Resenha – Diário de um corpo




10 abril 2017


Quantas vezes por dia, você pensa sobre o seu corpo?  Sobre as possibilidades que ofereceu, oferece e oferecerá? O que era e deixou de ser? Sobre como você precisou se readaptar as novas necessidades dele? Pois é, é sobre isso que Diário de um corpo, de Daniel Pennac, 328 páginas, Editora Rocco, trata. Óbvio que a considerar o título, não é uma informação das mais inusitadas.

No entanto, apesar de aparentemente evidente, pensar sobre o nosso corpo numa esfera social e individual, não é algo tão comum.

“Não vou me tornar de jeito nenhum,especialista nas minhas doenças”

E, mesmo aparentando um livro autobiográfico, essa história é sobre nós. Exatamente, sobre nós. Mesmo que eu pese 100 quilos e você, 40. Mesmo que você seja homem e eu, mulher. Sentimos calor, frio, adoecemos, envelhecemos, nos acidentamos, choramos, ficamos tristes, etc., e, salvo algumas exceções, essa é uma situação ‘sine qua non’.

“Virei-me: ajoelhada ao meu lado, um copo d’água na mão, Suzane me aspergia com as pontas dos dedos, concentrada como se estivesse sobre uma mina. Sua pele, com várias sardas e marquinhas espalhadas, é um céu cheio de estrelas. Com uma esferográfica, reproduzi nela o mapa celeste do mês (...). Agora é a sua vez, disse Suzane, vamos ver um pouco o seu céu e os seus céus. Mas, nada havia em minha pele, nem de costas nem de frente, nenhuma marquinha, nada. Uma página em branco. A única coisa que eu lamento é a maneira como interpreta isso: você é todo novo.”

O personagem desta ficção narra sua vida dos 12 aos 87 anos. Quase cem anos de existência entre os séculos XX e XXI. As limitações da velhice não são tão tortuosas, talvez, quanto as limitações da infância e adolescência permeadas pelo medo e culpa constantes. Amarrado a uma árvore por seus colegas Escoteiros, o personagem se vê num confronto imaginável com formigas prestes a devorar o seu corpo e é desse momento que algumas estruturas são rompidas.

“(...) ao longo de toda a vida que se seguiria, se propôs a diferenciar o corpo do espírito, a dali em diante proteger meu corpo dos assaltos da imaginação, e minha imaginação das manifestações intempestivas de meu corpo.”

Dessa forma, no intuito de se proteger, nasce o diário

“Fui expulso. Mamãe veio me pegar. No dia seguinte, dei início a este diário, escrevendo: não vou mais ter medo, não vou mais ter medo, não vou mais ter medo, não vou mais ter medo, não vou nunca mais ter medo.”


O final do livro é obvio, a morte, mas não é o fim que importa, e sim o recheio do biscoito, neste caso, do corpo. São os relatos da adolescência até a velhice que dão o ar cômico, trágico, incômodo, etc., de situações rotineiras sobre o corpo, único protagonista desta história. Logicamente que tudo isso nos remete a uma profunda reflexão sobre o quão natural ou bizarro pode ser o corpo, tal qual um inseto na natureza. 


26 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Nunca tinha ouvi falar deste livro, ele parece ser muito bom, com uma narrativa muito legal. Como não sei muito sobre a obra, vou procurar mais informações sobre ela, para depois me decidir melhor se leio ou não.

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  2. Nunca ouvi falar deste livro, mas me interessei bastante. Confesso que os que eu conheço mais ou menos no estilo, não gostei, espero que esse mude minha opinião caso eu leia, rs.

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  3. Olá,
    Não conhecia o livro, mas achei a proposta muito interessante, achei que vem bem de encontro com muitas coisas que eu pensei ultimamente, vou pesquisar mais a respeito e ver se realmente a leitura me interessa.
    Beijos
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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  4. Achei o título do livro bem inusitado e lendo a resenha eu fiquei interessada pela leitura. Fiquei curiosa para saber o que ele tem para nos contar.

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  5. Oi Lilian
    Não conhecia este livro, mas eu adoro esta temática!
    Fiquei bem curiosa e já coloquei na minha lista
    Gostei muito da sua resenha
    Bjs

    www.maeliteratura.com.br

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  6. oi,
    Achei a proposta do livro muito interessante e inusitada. Com certeza uma vida tão longa faz com que o corpo passe por diversas fases e sensações. Na verdade não paro muito para pensar a respeito do meu corpo, a não ser quando estou doente. rsrs
    Eu leria o livro mais por curiosidade, para saber como essa história é contada e como funciona...
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

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  7. OOi, Lilia!
    Esse parece ser um livro bem peculiar. Amei a forma que usou para descrever o livro e sobre o que ele é, sobre nós, porém, não sei se leria. Acho que, nesse momento, não; talvez em outro. De qualquer forma, dica anotada!
    Beijoos e parabéns pela resenha!

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  8. Olá, tudo bem?
    Gente que premissa interessante.
    Fiquei muito curiosa por essa leitura e pelos ensinamentos que ela nos trará. Se tem uma coisa que sabemos é que o tempo traz muitos ensinamentos e lições e nada melhor que alguém que viveu essas experiencias para contar. Amei

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  9. Oii. Já tinha visto o primeiro QUOTE que vc citou e quando o li pela primeira vez fiquei espantada pela genialidade de tão poucas palavras. Decidi que será um preceito que levarei para vida, nunca dar mais atenção ao que há de errado com meu corpo do que com está ok.
    Achei a ideia genial, afinal, este invólucro que nos recobre estará conosco em todos os momentos.
    Bjsss

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  10. Oii, tudo bem?
    QUE LIVRO É ESSE? Nossa! Achei bem diferente de tudo o que já li, o autor parece escrever com uma genialidade incrível! Com certeza é um daqueles livros que traz vários ensinamentos. Ele, basicamente, fala sobre nós. Amei!
    http://oxenteleitora.blogspot.com.br/

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  11. Ola, nao conhecia esse livro e ja virou meu favorito! Hahahah
    Amei a resenha e os detalhes postos, fiquei com vontade de ler e nao é algo que eu leria por comprar em uma loja, porque de inicio nao me chamou a atenção.
    Obrigada por mostrar esse livro maravilhoso, vou ler e te falo se gostei!
    Bjs

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  12. Olá, não conhecia o livro, porém o enredo e sua resenha me deixou com curiosidade sobre ele...

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  13. Adoro enredo onde posso acompanhar toda a vida do personagem, e como a proposta desse diário é bem diferente do que estou acostumada a ler e ele nos remete a reflexões, anotarei a dica para ler assim que possível.

    Beijos

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  14. Oi!
    Não conhecia o livro e apesar de ter uma premissa muito interessante. Muito legal falar sobre o processo que nós seres humanos vamos passando no decorrer do tempo. Dica anotada!

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  15. Oi Lilian, não conhecia o livro, e fiquei espantada quando li a maldade que fizeram em prender o guri na árvore cheia de formigas. Eu não penso muito sobre o meu corpo, e ao ler a resenha, fiquei me questionando como podemos relegá-lo a segundo plano se é justamente ele que sofre ao longo do tempo as transformações que sofremos.
    Bjs

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  16. Refletir sobre o nosso corpo?! Que proposta interessante. Não conhecia o livro e já fiquei encanta. Acho que o que penso muito no meu corpo em termo de doenças, envelhecimentos. Mas não reflito em termo de corpo social. O livro me chamou atenção para essa questão.

    Beijos!

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  17. Olá
    Ótima resenha.
    Eu nao conhecia a obra e achei bem diferente. Não é bem o meu estilo de leitura então provavelmente não leria, mas a história é atrativa.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br

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  18. Olá!
    A editora Rocco sempre me surpreende os títulos diferenciados. Eu, como deficiente física, sempre refleti sobre esse assunto. A morte não é apenas o fim do livro, é o fim de todos.
    Beijos!
    Gatita&Cia.

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  19. Nossa que interessante, são tão poucos livros que abordam esse tema em si. A questão da jornada tem muita importante e eu não sabia que esse livro tratava disto. Irei pedir para a editora, ler ele e tirar minhas conclusões, adorei a suas. Parabéns.

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  20. Nossa, que premissa bacana! Deve ser bem interessante acompanhar uma história assim, ter uma noção do que é envelhecer, acompanhar tudo isso pela mente de um personagem. Fiquei bem curiosa.

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  21. Olá! Nunca ouvi falar deste livro, mas me pareceu uma leitura interessante. Obrigado pela dica ^^

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  22. Olá, tudo bem?
    Não conhecia este livro, achei interessante como o autor fez parecer ser uma autobiografia sem ser.
    Achei muito interessante! Gostei muito da sua resenha!
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

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  23. Oi
    Eu não conhecia esse livro! Mas confesso que despertou minha curiosidade. Gosto muito de livros assim. que acompanhamos a vida do personagem! Dica anotada!
    bjus

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  24. Oie
    adoro livros que são tipo diário e gostei do enredo desse, tem uma pegada bem forte e interessante, me deixou curiosa, quem sabe eu não arrisque, vou dar uma pesquisada e parabéns pela resenha

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  25. Oi, tudo bem?
    O livro é bem interessante, mas não é algo que eu leria.
    Bjs

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  26. Olá!
    A proposta do livro é bem inusitada e diferente. Fiquei curiosa para saber como a história é desenvolvida e como é narrada as situações. A capa não me chamou a atenção, mas o tem sim e se tiver oportunidade vou ler o livro.
    Beijinhos!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual, alcoolismo, etc. A escritora mantém um blog literário e trabalha com educação.

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