Resenha – Rogéria: uma mulher e um pouco mais




16 fevereiro 2017



Rogéria – uma mulher e um pouco mais, de Marcio Paschoal, Editora Arqueiro, 239 páginas, traz a história de um grande ícone nacional, a travesti Astolfo-Rogéria.  A trajetória de Rogéria é relada a partir de sua estreia no mundo, em 1943 e ainda se chamava Astolfo Barroso Pinto. 

Ela relata que teve sorte de ter nascido numa família amorosa, mas isso não a livrou dos comentários cruéis na escola, o que facilmente resolvia na porrada.

“Eu nunca sofri bullying, eu sou o bullying.”

Na adolescência as explosões tão naturais em conhecer o próprio corpo e sentir prazer começam a aparecer. Além disso, depois de anos reencontra o pai, que deixava claro sua opinião sobre homossexualidade.

“(...) embora Dídimo deixasse bem claro que não aceitava a homossexualidade latente do filho. Deu conselhos, fez perguntas, tentando convencê-lo a se modificar. Tarefa infrutífera, pois internamente, Tofinho já se considerava feminino. Se o pai não o aceitasse, o problema não era dele. Não iria mudar.”  

Mais tarde, sua mãe casa e seu padrasto, numa tentativa inútil de transformar Astolfo em um ser másculo, isso torna a situação em casa mais amarga, porém, nessa época, Astolfo descobre seu glamour para os palcos. Na tentativa de provocar, em dias de chuva colocava um biquíni por baixo de sua capa de chuva e desfilava rua abaixo.   

Homossexual é cabeça. Não é só penetração que faz o viado. Você já tem que nascer assim.”

E conforme os dias passavam, sua vontade de se vestir ‘como mulher’ já gritava em suas entranhas. Ou seja, usar roupas socialmente determinadas como femininas. Depois, se apaixonou por Geraldo e teve sua primeira experiência sexual.

“Ele me chamava de ‘Minha princesa’ e eu me desmanchava todo. Geraldo era lindo e tinha um pau enorme. Quando transamos, foi traumático. Não tive prazer nenhum, ele praticamente me estuprou. Eu só queria ser mariquinhas, não sabia que mariquinhas tinha que dar a bunda. Fiquei machucado demais, mas pensava estar apaixonado...”

Além de uma experiência sexual traumática, a convivência com o padrasto em casa ficava cada vez pior. No entanto, sua vida ficava mais badalada e novas experiências sociais foram vividas, inclusive de ser preso por tomar banho de sol de biquíni.


Em 1962, ele se torna maquiador na TVRio. E aos 19 anos, conhece o grande amor de sua vida, Múcio. Um casamento que durou três anos.

Em 1964, fantasiada de baiana, Rogéria estreia e o sucesso nunca mais a abandonou. Paradoxalmente, ela estreia justo no ano da ditadura Militar

“Estreei junto com a ditadura de 1964. Era um tempo meio triste e preocupante, mas eu pensava comigo: ‘Você não pode se meter nisso, já é um protesto ambulante, um homem vestido de mulher fazendo vedete em Copacabana não é pouca coisa’. Eu sabia que muita gente estava sofrendo perseguições, mas me sentia impotente e tinha que seguir minha vida.”

Com o tempo, Rogéria foi cada vez mais conquistando seu espaço na grande Mídia e deixando sua marca no Brasil e no mundo. O livro traz muitos detalhes de sua juventude bem como de sua adaptação com o avanço da idade, relacionamentos amorosos, seu relacionamento com família, Teatro, TV, etc. 

Caso tenha curiosidade de saber mais sobre travestis durante a ditadura Militar, pesquise aqui >> Onde estavam as travestis durante a Ditadura? <<

25 comentários:

  1. Eu lembro de Rogéria da tv, sempre com um sorriso largo. Nem parece que sofreu tanto para ter sua vida respeitada. Deve ser um leitura cheia de fatos marcantes. Espero ter a oportunidade de ler.

    Beijos!

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  2. Nossa! Que resenha perfeita! Eu a vi semana passada rapidamente em um programa de televisão. Não me lembro onde. Essa história é incrível. Uma história de emponderamento e de coragem. Gostei muito do link no fim do texto. A matéria é muito esclarecedora super bem escrita.

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  3. Infelizmente ainda existe muito preconceito. Acho que todos devemos ser como quisermos ser, não importa como queira se vestir ou nada disso, o importante é serem feliz.
    Ela teve sorte mesmo de ter tido uma familia que a apoiou pois ouço muitas histórias de quem não teve ninguem, mas infelizmente sempre haverá preconceito
    Muito legal que fez um livro contado a sua tragetória e que apesar de tudo conseguiu subir na vida e faz uma carreira maravilhosa

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    1. Concordo com você, ela teve sorte, foi uma entre milhares que não têm a mesma sorte. Não curti quando ela disse 'Estreei junto com a ditadura de 1964. Era um tempo meio triste e preocupante, mas eu pensava comigo'. A ditadura não foi meio triste, foi horrível, miserável, vergonhoso. e o livro é permeado dessas sutilezas infelizes. No entanto, acredito que todxs tenham o direito de contar sua história, todos devam ter voz, mesmo o que ficam em cima do muro.

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  4. Não conhecia nada da vida de Rogéria, aliás não curto muito conhecer a vida dos famosos, apesar disso não fiquei interessada em ler o livro. Enfim...


    Nara
    Viagens de Papel

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  5. é,como tava te falando outro dia,não conheço praticamente nada da vida de Rogéria... mas não é uma biografia que eu gostaria de ler pra conhecer...

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  6. Olá Lilian, tudo bem?

    A sua resenha ficou perfeita. Lembro da Rogéria desde pequeno, se não me engano ela frequentava o programa do Silvio Santos. Eu pouco sei da vida da Rogéria, quase nada mesmo, acho que não pegaria a obra!
    Bjuss

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    1. Não está perdendo nada, o link no final da postagem é muito mais instrutivo

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  7. Oiii, tudo bem?
    Menina eu sou louca para ler esse livro que você nem imagina, acompanhei todo o lançamento e acabei pesquisando sobre Rogeria que vi apaixonada pela história, leria com toda certeza!
    Beijinhos da Morgs!

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  8. Olá,
    Confesso que desconhecia a obra, mas fiquei bem intrigada para acompanhar toda a transformação de Astolfo em Rogéria e ter uma noção mais crua de tudo o que passou para sentir-se ela mesma e também os sonhos que conseguiu realizar.

    LEITURA DESCONTROLADA

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  9. Oie amore,
    Pra ser bem sincera não sei se leria o livro... essa mulher não me anima nem um pouco. Apesar de parecer se tratar de uma lição de vida e tanto.
    Adorei a resenha, parabéns!
    Beijokas!

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  10. Quando eu vi a publicação desse livro, logo me interessei. A Rogéria é uma pessoa carismática e eu gostaria muito de conhecer um pouco sobre o seu passado.

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  11. Gente!!!!! Não conhecia o livro! Quero muito ler, acho ela o máximo, o máximo mesmo! Adorei sua resenha e pela dica! Adorei as quotes, o que me deixou mais curiosa ainda! Dica anotada com certeza!

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  12. Eu adorava quando a Rogéria aparecia, sempre achei que passava uma energia boa... Mas não tenho vontade de ler o livro e acompanhar a vida dela. Mas que bom que ela sempre soube quem era e não se deixou abalar pelas opiniões dos outros.

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  13. Eu conheço a Rogéria (quem não conhece?), mas apesar das admiração que tenho pela história dela, não tenho interesse no livro. Isso não é por ser a Rogéria, mas é que ultimamente não tenho lido biografias. Só um adentro, ela realmente teve sorte em ter uma família amorosa, ainda mais na época em que nasceu...
    Bjs

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  14. Olá! Desde criança vejo programas de tv com Rogéria.
    Acredito que esse livro pode agradar bastante aos seus admiradores.
    Muito boa sua resenha, bjooooooooo

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  15. Olá!!

    Primeira resenha que leio desse livro! Estava querendo ler ele, mas não tinha certeza se era bem escrito de fato. Gostei muito, vou atrás dele!!

    Bjus

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  16. Olá,
    Não sou fã de ler biografias, mas acho que essa em especifico deve passar muita experiência de vida e adaptação. Seria até interessante de se ler.

    http://euinsisto.com.br

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  17. Oie
    eu ainda não conhecia o livro mas parece ser interessante e é diferente do que leio, fiquei curiosa para saber mais então a dica esta anotada

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  18. Oi, tudo bem?
    Não conhecia o livro!
    Sobre o trabalho da Rogéria sei quase nada, muito menos sobe a vida, e não leria o livro pois não curto biografias.
    Bjs

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  19. Rogéria é maravilhosa, pra mim ela e a Elke são símbolos fortes da feminilidade e figuras importantes no nosso contexto social, pensei em pedir esse livro mas como é mais biografico fiquei receosa, agora me arrependo kkkkk. aah amei essa frase: “Homossexual é cabeça. Não é só penetração que faz o viado. Você já tem que nascer assim.”

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  20. Olá!
    É muito legal saber como a Rogéria enfrentou os seus preconceitos e conseguiu o seu espaço na mídia. Infelizmente não sou fã de biografias, então esse livro não é para mim, mas adorei a sua resenha.
    Beijos.

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  21. Oi. Só a conheço por por nome. Como este tipo de livros não faz meu estilo, não leria ele. Não curto muito biografias e tenho certeza que não ficaria muito feliz com a leitura.

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  22. Oi!
    Gostei muito da sua resenha :) Eu conheço a Rogéria mais por nome do que qualquer outra coisa, apesar de achar que a história de vida dela deve ser interessante, não é o tipo de livro que gosto muito.

    Bjs!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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