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Resenha – Terra das Mulheres, de Charlotte Perkins Gilman





Terra das Mulheres, de Charlotte Perkins Gilman, foi publicado inicialmente no ano de 1915 e recentemente pela Rosa dos Tempos, selo feminista do Grupo Editorial Record. O livro além de seu caráter histórico que marca o início do século XX com a produção de distopias e ficções utópicas, neste caso, romance utópico feminista, foi a inspiração da Mulher-Maravilha. Além disso, a autora é conhecida pelo livro O Papel de Parede Amarelo, publicado inicialmente em 1892 com reedição da José Olympo em 2016. Ambos os livros são um clássico da literatura feminista.

A autora traz a história de como mulheres vivem numa civilização isolada do restante do mundo, pelo viés de três amigos exploradores (machistas), Van (narrador); Jeff e Terry. Nessa sociedade não existem homens, miséria, violência ou desigualdade social e as mulheres com o passar dos anos adquiriram a habilidade de se auto reproduzirem.

Quando Van, Jeff e Terry chegam ao país isolado, ficam obcecados com a sofisticação, limpeza e beleza encontradas. Deduzem, por fim, que tamanho desenvolvimento só poderia ser construído por uma nação com homens e decidem procurar algum sinal da existência masculina na Terra das Mulheres.



Cada personagem masculino tem uma característica própria e uma visão peculiar sobre a mulher, logo, além de ser corpos estrangeiros neste país, trazem várias noções estereotipadas da cultura ocidental, capitalista e machista. Terry, entretanto, é a representação principal do homem machista, tanto em orgulho quando em ódio. Já Jeff tem uma visão mais romantizada e Van tenta racionalizar e contextualizar a experiência como um cientista.

Neste país que beira a perfeição as mulheres são livres e a maternidade não as torna objeto do estado ou religião, é um bem comum partilhada por todas, mesmo que nem todas sejam mães, as crianças são uma responsabilidade coletiva e educadas para serem livres. Ou seja, a criança ou a mulher não é uma propriedade do estado ou da igreja, aliás, a espiritualidade também ganha destaque na obra.

Van, Jeff e Terry se viam como prisioneiros na Terra das Mulheres e decidiram aprender tudo sobre o país enquanto arquitetavam uma fuga. Cada um tinha uma tutora que ensinava a língua, história, literatura, geografia, etc. O que eles não sabiam é que também eram estudados.

Quanto à crítica de Terry, era verdade. Essas mulheres, cuja distinção essencial da maternidade era nota dominante de toda a sua cultura, eram muito deficientes no que chamamos de ‘feminilidade’. O que me levou à convicção de que os ‘charmes femininos’ que apreciamos não são nada femininos, mas apenas reflexos da masculinidade – desenvolvidos para nos agradar porque elas precisam nos agradar –, nem um pouco essenciais ao desempenho. Mas Terry não havia chegado à tal conclusão.

Com o tempo e a educação recebida, eles começaram a mudar e a aceitar a possibilidade de um outro mundo, com exceção de Terry que reage com impaciência e intolerância a tudo que vivencia. Ele se apaixona por sua tutora, Alima, que o rejeita e a recusa faz com ele tente estupra-la.

Gilman, pela visão de personagens homens (ironia), retrata um mundo sem guerras e sem capitalismo, significa que não existe conflito de classe. Que a mulher não é inimiga de outra mulher e o conceito de sororidade é materializado. O tempo delas é dedicado a evoluir sempre, respeitando suas antepassadas sem ficarem compelidas a repetirem os erros de outrora.

Os homens não encontraram uma terra caótica ou mulheres desesperadas por sexo, presas em futilidades e discórdias. Não viram a guerra e milhares morrendo na miséria. Não viram crimes, a não ser o que eles cometeram. Encontraram mulheres que em suas profissões comungam pelo bem-estar de todas.

15 comentários:

  1. Olá!
    Eu realmente não conhecia a obra e suas influências. Achei interessante as três características distintas dos personagens masculinos e seus pensamentos conforme tal. Penso que é necessário uma leitura minuciosa para compreender todas as mensagens que a história passa. Adorei saber mais!
    Bjim!
    Tammy

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  2. Comprei essa edição em uma promoção na submarino e estou esperando chegar.
    Esse ano quer dar mais atenção para livros que abordam o feminismo e a forço da mulher <3
    Dica mais que anotada!

    Sai da Minha Lente

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  3. Olá, tudo bem? Estou muito feliz de ler uma resenha tão realista sobre esse livro, ganhei ele de presente no amigo secreto ano passado e, estou guardando para ler no mês das mulheres. Quero fazer uma leitura bem lenta e detalhada dessa obra, porque os temas abordados nele chama muito a minha atenção!

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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    1. Que bacana, Vivi. Estava pensando em fazer um artigo contrastando com o marxismo, vale muito fazer uma leitura lenta e marcar tópicos importantes para trazer informações detalhadas aos leitores, eu não falei nem 1% do que tem no livro

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  4. Talvez eu não leria esse livro nesse momento, pela densidade da obra. No entanto e notório que a obra abordar muito bem como as mulheres eram vistas e tratadas no século XX. De forma tão estereotipada, e como machismo era representado de maneira tão lícita. Gostei muito da premissa desse livro, e também quero ler O Papel de Parede Amarelo, outro livro da autora. Ambos serão incluídos na minha lista de desejafos.

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  5. Olá, tudo bem? Acredita que eu ainda não conhecia esse livro? O que é uma pena, pois parece ser uma leitura bem importante. Adorei tua resenha e fiquei louca para ler a obra!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  6. Oie tudo bem? Adorei a resenha e eu ainda não conhecia este livro, já li O papel de parede amarelo e amei, já estou animada pra ler este também e ver como funciona essa sociedade construída por mulheres. Amei que elas descobriram uma maneira de se auto reproduzirem, meu sonho isso acontecer de verdade kkkk

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  7. Oi, tudo bem?

    Ainda não conhecia esse livro, mas lendo sua resenha fiquei curiosa pra conhecer. Imagina que seria meu sonho eu e minha mulher termos um filho, aff preciso! Já quero muito ler esse livroooooo!!!

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  8. Eu ainda não li nenhum livro desse selo e estou muito curiosa com esse (aliás, nem vi os outros livros do selo ainda, vou até procurar). Gostei de ver sua opinião sobre a obra e com certeza é um livro que já quero ler.

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  9. Eu não conhecia a autora ou mesmo a importância de suas obras. Achei a premissa do livro bem inovadora e fiquei curiosa para saber como termina a saga desses homens nessa terra de mulheres. Vou anotar a dica, quero ler.

    Abraços.

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  10. Oi, tudo bem? Tô animada pra fazer essa leitura, coloquei-a na minha meta do Leia Mulheres. Não sei bem o que esperar do livro, porque tenho preferido não ler as sinopses, mas gostei muito da sua resenha, pois me preparou para a leitura. Amei saber mais do livro!

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  11. Não sabia da existência deste selo e adorei a sua análise sobre essa obra. Olhando a capa eu não iria imaginar que se tratava de uma obra tão interessante.
    O que desanima é saber que a nossa sociedade é totalmente oposta a de "Terra das Mulheres".

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  12. Esse livro é meu sonho de consumo, mas por algum motivo que desconheço, minha solicitação pra editora nunca chegou aqui hahaha eu amei demais O papel de parede amarelo e acho que a autora sempre nos passa mensagens bastante importantes, vale a pena a leitura.

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  13. Oi, tudo bem?
    Eu estou ansiosa para ler esse livro. Eu achei a premissa incrível e muito diferente. Estou mais acostumada a ver distopias, então, fiquei muito curiosa para ver retratada uma sociedade que beira a perfeição e com liberdade para as mulheres. Adorei a resenha a espero poder ler esse livro em breve.
    Beijos!

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  14. Olá, tudo bem? Já conhecia o livro, e desde que soube da sua existência quero muito ler. Acho essa idade de um país só de mulheres fantástica, e fico intrigada por ver como será a interação com três homens machistas. Sua resenha me deixou com grandes expectativas. Adorei!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma