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Resenha – O sol na cabeça




Geovani Martins foi um dos grandes fenômenos de 2018, explorando memórias, sensações, a percepção, subjetividade, poética e acidez de quem nasceu em Bangu, um dos bairros mais populosos, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Esse poderia ser um elemento que não marcaria sua narrativa de forma tão incisiva. Há de se pensar, entretanto, que somos feitos de história.

Quando nois viu já era quase de noite. Uma larica que, sem neurose, era papo de quarenta mendigo mais vinte crente. Tava na hora de meter o pé.

E são essas histórias narradas com qualidade estética que tornou O Sol na Cabeça, primeiro livro do autor, uma obra de relevância lida em oito países, sem tornar essas marcas da expressão artística uma voz exótica, muito menos mediocrizada pela indústria do entretenimento.

Nos treze contos que alicerçam O Sol na Cabeça, Companhia das Letras, o leitor se depara com o lugar do outro no mundo. Neste caso, o olhar e experiência de outros, meninos e adolescentes em suas angustias, sofrimentos, sonhos e a violência de Bangu.

O conto Roleta-Russa que faz menção ao título da obra, Paulo pela primeira vez pega a arma do pai para brincar, e a descoberta do objeto de poder em mãos de um menino confere ao texto mais que o próprio aspecto da violência em si, mas a angústia da tragédia anunciada.

Tudo era incrível como num sonho, mas nunca seria o bastante enquanto não levasse a arma pra rua, enquanto não a exibisse pra sua galera.

A certeza da tragédia mesclada com a inocência de uma criança em sua fase de transição, como com qualquer outro menino do mundo, a figura de autoridade do pai, é quase o princípio instintivo do próprio ritual de transição si e suas nuances. O prazer de ter o poder, mesmo que por pouco tempo, somente conferido ao pai (homem, adulto e autoridade) junto com a angústia de ser descoberto e sofrer retaliações, todavia, sem o medo e noção de que essa poderia ser uma tragédia anunciada.

A escolha desse livro como última postagem de 2018 aqui no Poesia na alma, não foi à toa. A partir do dia 01 de janeiro de 2019, viveremos uma nova vertente do fascismo no Brasil, o bolsa estupro é só a ponta dos horrores e do obscuro que nos tomará, mas O sol na cabeça também é a certeza, não vamos calar. Ninguém solta a mão de ninguém.

6 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Li esse livro há algum tempo e foi mesmo uma leitura bem impactante, cheia de emoções. Adorei tua resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Olá!
    Ainda não li o livro, mas gostei bastante da sua resenha.
    Esse livro está na minha lista de desejados, e espero ler em breve.
    Gostei de saber um pouco mais do livro a partir da sua resenha. Fico feliz que você tenha gostado bastante.
    Beijos!

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  3. Vou dar este livro de presente para uma amiga, e espero que ela goste como você gostou. Cheguei a ler alguns dos contos e gostei.
    Bjs, Rose

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  4. Olá, tudo bem? Este livro é um dos que mais quero ler esse ano. Infelizmente deixei ele passar ano passado, mas espero já lê-lo por agora. Só vejo coisas boas sobre o mesmo, e tenho altas expectativas sobre. Anseio por gostar também!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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  5. Olá!
    Este livro é maravilhoso! ótima escolha de resenha para o fim de ano mesmo. Tenho ele aqui na estante e não vejo a hora de ler, parece ser uma leitura indispensável sem duvida!

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  6. Eu estou com muita vontade de ler esse livro, é uma leitura importante e não vejo a hora de poder ler. Adorei a sua resenha, me deixou ainda mais interessada no livro.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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