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Stig Dagerman - in A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer


Stig Dagerman (1923-1954)



E, quando se instala a depressão, é dela que sou também escravo. O meu maior desejo é retê-la. O meu prazer mais forte, sentir que tudo o que valho residia no que julgo ter perdido: essa capacidade de gerar beleza a partir do que é em mim desespero, desgosto e fraqueza. Com amargo prazer desejo ver ruir o que arquitetei e ver-me, eu também, envolto na neve do esquecimento. Mas quê? A depressão é uma boneca russa, e na última boneca estão as águas profundas e o salto para um grande abismo. De todos esses instrumentos de morte me torno escravo. Perseguem-me como cães, a não ser que o cão seja apenas eu. Parece-me então ser o suicídio a única prova da liberdade humana.

15 comentários:

  1. Fiquei sem palavras pra esse poema tão expressivo e compreendedor desse abismo que é a depressão, acho que nunca vi representação em palavras tão verdadeira.
    Abraços!

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    1. Resumiu o que senti, sou louca para ter esse livro para mim

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  2. Triste ver em palavras tão claras como uma pessoa sente-se presa neste sentimento de depressão.
    Bjs, Rose

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  3. Olá!! :)

    ENfim, divido-me em alegria e tristeza. Tristeza por experimentar o vazio abismal que é a depressao. Alegria por ler um texto que, apesar de curto, o reflete tao bem!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  4. Olá

    Lendo esse trecho lembro de uma discussão que ouvi numa das ágoras que tem na universidade que estudo que era sobre liberdade plena e a morte, porque o professor de Filosofia questionava a todos sobre em qual momento temos a total liberdade de escolhemos nosso destino sem qualquer amarra social e ele falou no suicida que deixa claro que não há mais nada que valha a pena em vida que o motive a ficar no plano físico e foi interessante, porque em Como eu era antes de você temos a escolha do personagem Will pela eutanásia, porque para ele não adiantava viver com uma doença sem cura que só o deixaria dependente dos outros.

    O questionamento de Stig é forte e provocativo e recai bem em tempos de tragédia e o medo opressivos dos ocidentais em falar da morte e da tristeza.

    Beijos

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  5. Realmente sem palavras para esse poema, você sempre nos encantando e nos deixando sem reação diante de tanta magnitude.
    Bjs

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  6. Nunca vi um desabafo tão verdadeiro sobre a depressão
    Conseguiu descrever muito bem =/

    Sai da Minha Lente

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  7. Muito interessante o texto, especialmente a parte que fala sobre talvez sermos os próprios cães que nos perseguem.

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  8. Que texto forte! É belo ver que alguém consegue transmitir as emoções de forma tão emocionante e vital para as palavras, porém é extremamente triste - e sufocante - perceber o quanto o poeta está preso à própria narrativa. Infelizmente um relato muito verdadeiro para muitas pessoas.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  9. Oi, tudo bom?
    Que texto mais intenso e real, gostei muito do texto!
    beijos

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  10. Olá, obrigada por essa postagem muito maravilhosa! Me lembrou muito Andrew Solomon, autor de O demonio do meio dia, que por sinal super indico a leitura. Salvei aqui nos meus favoritos e certamente irei usar como referência.

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  11. Uau...

    Que texto mais sincero e verdadeiro! Só Quem passa pelo inferno que é essa doença sabe o que ela causa em nossa mente ao ponto de parecer que realmente não há mais saída que não a morte.

    Adorei o texto.

    Beijos

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  12. Oi.

    Me identifiquei tanto, tão expressivo e peculiar, o texto nos faz refletir sobre o que é viver e não sabe.

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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