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Resenha – Ciranda de Pedra


Lygia Fagundes Telles foi uma autora que marcou o início de minha adolescência com o livro Ciranda de Pedra, uma história que se passa na metade do século XX, narrada pelos olhos da personagem Virgínia de criança até a vida adulta. Diferente das irmãs, Bruna e Otávia, que vivem em uma casa luxuosa com pai, Virgínia acompanha dia após dia a mãe definhando em uma cama sem compreender ao certo o que está acontecendo.

 

“Bruna disse que se minha mãe não tivesse se separado do meu pai não estava agora assim doente. Ela acha que é castigo de Deus” (pág. 17)

 

Em meio de uma família apática, levada pelas aparências, uma mãe doente, cuidada pelo amante e marginalizada socialmente e muitos segredos, as dores de Virgínia vão ganhando força. Entre triste, melancólica e cruel, a menina começa a se despedir da mãe, vai para casa luxuosa do pai e em nada sua vida melhora.

 


Pouco depois de se mudar, sua mãe morre e Virgínia descobre da pior forma que Daniel, médico e amante da mãe, era seu pai biológico e acabara de tirar a própria vida. Sozinha e desamparada de afeto, decide que prefere viver em um internato, apesar disso, seus monstros a persegue.

“Queria morar no colégio mesmo. Posso?” 

Após terminar os estudos, Virgínia retorna e todas as suas dores e ilusões da infância se fazem mais presentes que nunca, a menina solitária, triste, ingênua e carente ainda está latente, bem como o desprezo que recebe das irmãs, dos amigos de infância e do ‘pai’ que a registrou.

“- Bonita, mas infeliz.”

Virginia é a representação do patinho feio e da bastarda, um retrato do ‘erro’ da mãe que desonrou a família e precisava ser banida, marginalizada e pagar por seu pecado. Ela cresce com o ônus de carregar uma culpa imposta pela sociedade e isso afeta diretamente sua autoestima, o modelo de família de bem determina do pelo ideal cristão fora rompido por sua mãe, uma errante e cabia a Virgínia carregar a cruz da falta de afeto.


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