Resenha – Praia do futuro




06 janeiro 2015


O filme Praia do futuro deu o que falar. Os homofóbicos de plantão, acostumados ao Capitão Nascimento, não esperam o Wagner Moura numa atuação tão brilhante, sensível e inteligente. Para aqueles que esperam um romance-romântico-açucarado-meloso-mão-na-mão-cristão, tirem o cavalinho da chuva. O sexo, suave, é o que dá início ao relacionamento. Sim, o sexo casual, mas que pode dar vida a outras coisas. Sem cerimônias.
Donato é salva-vidas e perde sua primeira vítima de afogamento na Praia do futuro - CE. Para tanto, o único contato que as autoridades têm é do Konrad, um motoqueiro alemão viajante, que estava no hospital. Donato, ainda perturbado por cometer uma falha, vai até o encontro de Konrad como portador da notícia. Em seguida oferece uma carona ao alemão e, no carro mesmo, os dois fazem sexo. A cena é linda, visceral e leve. Lembro-me que quando o filme passou aqui na cidade, uns fortões homofóbicos queriam quebrar o cinema, visto não saberem o teor do filme. O que é natural, já que ignorância e homofobia andam de mãos dadas; é um casamento.


Os dois começam a se conhecer, mas é chegada a hora do alemão partir e Donato vai junto. Na Alemanha, o filme é conduzido para um ar mais romântico. Uma cena que considerei sensacional, é quando Konrad coloca um LP com uma música ‘brega’ – a versão nacional é Aline, de João Mineiro e Marciano – e os dois começam a dançar, fazendo um ritual de acasalamento perfeito e brega como o amor. O poeta já dizia que toda carta de amor é ridícula, ridículo para quem está de fora, para quem vive é um ritual transcendental. E essa foi a demonstração poética do amor, sem rótulo, simplesmente amor!


Apesar de o filme ser linear, a vida de Donato não é tão fácil e ele oscila, lógico. A saudade da família, precisamente do irmão mais novo que deixou no Ceará, é um fantasma que o atormenta. Konrad dá o apoio necessário, mesmo quando Donato decide ir embora; entretanto, eles já se amavam a tal ponto de um não poder mais viver sem o outro. E o final, gente, que final. Perfeito! Derramei lágrimas. Eu chorei...
Emocionante, poético, sem rótulos, real, sofrido, nostálgico, resiliente, numinoso, harmonioso, piegas, romântico, sexual, livre, silencioso e gritante. Eis as sensações que senti ao assistir Praia do futuro. Pena que não tem no skoob para eu marcar cinco estrelas (brincadeirinha).


3 comentários:

  1. Nossa, nunca ouvi falar desse filme, mas pelo que li já sei que vai ser difícil de eu assistir, não costumo ficar vendo filme sozinha, é sempre com meu namorado e não é típico dele, se é que me entende -_- haha
    Beijos | Pretty Things

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  2. mas vc pode marcar no Filmow as 5 estrelas hahaha
    Nossa, vou anotar na listinha pra assistir quando puder. Adoro Wagner Moura ♥

    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  3. Oie Lilie, eu não tinha ouvido falar desse filme,
    Acho o Wagner moura um gênio, vou procura-lo.
    Valeu pela dica, beijoos

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