sonhado, adoçado nas lembranças e amargado com o fel das experiências que deixaram marcas e lições. Achávamos que esse aprendizado seria suficiente para nos resguardar de novos golpes e decepções, aprenderíamos a nos defender com as “armas” obtidas nas fases mais fáceis do jogo antes de chegar ao Chefão, ledo engano, a vida sempre acha maneiras de nos surpreender, e isso não é ruim, dessa forma nos mantemos espertos e crescemos até o último dos dias.
O que posso dizer sobre como usarei minha quarta vida? Nada! Mas posso visualizar duas ou três possibilidades. A primeira, é aquela que todos os que trabalham com a chamada terceira idade, no meu caso quarta vida, adoram. Vamos viajar, dançar, namorar, passear, praticar esportes, essas coisas que nos levariam a adolescência, ou de volta a segunda vida, o que é muito bom com certeza, é ocupar o tempo agora ocioso com coisas divertidas. A outra possibilidade é a reclusão, é ficar mais em casa lendo, escrevendo, dormindo até tarde, indo à praia uma vez por mês, estudando, assistindo as séries preferidas na TV, pedindo comida de aplicativos e conversando com os amigos nas redes sociais até que, tristemente, eles comecem a sumir aos poucos. A terceira via é um pouco dos dois, talvez seja o ideal, mas as pessoas são muito diferentes entre si e talvez algum gentil leitor/leitora tenha planos totalmente diferentes desses para sua vida. Eu vou optar pela mistura, mais para a reclusão do que para as viagens, quero escrever bastante ao mesmo tempo que quero diminuir o ritmo de participação em eventos, quero fazer um curso de teatro e escrever uma peça, quero terminar três livros que estão começados e principalmente quero estar mais próximo da minha esposa e filhos. Resumindo: quero voltar para a minha primeira vida – guarida emocional, segurança de um teto, comida farta - com a paz de quem cumpriu seu dever e sobreviveu a todas as pegadinhas das vidas até esse ponto final.

Ah! Quase esqueço.
Feliz Ano Novo, que 2020 seja melhor que 2019 e pior que 2021!!!




51 comentários:

  1. Antes de ler sua publicação, vi a notícia sobre o ocorrido no Irã e seu texto me fez refletir demais sobre o que está acontecendo e como podemos evitar o pior =/
    Estava falando com minha amiga dias atrás, que mesmo sendo pessimista - afinal é só ver nos quadro político e social - fim de ano sempre me deixa esperançosa.
    Realmente desejo que 2020 seja um ano mais leve =/

    Sai da Minha Lente

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Clayci, olá. Pois é, mal começou o ano e já uma tragédia dessas. precisamos manter as esperanças, mas precisamos construir o futuro que queremos, principalmente em tempos estranhos como esses. Abraço e obrigado pelo seu comentário, aliás, foi o primeiro.

      Excluir
  2. parabéns, Leonardo, fiquei pensando nos Marcos que me fariam dividir em períodos o que vivi ou sobrevivi até hoje. concordo com vc em muitas coisas, inclusive q fazemos muitos planos, tentamos subsistir a alguns deles, escrever é uma grande meta, os leitores ficarão ansiosos por seus escritos. um abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, obrigado pelo gentil comentário, ao ler palavras assim fico encabulado. Abraço.

      Excluir
  3. 2019 foi um ano difícil para todos nós! Particularmente eu quero paz, estar comigo mesma e que todos nós possamos realizar nossos sonhos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Aninha. Com certeza vamos buscar nossos sonhos, como diria Raul "sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade". Daí a necessidade de sonharmos juntos para um ano melhor para todos. Abraço.

      Excluir
  4. Olá, Leonardo. Primeiro, Obrigada por esse texto.

    Gosto dos rituais de fim de ano, considero necessários à sobrevivência humana. O que não aprecio é o ritual capitalizado porque no final a essência do ritual se perde e fica a compulsão por comprar e beber e comer desenfreadamente. Entretanto, ao ler seu texto, percebi que você trata de outros rituais, ligados a determinadas fases da vida, um marco de cada fase que vivemos, isso, além de nostálgico até certo ponto, pois tenho apenas 35 anos, então não vivi algumas etapas, me remete as nossas tribos, ao coletivo que transitamos pela vida: família, escola, bairro, igreja, trabalho, etc. E é curioso pensar em como cada um desses coletivos influenciam em cada fase de nossa vida em cada transição... Outro aspecto relevante do texto, é que podemos transitar em várias fases, afinal, às vezes, é sempre bom consultar a criança interior por vezes adormecida para trazer vigor para 4 fase hehehehe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poesia na Alma, vc é suspeita para comentar rsrs, mas obrigado mesmo assim. Bj

      Excluir
  5. Olá, tudo bem? Uau, que texto mais interessante! Pelo visto 2019 foi um ano difícil para quase todo mundo, pois só vejo reclamações, haha. Tomara que 2020 seja melhor, tomara!

    Beijos,
    Duas Livreiras

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Larissa. Também achei que foi ruim pra todo mundo, mas a mudança está nas nossas mãos, sempre é possível. Abraço.

      Excluir
  6. Oi!!
    Olha, que texto forte, ele nos faz pensar em tantas coisas, por que no fim estamos vivendo tudo isso que o autor retrata em sua crônica, isso claro sem falar que ela é bem impactante se você for olhar para uma ótica de uma novo ano que se começa, espero conseguir chegar a quarta vida, será que o governo deixa?

    Beijos!
    Eita Já Li

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. hahahahahahaha o melhor comentário, se o governo não nos matar antes, envenenados ou escravizados, chegamos na quarta fase <3

      Excluir
    2. Oi, Alisson. Abraço. Obrigado pelo seu comentário e pelo detalhe da preocupação de nos mantermos vivos rsrs. "Precisamos estar atento e fortes, não temos tempo de temer a morte".

      Excluir
  7. Olá!

    Todo dia devemos melhorar não só o nosso eu, como nossas ações conosco e com os outros.
    Acho que em sua grande maioria as pessoas comemoram o ano se passando com o intuito de se renovar.
    Eu pelo menos comemoro que consegui sobreviver a mais um ano, que ultimamente está sendo extremamente difícil, e coloquei metas para mim cumprir ao decorrer de 2020, já que não devemos para no tempo, independente das coisas que acontecem ao nosso redor.
    O ano de 2019 foi um ano bem complicado em um todo, mas para mim foi um ano de aprendizado e trabalho duro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana Caroline, bom dia. Obrigado pelo seu comentário. É isso, você colocou o final de 2019 como um marco para mudanças e é o que vale, é o que precisamos fazer todos os dias. Abraço.

      Excluir
  8. Oi, tudo bem?
    Eu sempre tive dificuldade em entender esse ritual do final do ano. E, como esses últimos anos têm sido tão complicados, fiquei ainda mais desanimada. Porém, nesse último ano senti necessidade de ter esse momento, de repensar o que aconteceu em 2019. Ficou mais claro para mim a importância desse ciclo e de estabelecer objetivos para 2020.
    Mas adorei o texto e achei interessante a forma como o autor fez essa divisão da vida, tendo momentos importantes como marcos.
    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia, Maria Luíza. Obrigado pelo seu comentário. É isso, acho que cada ser tem momentos únicos que devem ser comemorados como a passagem de ano, como um momento de renovar esperanças. Abraço.

      Excluir
  9. Nossa, que texto incrivelmente impactante! Uma crônica que merece ser lida e sentida, é para nos fazer refletir. Espero que 2020 seja um ano de conquistas, preciso de mudanças, preciso de coragem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi,Beatriz. Espero que as reflexões que venham da lida das minhas palavras lhe sejam úteis na vida dita real. Abraço.

      Excluir
  10. Ola...
    Amei demais o seu texto, super impactante e me fez refletir bastante!
    O meu ano de 2019 foi bem complicado, então, senti bastante as suas reflexões...
    Bjo e parabéns pelo belo texto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Diane. Que bom que minhas letras lhe tocaram, espero que as reflexões decorrentes dele sejam positivas. Abraço.

      Excluir
  11. Que texto profundo! O que mais me conquistou nele foi essa parte: "Para mim o ano que começa agora é um ano de adeus, de despedida, de partida. É um ano de ponto final, de fim da linha.". Acredito que precisamos nos despedir de algumas coisas, deixá-las no passado e começar um ano diferente. Parabéns por esse texto!

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, PS (eu tb) Amo leituras. Pra mim é bem sofrido esse exercício de deixar coisas para trás, mas bem que eu tento. Sou do tipo que continua uma discussão de meses atrás só na minha cabeça eu falo e imagino o que a outra pessoa falaria rsrs Por isso digo que sou esCrizofrênico hehe. Abraço.

      Excluir
  12. Que texto mais interessante!
    Eu particularmente amo as festas de final de ano e acho que são fundamentais para a minha vida. Mas eu entendo a reflexão... Eu mesma acho que o Carnaval é a coisa mais besta que existe e não sentiria a menor falta! Rs...
    Quanto às vidas vividas, depois de ler o seu texto e pensar nas minhas fases de vida, acho que eu, antes dos 40 anos, já estou entrando na minha sexta vida! Ai ai...
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Camila. Obrigado pelo seu comentário. Não vejo estar na sexta vida como algo ruim, significa que vc viveu muitas emoções e mudanças, acho que isso é bom. Abraços.

      Excluir
  13. Particularmente achei seu texto bem pessimista mas entendo e respeito seus argumentos. Interessante você contar o número de vidas em função das marcas importantes da sua jornada. Vou refletir sobre isso.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ivi. Obrigado pelo seu comentário. Na verdade eu me defino como pessimista, mas nem tanto rsrs. É que sempre sofri cobranças, desde pequeno, por não ficar radiante, cantando e rindo à toa com a passagem do ano, levei tempo para entender que não sou obrigado a isso, que as pessoas são diferentes. Abraço.

      Excluir
  14. Oii, tudo bem?
    Eu particularmente acho que as pessoas festejam a mudança do calendario porque eles precisam de uma data para que elas liguem o mindset, é como se fosse realmente uma mudança de ciclo coletiva. O que as vezes acaba por não fazer sentido, pois se você querer mesmo pode fazer isso a qualquer dia do ano.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Giovana. obrigado pelo comentário. Eu acho que é uma tentativa coletiva (talvez o Inconsciente Coletivo) de esquecer o que deu errado e esperar (mesmo sem mudar a si próprio) que no próximo movimento de translação as coisas sejam melhores. Abraço.

      Excluir
  15. Oi! Então, diferente de você, eu amo celebrar o fim do ano. Gosto de ver ciclos se fechando e novos recomeços (não que isto seja possível apenas no final do ano), mas além disso existe toda uma energia diferente que emerge nas pessoas nesta época.

    Achei o texto um tanto pessimista, mas entendo cada um dos argumentos usados. Desejo um feliz 2020 para você também

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Jéssica. Obrigado pelo comentário. Só para esclarecer eu tb comemoro, afinal festa é festa rsrs. Abraço.

      Excluir
  16. Desde que enfrentei um turbilhão em todas as áreas da minha vida em 2019, deixei de ter expectativas "reais" em relação a virada de ano. Nós fazemos tantos planos, acreditamos que tudo será diferente, que as pessoas mudarão, que passarão a dar valor à vida e à família, mas isso não acontece. A entrada de um novo ano não muda ninguém, infelizmente. Eu que o diga! A minha vida inteira eu esperei que meu pai mudasse, agora ele vai fazer cinquenta anos e sigo esperando. É uma mudança que nunca virá e preciso aceitar isso.

    Acho que já vivi duas vidas e em 2019 comecei a terceira. Estou aprendendo todos os dias, tentando aproveitar o ar que respiro, a oportunidade que tenho de mergulhar na literatura e estar com as pessoas que amo.

    Amei seu texto! Me fez refletir muito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, luna. Não sei o que lhe aconteceu em 2019, mas se você está na terceira vida tão nova deve ter passado por eventos marcantes.Se sua situação foi extrema como já vivi, deixe eu te falar. Não me envergonha dizer que já imaginei várias maneiras de tirar a própria vida e já me peguei com a ponta de uma faca no pescoço e, ironicamente, o que me segurou foi (pode rir, mas é verdade) não querer sujar o chão do meu quarto com sangue. Entretanto, cá estou eu, na quarta vida, feliz, escrevendo, lendo, ouvindo música, namorando, viajando e rindo dos pensamentos que me invadiram há tão pouco tempo. Quanto ao seu pai eu não posso falar nada, seria o que Freud chamou de Psicanálise Selvagem, mas posso dizer que meus três filhos (reclamados, se tem mais algum, não sei rsrs) demoraram para entender pq eu não comemoro meu aniversário e outras "esquisitices", e olha que faço 60 esse ano, por sorte a mulher que me escolheu é um anjo (além de ser psicóloga) e não queima meu filme com eles, ao contrário me ajuda nisso. Lembre que cada pessoa conhece o peso que carrega e, se ele não for criminoso, não podemos fazer nenhum juízo de valor. Para concluir, parafraseando a canção Por Enquanto é preciso lembrar que se o pra sempre sempre acaba, o nunca sempre chegará. No final tudo dá certo, se não deu certo é pq não chegou o final.

      Excluir
  17. Fiquei dias a pensar neste texto. A princípio, atribui ao niilismo tais ideias, depois, e com leitura criteriosa, compreendi que não se trata disso.

    Suas palavras são redondas e capazes de provocar desconforto em quem está na dimensão das crenças limitantes mais profundas.


    Admito que custei a compreender que a magia do ano novo não se recorre ao calendário padronizado, vai por caminhos sinuosos da existência individual que se constrói no convívio social.

    A virada de ano, tal qual conhecemos, é mera formalidade banalizada socialmente. Há, todavia, algo que não se banaliza, que de uma forma ou de outra, todos passarão, cada um ao seu modo, são as passagens ou viradas de nossa vida que a torna peculiar e cada ser único e complexo em sua existência.


    Ass.: Maria Conceição.

    Encontrei o texto por meio do Facebook Poesia na alma.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Maria Conceição. Obrigado pelo seu gentil comentário. Foi isso mesmo, não é uma data que fará diferença, mas nosso crescimento, nossas atitudes. Abraço.

      Excluir
  18. Que texto maravilhoso! Realmente nos coloca a refletir sobre a vida. A nossa é dos demais. Adorei a separação pelos marcos e, especialmente, a ênfase nas coisas boas em cada época, pois preciso fazer mais isso.
    Obrigada por compartilhar conosco!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Fernanda. Obrigado pelo gentil comentário. Sempre sofri com a obrigação de ficar feliz com a passagem do ano, quando na verdade fico feliz por cada realização e não pelo Movimento de Translação rsrsrs Abraço.

      Excluir
  19. Eu gostei muito desse texto e da forma como aborda a questão da virada do ano, porque se for para parar e pensar sobre achar que a passagem dos anos vão nos proporcionar uma vida diferente e a maior ilusão que nos leva a frustração. São nossas atitudes que vão dizer se vai haver ou não mudança, fora que com o passar dos anos vamos perdendo nossas vidas, ou ganhado mais vidas depende da perspectiva.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lana, obrigado pelo seu comentário. A passagem do ano tinha um significado especial porque dia 1 de janeiro é o dia da paz universal, mas como cada um de nós é único acredito mesmo que nossos feitos merecem mais comemoração que a mudança de data. Abraço.

      Excluir
  20. Texto profundo e bem reflexivo. Nos faz repensar sobre alguns aspectos, principalmente de que cada ano pode ser encarado como uma vida. Mesmo sendo o fim de ano um rito de passagem meio sem sentido. Também penso assim, que o rito de fim de ano é sem sentido. Mas vamos nessa, fazer o quê! Parabéns por ter trazido essa crônica, me tocou bastante!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tay, olá. É legal quando a passagem do ano coincide com nossas realizações e parece que o mundo todo comemora nossa vitória rsrs. Abraço.

      Excluir
  21. Olá, tudo bom?
    Adorei seu texto e a forma como você fez as divisões das suas vidas - que fizeram muito sentido para mim, como prometido no início do texto! rs Confesso que ainda estou refletindo sobre o que li, no entanto, em relação ao rito de passagem de um ano para outro, concordo plenamente com você. Não vejo como uma simples virada de ano possa nos tornar pessoas diferentes. Seria muito fácil, né? rs
    Enfim! rs Adorei o texto! Ainda refletirei mais sobre ele e sobre as divisões da vida.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Polly. Que legal que você gostou e sente parecido, pelo menos não estou sozinho rsrs. Obrigado pelo comentário. Abraço.

      Excluir
  22. Ola!
    Gostei muito do seu texto, considerei mais reflexivo e racional do que pessimista. Ou talvez eu tenha uma verdadeira negação sobre o pessimismo, por eu mesma ser um pouco pessimista e isso me deixar deprimida. o.o'
    Eu gosto de pensar que é interessante marcarmos um início de ciclo e o término desse ciclo, seja no ano novo, seja na data de aniversário. É como você disse, serve para refletirmos e pensar o que fizemos e o que faremos de diferente a seguir. Interessante pensar em várias vidas que vivemos. Não sei exatamente quantas vivi, como eu poderia calcular os momentos intensos, se não souber se eles foram realmente intensos e importantes? Ou eles podem não ter sido tão importantes, mas eu só os achei importantes naquele momento, mas olhando pra trás... talvez não fossem.
    Sério, eu acho que me perderia nisso, eu tento racionalizar demais. rsrs
    Bom 2020 pra vc! Que os momentos importantes e intensos sejam bons!
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Lucy. Na verdade eu não pretendia escrever um texto pessimista, mas saiu meio parecendo assim. Eu queria mostrar que temos mais coisas a comemorar que a virada do ano, mesmo dia 1 sendo da paz universal, e que devemos festejar cada vitória nossa e cada mudança de vida. Obrigado pelo seu gentil comentário. Abraço.

      Excluir
  23. Oi!
    Me tocou profundamente, parece que estava vivendo, e a narrativa me pegou num momento muito emocional que não sei colocar em palavras que senti.
    Minhas meras palavras são de agradecimento pois sei que não estou sozinha nessa jornada, me faz sentir-se melhor e desejar fazer melhor. Obrigado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cris, que maravilha que pude aliviar seu espírito, mostrar que nunca estamos só. E não precisa agradecer, eu que fico agradecido por você ler e comentar minhas palavras. Bj.

      Excluir
  24. Oi Leonardo, tudo bem?
    Esse texto me deixou bastante sem palavras, pois a gente quase não para para pensar no que realmente é importante e/ou essencial para nós. Tristemente, eu li esse texto logo depois de saber que perdemos uma amiga de longa data por complicações de problemas renais.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky...
    http://www.osvampirosportenhos.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Renata, sinto muito pela sua amiga, já perdi alguns e sei como é ruim, nesse momento avaliamos nossas vidas e nos sentimos desimportantes, mas precisamos seguir e até essas perdas são momentos em que iniciamos outra vida. Prometo que o próximo texto será mais leve, embora fale sobre o inferno é mais engraçado do que trágico. Aguarde. Obrigado pelo comentário e abraços.

      Excluir
  25. Olá,
    já faz um tempo que entendi que demarcar começos e fins não funciona muito bem pra mim. Metas cronometradas entre outras coisas do tipo, não me deixam mais produtiva, muito pelo contrário, me fazem pensar incansavelmente em como o tempo está acabando dia após dia e minuto após minuto, isso me bloquei por completo. Sendo assim, eu entendo a necessidade da maioria de se apegar á este simbólico marco para o recomeço, mas foco em aproveitar os momentos e as oportunidades, escrevo quando me sinto inspirada e deixo que tudo saia, sem tempo delimitado e sem data marcada. A espontaneidade tem seus prós e contras, mas dessa forma eu consigo dar um passo de cada vez, diferente da outra abordagem que me deixa inerte em definitivo. Parabéns pelo texto maravilhoso, me fez pensar e repensar inúmeras possibilidades.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

    ResponderExcluir
  26. Olá, Delmara. Minha ansiedade é nesse nível também, se me cobram com prazos eu me perco pensando quanto tempo falta, por isso escrevo pro Poesia, a Lilian não me cobra prazos rsrs. Marcar nossas vidas pelos feitos importantes faz mais sentido pra mim do que uma data marcada no calendário. Obrigado pelo seu comentário. Abraço.

    ResponderExcluir

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma